Narrado por Maria Clara:
– Como está sendo a sua estadia no palácio, senhorita Maria Clara? – perguntou Vera, com interesse.
– Vera, por favor, me chame só de Maria Clara, ok? – digo. – Não se esqueça disso. E a minha estadia aqui está sendo muito bem aproveitada, muito obrigada por perguntar.
Vera ri e diz:
– Desculpe, isso é força do hábito.
– Senta na cama, Vera – digo. – E vamos conversar um pouco.
– Eu? Sentar na sua cama? – pergunta ela, com surpresa. Os cachinhos dela eram tão fofos; a Vera era linda.
– Sim – digo, sorrindo. – Senta aí, porque eu não aceito um não como resposta, viu?
Vera assente, se senta na cama e diz:
– Obrigada.
– Posso te fazer uma pergunta? – questiono.
– Claro – diz ela com um sorriso bastante gentil e meigo nos lábios.
– Você trabalha no palácio há muito tempo? – pergunto, prestando muita atenção nela, porque eu estava muito curiosa.
– Faz alguns anos, sim – responde ela. – Porque eu sempre vinha aqui para brincar com o José Fernandes e acompanhar a minha mãe, que sempre foi cozinheira.
– Vera, você conhece bem o José Fernandes? – questiono. – Acha ele um bom príncipe?
– Bom, eu sempre vi no José uma espécie de irmão mais velho pra mim, mesmo sabendo que eu não deveria vê-lo assim, por ele ser um príncipe – disse ela. – Mas a nossa amizade sempre foi bem vista aos olhos do rei Gabriel, e até da rainha Cláudia, que gostava de ver nós dois brincando juntos por aí.
– Ele falou muito bem de você, do seu pai e da sua mãe pra mim – comento. – Ele disse que te considera uma irmãzinha para ele, e eu fiquei curiosa para te conhecer e conhecer a sua mãe pessoalmente, porque o seu pai eu já havia conhecido.
– Meu pai me contou isso – disse ela. – Ele disse pra mim que você é linda, e eu não imaginava que você fosse ser tão linda do jeito que ele havia descrito.
– Para com isso, Vera – digo, sorrindo. – Você é muito bonita também, com essa sua pele negra maravilhosa e esse cabelo cacheado comprido.
Vera sorri e diz:
– Obrigada.
– Escuta – falo. – O que você acha do José Fernandes como príncipe? Acha que ele é capacitado pra esse cargo?
– O príncipe José Fernandes é um homem de bom coração – diz ela. – Ele é piedoso, humilde com todo mundo em volta dele, generoso, e eu tenho certeza de que um dia ele será um grande rei.
– Nossa – sorrio. – Que bom que você pensa assim dele, Vera.
– Mas... – ela se levanta da cama e vem até mim. – Ele precisa arrumar uma esposa o quanto antes, para que a rainha Cláudia pare de ficar pegando no pé dele, porque um príncipe precisa de uma princesa para ela governar do lado dele quando ele se tornar rei.
Fico triste ao ouvir a palavra "princesa" e digo:
– Eu sei...
Vera toca meu ombro e diz com compreensão:
– Mas acho que não é necessário uma princesa quando ele se apaixonou por uma mulher incrível feito você.
– Por que você acha que eu sou incrível, Vera? – questiono.
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A Curandeira e o Príncipe - A Flor do Sol
Hayran KurguHá muito tempo atrás, em um mundo passado, em que existiam diversos reinos, existiu um lindo príncipe chamado José Fernandes. Desde criança, José foi preparado para, um dia, assumir o trono do grande, e importante reino de Jadya. E sim, sem dúvida...
