Narrado pelo príncipe José Fernandes:
No estábulo do palácio, desabafo com a Maria Clara. Eu precisava urgentemente desabafar com alguém que amo sobre os meus sentimentos.
– Maria Clara, você acha que por eu ser o príncipe deste reino, eu tenho o poder de conseguir controlar o que eu quero fazer nessa vida? – pergunto, enquanto uma lágrima insistente cai dos meus olhos. – Mas no futuro, eu vou ter os olhos desse reino sobre mim, examinando atentamente cada movimento que eu fizer. Não serei mais um homem que é príncipe, mas serei um rei. Não serei José Fernandes, mas serei Vossa Majestade. Vou ter esse reino pendurado apenas sobre os meus ombros; por agora, eu sou só o príncipe herdeiro, filho do rei Gabriel e da rainha Cláudia – respiro fundo, sentindo uma certa tristeza me invadindo. – Vou ser aquele que vai precisar ter todas as respostas necessárias quando o reino de Jadya estiver em apuros. Vou ser eu a quem levará o meu reino à ruína, ou à riqueza.
Eu não quero deixar tudo isso preso dentro de mim, e desabafar com a mulher que eu amava era o que eu precisava fazer naquele momento.
A Maria Clara pega na minha mão e diz de um jeito fofo:
– Eu vou estar aqui do seu lado sempre, José, e saiba que eu vou te abraçar até que a sua dor passe.
– Você vai me abraçar até a minha dor passar? – pergunto, repetindo o que ela falou.
– Com certeza sim, meu amor – aquelas poucas palavras vindas dela assumiram uma ressonância bastante meiga e especial. Era algo agridoce assim saindo da boca dela que servia para mostrar que ela sempre estaria comigo.
– Então me abrace agora – peço. – Eu preciso de você.
Sem nem pensar duas vezes, ela me abraça, e eu sinto as minhas forças se renovarem.
Maria Clara às vezes parecia me olhar como se não soubesse do que eu falava para ela.
Acho que ela não acreditava que isso que nós dois vivemos fosse real. Acredito que ela duvidava se isso era um sonho bonito ou uma realidade fantasiosa demais para ser certa e verdadeira.
Olhei para as minhas mãos enluvadas e fiz com que as nossas duas mãos se tocassem sem o auxílio de luvas. Era um toque como esse que nós dois precisávamos. Preciso que Maria Clara comprove que por ela eu iria até o fim do mundo.
Aquele toque não era uma profanação, mas sim uma promessa de que tínhamos que ser um do outro apesar das diversas coisas que ameaçavam o nosso amor.
Conversei com ela enquanto as nossas mãos estavam unidas e tudo que eu disse foi muito mais que sincero. Somos duas pessoas diferentes, mas o amor não liga para isso. Nossos dedos se encaixaram como as nossas almas já estavam encaixadas.
Eu me lembro que sou um ser humano aprendendo com a vida ao apenas tocar a mão dela...
Então, depois que eu a levei para a carruagem, e ela foi embora, me senti arrasado, porque eu queria que ela pudesse ficar comigo mais um pouco.
Eu queria tanto que ela ficasse comigo só mais um pouquinho, porque a presença dela ali me fazia tão bem. Com a minha garota eu me sentia tão livre e feliz, e só ela causava isso em mim.
Após isso, quando eu entrei no palácio, fui recebido por diversas perguntas vindas de várias pessoas.
Só ouvi diversas perguntas que eram:
"Quem era a moça com quem dançou, senhor príncipe?"
"Ela é a escolhida?"
"Essa moça vai ser a sua futura esposa?"
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Curandeira e o Príncipe - A Flor do Sol
FanfictionHá muito tempo atrás, em um mundo passado, em que existiam diversos reinos, existiu um lindo príncipe chamado José Fernandes. Desde criança, José foi preparado para, um dia, assumir o trono do grande, e importante reino de Jadya. E sim, sem dúvida...
