Narrado pela Maria Clara:
Quando acordei e me levantei da cama, após me vestir, senti uma dorzinha no quadril, mas isso era de se esperar depois da noite de amor que tive com José Fernandes ontem; afinal, eu era virgem. Atitudes geram consequências, né?
Sem dúvidas, eu aceitei a condição extrema do amor que era a entrega.
Fui até o cercado ver como estava o meu cavalo e o de José Fernandes, que pastava tranquilamente no gramado enquanto o meu o observava.
O dia estava ficando nublado, mas mesmo assim ele ainda estava bonito, porque o sol ainda raiava seu brilho, e a grama em que eu pisava era bem verdinha.
Então, eu avistei o meu cavalo e dei uma maçã suculenta para ele.
– Bom menino, meu Brilho Dourado – eu disse, sorrindo para o meu cavalo, assim que ele comeu a maçã. – Amo você, meu cavalinho lindo. Faça bom proveito dessa fruta, hein?
Então, logo em seguida, vi o Chama Preta, chamei-o até mim, e quando ele se aproximou, também lhe estendi uma maçã, que foi devorada na hora. Eu havia pegado duas, uma para cada um.
– Bom garoto – disse eu, passando a mão no pescoço dele. E, por um breve momento, encostei o meu rosto na crina sedosa dele, à procura de algum conforto.
O Chama Preta era tão lindo. Sem dúvidas, esse cavalo era o animal mais belo que os meus olhos já viram. Ele e o meu cavalo, Brilho Dourado, eram perfeitos juntos, eram imbatíveis. E em questão de beleza, eles combinavam muito.
Então, sem que eu me desse conta, comecei a desabafar com ele, porque mesmo que ele não falasse, seria um ótimo ouvinte para mim.
– Eu dormi com o seu dono ontem, Chama Preta... – revelei, sentindo o peso daquela confissão. – Eu sei que quis essa entrega tanto quanto ele queria, e não me arrependo de ter perdido a minha virgindade com ele, porque tudo foi mais do que perfeito entre nós dois. Ele foi um verdadeiro cavalheiro enquanto tirava o meu vestido e me fazia mulher.
Só que eu tenho medo porque ele é um príncipe, ele é o herdeiro do trono de Jadya, ele é importante, tem o sangue nobre, tem dinheiro, tem poder, e no futuro muitas pessoas estarão sob o poder dele, porque ele vai comandar uma grande nação. E eu não sou a princesa que ele precisa, e tampouco sou a rainha que o reino de Jadya precisa.
Sim... – suspiro. – Eu o amo mais do que a mim mesma, mas não posso permitir que ele abandone o próprio reino por minha causa, pois esse reino também me pertence, já que sou parte de Jadya desde que nasci. E uma nação sem um príncipe destinado a se tornar rei não merece ser chamada de reino.
Ah, meu Deus, Chama Preta... O que farei? Entreguei-me de corpo e alma ao seu dono por amor, e agora não sei se conseguiremos ficar juntos. Mas nunca deixarei que outro homem além dele me toque. Pertenço somente a ele e a mais ninguém.
Confesso que eu adoraria já ter ficado grávida desse homem impressionante, porque, desse modo, eu iria ter algo só meu e dele: um filho, fruto do nosso amor, do nosso único e verdadeiro amor...
Um filho nosso seria um laço de sangue juntamente com a alma que nem o tempo, nem o trono, e nem o destino ousariam desfazer.
De repente, sem que eu percebesse, uma mão tocou meu ombro. Era uma mão negra, e pertencia a José Fernandes. Então, virei-me e o encarei.
– José? Você estava me ouvindo há muito tempo? – perguntei, temendo a resposta.
– Bom, eu te procurei por todos os lugares da casa, e como não te achei, cheguei à conclusão de que você estava aqui, e acabei ouvindo o seu desabafo com o meu cavalo... – confessou ele.
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A Curandeira e o Príncipe - A Flor do Sol
FanfictionHá muito tempo atrás, em um mundo passado, em que existiam diversos reinos, existiu um lindo príncipe chamado José Fernandes. Desde criança, José foi preparado para, um dia, assumir o trono do grande, e importante reino de Jadya. E sim, sem dúvida...
