O regresso do casal

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Narrado pelo rei Gabriel:

Quase sempre eu estava indo na casa da Maria Clara para ver o corpo dela e verificar se, por acaso, o meu filho havia retornado para casa.

Naquela manhã, desci da carruagem trazendo comigo um buquê de flores muito bonito para presentear e deixar o ambiente mais colorido.

Entrei naquela casa, me dirigi ao quarto e vi a Penha e a Lara, que estavam ali, sempre vigiando e esperando com paciência que a minha nora voltasse a abrir os olhos dela.

– Oi, meninas... – digo, chamando a atenção delas para mim.

Elas me olham, fazem cada uma reverências a mim, e a Penha diz:

– Olá, senhor rei.

– Em que podemos ajudar nessa manhã? – perguntou Lara de um jeito amável.

Me aproximo dela e entrego o buquê, dizendo:

– Esse buquê é para a minha nora...

Lara o recebe sorrindo e diz:

– Obrigada, vou colocá-lo perto da Maria Clara.

E a vejo fazer isso, conforme o que foi dito. Em seguida, percebo que a Maria Clara estava vestida com uma nova roupa, então questiono:

– Vocês trocaram a roupa dela?

Penha faz que sim e diz:

– Ela passou tempo demais com aquela roupa, senhor. Então a Lara e eu a trocamos dias atrás. Nós duas até demos e damos banhos demorados nela, porque acredite: a gente jamais deixaria ela sem seus devidos cuidados.

Dou um breve sorrisinho e digo:

– Vocês são ótimas amigas, meninas. Que bom que a Maria Clara pode contar com vocês...

Observo a Lara tocando delicadamente o rosto da minha nora, e a ouço dizendo:

– Quando ela vai acordar? Nós só estamos fazendo por ela o que amigas de verdade fariam, majestade. – ela volta a olhar para mim com seus olhos bastante tristes. – Mas quando ela vai voltar? Já faz tanto tempo que o José Fernandes foi atrás dela e já nem sabemos de nada deles.

Uma lágrima cai do meu olho e eu digo:

– Nem me diga, Lara, mas e vocês? Vocês estão precisando de alguma coisa? Porque eu posso providenciar.

– Obrigada, Majestade, o senhor é muito gentil – disse Penha. – Mas não, nós não estamos precisando de nada no momento, ok?

– Então, se vocês não precisam de nada, ao menos podem me fazer um favor? – pergunto.

Lara se aproxima de Penha e diz:

– Claro, senhor, peça o que quiser.

Respiro profundamente e digo:

– A Cláudia nem consegue mais manter os olhos dela abertos, então meninas, por favor, se o José Fernandes voltar, peçam para que ele vá ao palácio ver a mãe dele...

– Sim, senhor – disse Penha.

– E melhoras para a sua esposa... – disse Lara.

– Obrigado – digo com sinceridade.

Então, depois de um tempo, eu voltei para o palácio e me permiti sentir angústia por nunca mais ter recebido nem que fosse uma mísera notícia do meu filho e da minha nora...

Narrado pela Maria Clara:

Como se esquecer de pensar? Quando eu perdi a minha memória, havia apenas um vazio escuro em minha mente onde deveriam haver lembranças. E quando finalmente eu as recuperei com a ajuda do meu amado José Fernandes, havia chegado a hora de ir embora.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora