O reencontro

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Narrado pelo príncipe José Fernandes:

Depois que eu conversei e treinei muito com o Inácio, decidi que no dia seguinte iria à feira procurar a Maria Clara para conversar com ela.

Passei o dia inteiro sendo obediente e não desacatando nenhuma ordem dada pelos meus pais, para que eles não tivessem do que reclamar por eu estar querendo sair.

Eu precisava vê-la de novo, eu precisava ver a minha loirinha mais do que tudo.

Então, quando amanheceu, eu me vesti, coloquei uma capa preta para não ser reconhecido no vilarejo, pus as minhas luvas pretas porque não poderia tentar sair sem elas para não levantar suspeitas em relação a onde eu estava indo.

Poxa, até consigo ouvir os meus pais dizendo que um príncipe não pode mostrar sua imagem sem ter a devida responsabilidade ao andar bem vestido e preparado.

Quando sofri meu acidente não as levei comigo por ter saído apressado, e agora eu precisava ser responsável.

Um homem não toca na mão de uma dama sem a devida decência. E hoje eu iria encontrá-la.

Quero ter a honra de segurar a mão da Maria Clara. Mas, um dia, talvez isso possa até ser feito sem luvas, não é?

Porque a verdade é que não existe um toque proibido para um amor de verdade!

Tomei o meu café da manhã no meu quarto, parti para o estábulo para pegar o meu cavalo, mas no caminho vi os meus pais.

– Ah, não, José Fernandes – disse minha mãe. – Não vai me dizer que você já vai sair depois de tudo que aconteceu?

Qual era o problema da minha mãe?

– Mãe, eu não posso ficar trancafiado em casa, eu preciso sair, preciso esticar as pernas e tomar um ar – disse eu, olhando-a sério. – Por acaso quer que eu fique preso como se eu fosse um prisioneiro, mãe?

– Não é isso, filho – disse ela com um suspiro pesado, já começando a perder a paciência. – O problema é que nós vivemos dias muito difíceis na sua ausência, e ficamos preocupados.

– Cláudia – disse meu pai, chamando a nossa atenção –, o José Fernandes está certo, ele precisa sair e precisa respirar um ar fresco. Sei que nós vivemos dias difíceis, mas nós não podemos trancafiar o nosso filho.

Minha mãe lançou um olhar fuzilante para o meu pai e disse:

– Como sempre você quer tirar a minha autoridade de mãe, né?

– Não é isso, meu amor – explicou meu pai. – Mas é que o nosso filho precisa sair e precisa respirar um pouco.

Meu pai disse tudo, porque eu precisava mais do que tudo sair daqui e ir para a feira, mas eu não iria conseguir sair se eles ficassem me impedindo...

– Tá bom, eu não quero ser a chata da história – disse minha mãe, olhando para mim. – Você está querendo ir na vila? Por isso está usando essa capa preta para não ser reconhecido?

– Para falar a verdade, sim – confessei. – Eu quero ver a feira, quero ver as coisas que estão vendendo lá.

– Está bem, José Fernandes, espero que você encontre alguma coisa que goste lá – disse mamãe. – Tipo as maçãs vermelhas que você adora comer, por exemplo.

– É, eu espero que eu as encontre, mãe – disse eu, sorrindo. – Eu amo maçãs vermelhas, porque quanto mais ela for vermelha, melhor o gosto dela será. É o que eu sempre digo.

Eu sorrio e meu pai sorri junto de mim.

– É verdade – confirmou papai. – Você ama dizer isso mesmo, e admito que você tem razão, mas as maçãs verdes são melhores.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora