Amizade verdadeira é sobre isso...

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Narrado pela Maria Clara:

Assenti e continuei contando de onde eu havia parado:

– Conheci os empregados do palácio, conheci a Inês, que é a mãe da Vera, esposa do Inácio, que treinou o José Fernandes desde sempre. Conheci um homem negro muito legal que trabalha no estábulo, que se chama Joelmo. E a minha primeira noite no palácio foi incrível, porque a cama era muito confortável de se dormir. E naquela mesma noite, o rei, a rainha e o José vieram juntos até o quarto onde eu estava e me desejaram boa noite. Eu estava me sentindo aceita por eles.

– Nossa, que sonho lindo – disse Lara.

– O problema foi depois disso, amiga... – comento com tristeza. – No dia seguinte, várias criadas entraram no quarto para me servirem e cuidarem de mim como se eu fosse uma princesa. Trouxeram comida, sugeriram roupas, e até queriam me trocar se fosse necessário.

– Uau, Maria Clara – disse Penha. – Que incrível!

– Mas eu não estava gostando disso, meninas – comento com tristeza. – Eu não conseguia mais sentir que eu era a mesma pessoa.

– A gente entende – disse Lara. – Mas continua contando tudo.

Respiro fundo e digo:

– Enfim, depois a Vera veio até o meu quarto e a gente conversou muito juntas. Quando saímos, o José Fernandes ficou maravilhado ao me ver usando aquele vestido que era vermelho. Ele me chamou para irmos juntos ver a biblioteca do palácio, só que o rei Gabriel apareceu aonde estávamos e me chamou para ir dar um passeio pelos jardins do palácio.

– Nossa – exclama Penha. – Que fofo! E você foi?

Assenti e disse:

– Fui, fiquei insegura, mas fiz isso pelo José Fernandes. E até que eu gostei muito do passeio, porque o rei Gabriel era gentil, educado e muito amável. Ele até disse que queria ter tido um casal de filhos e que, com certeza, eu iria ter a idade que a filha dele teria.

– Meu Deus, que lindo! – disse Lara.

– Verdade – concordo sem demora, e continuo com o meu relato. – A gente conversou muito, falamos sobre flores. Ele me perguntou quais eram as minhas flores preferidas. Eu disse que eu amava margaridas, e ele me disse que as flores preferidas dele são rosas vermelhas, porque a cor preferida dele é vermelho. E rimos juntos quando eu disse que a minha cor preferida era verde e ele disse que isso era compreensível por causa dos meus olhos.

– Esse rei lembra muito o jeito do José Fernandes – comenta Lara. – Ele é educado, que nem o filho dele.

– Concordo – disse Penha.

– E sabe? – digo. – Quando ele disse que um príncipe herdeiro nunca se casou com uma plebeia, eu tive medo. Mas ele disse que talvez pudéssemos mudar isso muito em breve. E caramba, meninas, tudo que esse rei falava era enigmático.

– Menina, acho que no fundo o rei Gabriel tinha te aceitado – disse Penha.

– Concordo, Penha – disse Lara.

Olhei para o chão e disse:

– O problema foi que, depois do nosso passeio, porque o rei teve assuntos importantes de rei para resolver, sabem? Eu fui ao encontro da Vera na cozinha e ouvi a rainha Cláudia conversando com um empregado do palácio sobre mim. Ela disse tantas coisas horríveis sobre mim, meninas. Ela disse que eu enfeiticei o filho dela, que eu não tinha modos à mesa, e modéstia à parte? Eu só consegui comer junto deles porque o José Fernandes e o próprio rei Gabriel começaram a me imitar para que eu pudesse me sentir aceita naquele lugar.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolOnde histórias criam vida. Descubra agora