A discussão

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Narrado pela rainha Cláudia:

Outro desmaio aconteceu. O Gabriel chamou um médico para vir me ver. Ele me examinou enquanto eu estava deitada na minha cama e, depois, disse:

– Eu não estou entendendo o motivo desses desmaios, rainha Cláudia, mas acho que o remédio que eu lhe dei pode te ajudar muito a melhorar.

– Que assim seja, senhor – digo com sinceridade, porque os meus desmaios estavam me preocupando muito.

– Vai ficar tudo bem, soberana rainha Cláudia – disse ele – Mas tome esse remédio na hora certa, ok?

Assinto e digo:

– Sim, senhor.

O médico respira fundo e diz:

– Bom, então eu vou me retirar, ok? Chamem se precisarem de alguma coisa.

– Ok, muito obrigada – após dizer isso, o vi ir embora.

Então, o Gabriel seguiu o médico para conversar com ele e, em seguida, entrou no quarto e perguntou:

– E aí? Como você está?

– Péssima – respondo com sinceridade – Eu estou muito fraca, mas espero que o remédio desse médico possa me ajudar.

– Cláudia... – Gabriel respira fundo, tentando buscar pelas palavras certas – Você não acha que essa sua doença misteriosa pode ser um castigo?

Arregalo os olhos e digo:

– Castigo?

– Sim – diz ele – Um castigo provocado por tudo de ruim que você fez para o nosso próprio filho e para a nossa nora.

– Eu não gosto quando você fala dessa mulher, Gabriel – viro a cara para evitar contato visual com ele.

– Mas será possível uma coisa dessas, Cláudia? – ele aumenta o tom de voz – Nem com essa doença você é capaz de admitir os seus erros? Nem com essa doença você é capaz de pedir perdão?

Olho para ele e digo:

– Pedir perdão? Ah, não me faça rir, Gabriel. O José Fernandes estava agindo de uma forma muito irresponsável por ter se envolvido com aquela plebeia.

– Plebeia cujo ele ama – retrucou ele – Eu sei que você odeia ouvir isso, mas é só a verdade. Ouça, o José Fernandes ama a Maria Clara. Ela foi o primeiro, grande e único amor da vida dele, e se nós dois não tivéssemos sido tão teimosos em relação a eles, isso não teria acontecido.

Não sei o que é pior, ouvir aquilo ou saber que ele está certo...

– Agora vai ser assim? – lanço um olhar fuzilante para ele – Você vai ficar o tempo inteiro jogando tudo isso na minha cara, Gabriel?

– Vou sim – afirma ele – Mesmo que isso não sirva de nada, eu não me importo em ter que ficar te lembrando que, se o nosso filho não está com a gente, foi por causa do seu egoísmo em não querer admitir que a Maria Clara sempre foi a mulher certa para ele.

Cláudia, entenda que, se não fosse por sua causa, o José Fernandes teria sido muito feliz com aquela menina, e talvez logo logo eles até teriam nos dado um neto, mas não... Você tinha que se meter nessa bela história de amor e comprar um veneno para matar a nossa nora, fazendo com que o nosso único filho bebesse uma poção mágica poderosa que o fizesse desaparecer para ir ao encontro da alma da esposa dele, que foi transportada para outro mundo!

O Gabriel só sabia reclamar e dizer tudo aquilo que eu já sabia.

– Eu sei, Gabriel! – grito – Eu sei que eu errei, ok? Então, por favor, pare de ficar jogando tudo isso na minha cara quando você bem entender, porque eu não sou surda!

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora