A carta da rainha Cláudia

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Narrado pelo príncipe José Fernandes:

Quando a Maria Clara entrou no quarto para cuidar da minha mãe, eu fiquei parado feito uma estátua, observando tudo na expectativa de testemunhar a minha esposa curando a minha mãe, mesmo que infelizmente ela não merecesse esse ato de compaixão.

De repente, ouço uma voz masculina que eu já não ouvia fazia tempo, era o meu pai, que perguntou:

– José? Meu filho, é você mesmo?

Me virei para vê-lo e encarei um rei importante chamado Gabriel, com os olhos dele repletos de lágrimas.

– Oi, pai – digo com um sorriso. – Que saudades, e sim, sou eu mesmo.

Meu pai correu mais do que depressa até mim e me abraçou, dizendo:

– Graças a Deus você voltou para casa. E a Maria Clara, filho?

– Ela também voltou, pai – digo, o fazendo se soltar do nosso abraço apertado.

– Sério? – ele sorri. – A minha nora voltou a viver? Você conseguiu trazer ela de volta?

Assinto com emoção e digo:

– Sim, pai, ela voltou, e está dentro do quarto da minha mãe na intenção de curar ela.

– O quê? – questiona ele. – A Maria Clara, mesmo depois dos absurdos que a Cláudia fez ela viver, quer curar ela?

– A Maria Clara é boa, pai – explico. – O coração dela é tão nobre que ela quer deixar o passado para trás na intenção de ajudar a minha mãe.

Lágrimas caem dos olhos do meu pai, e ele diz:

– Se eu pudesse voltar no tempo, eu nunca teria permitido que a sua mãe tivesse julgado essa moça tão mal, meu filho...

– A mamãe está assim faz tempo? – pergunto.

Meu pai assente com tristeza, limpa as lágrimas dele e diz:

– Tá sim, filho, eu até já chamei diversos curandeiros para tentar ajudar, mas ela não ficou bem porque o médico disse que o caso da sua mãe agora era um caso de cura que só os curandeiros poderiam fazer...

Respiro fundo e digo:

– Como são as coisas, né? A minha mãe sempre teve preconceitos idiotas com os curandeiros, pra no fim acabar precisando deles...

Eu, em hipótese alguma, estava debochando dela, porém só estava sendo sincero.

– José, acho que a sua mãe só precisava voltar a ver você – disse ele. – Porque um curandeiro que eu chamei até disse pra mim que ela queria morrer...

Arregalo os olhos e digo:

– O quê? É sério? Por essa eu não esperava...

– Sim – afirma ele. – Mas isso não importa porque eu confio na Maria Clara, porque eu sempre tive fé nessa moça, porque nos outros curandeiros infelizmente eu não consegui...

Toco o ombro do meu pai e digo:

– A minha mulher vai salvar a minha mãe, pai. Não duvide dela.

Meu pai me abraça de novo e diz:

– Eu senti tanta saudade de você e dela, meu filho. Vocês fizeram muita falta aqui, José.

– A Penha e a Lara me contaram sobre o que o senhor as fez – confesso. – Foi muita bondade sua ficar à disposição para ficar velando o corpo da Maria Clara enquanto a gente não voltasse.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora