A visita ilustre do rei Gabriel

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Narrado pela rainha Cláudia:

Existiam coisas que eu abominava completamente: uma delas era a teimosia do José Fernandes, outra era a insistência do José Fernandes e por fim a surdez do José Fernandes em relação aos meus conselhos.

Já havia se passado muito tempo, e nada dele querer voltar para casa. Ele estava cheio de caprichos pessoais que só aquela tal de Maria Clara poderia satisfazer.

Tanto trabalho duro para transformar o meu filho no herdeiro qualificado para se tornar rei no futuro estava sendo jogado no lixo e não estava servindo para nada.

Naquele dia, eu estava no meu quarto, completamente chateada pelas coisas estarem acontecendo da forma que estavam sendo. Que raiva me dá só de imaginar que o meu filho está se envolvendo com uma plebeia curandeira!

De repente, meus pensamentos foram interrompidos pelo meu marido, que entrou no nosso quarto de um jeito eufórico.

– Gabriel? – questiono. – O que houve? Por que você está tão agitado assim?

– Já está se passando muito tempo, Cláudia – esbravejou meu honorável rei. – E o nosso filho ainda não voltou para casa.

– E o que você quer que eu faça? – questiono. – O José Fernandes é um ingrato sem noção que decidiu desistir de ser príncipe para acompanhar aquela plebeia por onde ela for andar.

– Cláudia, eu tomei uma decisão – anunciou ele.

– Decisão? Qual, Gabriel? – pergunto com curiosidade.

Gabriel respira suavemente e diz com autoridade:

– Eu vou fazê-lo voltar para casa, custe o que isso tenha que custar. Vou fazer até o impossível para que ele volte, porque já se passaram dias em que nós demos uma trégua para ele, e ele nem sequer quis voltar. Ele vai voltar pra nós, nem que seja arrastado, Cláudia. Jadya precisa do príncipe herdeiro e vai ter isso!

– E você acha que eu não sei disso, Gabriel? – questiono, chateada. – O José Fernandes é o nosso único filho e precisa voltar, sim, mas como faremos isso?

– Cláudia, eu vou negociar com o nosso filho. Vou fazer com que ele volte para o palácio junto da Maria Clara – disse Gabriel, me fazendo lançar um olhar fuzilante para ele.

Não, ele não podia estar falando sério, ou será que podia?

– O quê? – indago, completamente perplexa. – Foi nisso que você pensou? Você quer aceitar essa tal de Maria Clara como nossa nora?

– Se esse é o único jeito de fazer o nosso filho voltar para casa, então que assim seja – diz ele, dando de ombros. – Vou me retirar e vou agora mesmo pra casa dessa curandeira pra conversar com eles.

– Você está muito enganado se acha que eu vou permitir que esse seu plano seja executado – digo, me aproximando dele.

– Eu vou propor que eles fiquem juntos no palácio pra ver no que vai dar, Cláudia – diz ele, de um jeito cauteloso.

– Jadya nunca teve uma plebeia como rainha – argumento, sentindo raiva.

– Até breve, Cláudia – diz ele. – Irei me retirar pra ir ao encontro do José Fernandes e da curandeira.

– Essa garota e eu nunca vamos nos dar bem, Gabriel! – exclamo, sentindo fúria. O Gabriel estava bancando o idiota com aquela ideia fútil.

Gabriel me olha atentamente e diz:

– Não iremos saber se não tentarmos dar o braço a torcer, Cláudia.

– Respeito a sua opinião, mas simplesmente não concordo com ela, Gabriel – torno a dizer, mesmo que ele se recusasse a me ouvir.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora