Declarações de amor

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Narrado por Maria Clara:

Quando eu deitava a minha cabeça no travesseiro, a minha mente era completamente invadida pelas lembranças do José Fernandes.

Eu ficava me lembrando dele o tempo inteiro, até quando eu dava comida para a minha gatinha. Ele deixava o meu coração batendo a mil por segundo.

Mas eu sabia que isso era impossível, esse amor não poderia ir até o fim porque ele e eu somos tão diferentes um do outro.

Embora eu amasse o José Fernandes mais do que a mim mesma, eu sabia que nós dois éramos de mundos muito diferentes, e que aquele amor era sim irrealizável.

Eu não queria recusar o José, mas eu não tinha outra alternativa.

Dizem que o amor é confuso, mas para mim ele é a certeza. Alguns dizem que ele é contraditório, mas amar alguém e ser amado de volta é algo maravilhoso.

Mas acho que a gente perde muito tempo procurando o amor e esquece de entregá-lo. O amor vai além dos horizontes, vai além da nossa imaginação e percepção. O amor é tão profundo e tão único.

Espalhar amor vai além de palavras vazias. Pois ele está nos gestos simples do dia a dia.

Sempre me disseram que, quando eu fosse me apaixonar, eu deveria primeiro amar os olhos da pessoa amada, para depois poder amar todo o resto. Porque os olhos são as janelas da alma, e são eles o essencial.

O corpo envelhece, mas os olhos sempre permanecerão os mesmos durante toda a vida.

Ame os olhos da pessoa que você ama, porque depois disso, tudo ficará completo e fará sentido. E eu amava tanto os olhos pretos daquele homem.

Os olhos revelam verdades ocultas e revelam sentimentos.

E naquela manhã, quando fui para a feira trabalhar para me sustentar e, de quebra, me distrair dos meus pensamentos, o homem que acabava com as minhas tristezas e angústias apareceu usando uma capa preta com luvas pretas em cada uma das mãos, e estava querendo muito conversar comigo em particular.

José Fernandes pediu uma sopa, e eu a entreguei para ele em um prato.

– Que saudades eu senti da sua comida, loirinha – disse ele.

Estremeci, e só ele fazia isso comigo.

– Espero que goste dela – eu disse com toda a sinceridade que cabia dentro do meu peito. – Eu dei o meu melhor nela.

– Eu não duvido de você, Maria Clara – disse ele, enquanto levava uma colher até a boca. – Hummmm, que delícia de sopa!

Quando o José elogiou a minha sopa depois de a provar, por alguns segundos eu voltei ao passado, ao nosso passado juntos.

– Obrigada... – respondi.

– Ela vale cada centavo que eu vou te dar – disse José, provando mais um pouco da sopa.

– Não, eu não quero que me dê dinheiro, essa sopa é um presente pra você... – respondi, porque eu não poderia cobrar nada do homem que eu mais amava na minha vida.

Eu queria tanto bancar a indiferente com ele, mas sabia que não poderia jamais ser indiferente com alguém que eu amo perdidamente.

– Mas eu insisto, Maria Clara, insisto em pagar o que ela vale – disse José.

– Está bem – respondi. – Mas eu quero o preço justo dela, ok? Porque eu não quero nenhum centavo a mais.

– Ok, loirinha, combinado – disse ele, piscando o olho para mim.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora