Infelicidade

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Narrado pelo José Fernandes:

– Tudo bem, meu filho – disse minha mãe. – Não tenha pressa para tentar se apaixonar tão rápido desse jeito pela Verônica, mas você entende que, embora você tenha aceitado se casar com ela, a Maria Clara não pode ser libertada da masmorra, né? Desculpe pelo o que eu vou te dizer, mas não consigo confiar em você depois dos últimos acontecimentos.

Ela definitivamente não confiava mais em mim, e eu também já não confiava nela.

Respiro profundamente e digo:

– Tudo bem. Quando a Verônica vier para o palácio, de imediato eu a pedirei em casamento. Mas em troca disso, eu quero que cumpra a sua parte do acordo, mãe, e quero que liberte a Maria Clara daquele lugar.

– Você tem a minha palavra e a palavra do seu pai – disse ela. – E você não vai tentar fazer um ótimo pedido de casamento para a princesa Verônica, porque você vai lá e vai fazer tudo com perfeição, entendido?

O que eu tinha acabado de fazer?

– Perfeito, pode deixar comigo – digo com tristeza. – Agora posso me retirar?

– Pode sim, e logo logo a Verônica estará aqui – disse minha mãe com um sorriso que me irritou amargamente. – Então se apresse e organize um bom pedido de casamento para essa moça, hein? Afinal, sinceramente, estou muito feliz que você tenha decidido fazer o certo. Porque, senão, eu iria ter que acabar com tudo isso, José, e teria jogado a Maria Clara na mais pura escuridão sem nem pensar duas vezes.

Assenti, porque era apenas isso que eu podia fazer.

– Tudo bem, que a sua vontade seja feita, oh poderosa rainha Cláudia – digo com deboche e indo embora.

Eu não aguentava mais a minha mãe...

Só que acontece que naquela noite eu não dormi, porque fui para a masmorra de novo ver como a Maria Clara estava. E ela se encontrava dormindo no chão, fazendo lágrimas caírem dos meus olhos.

Ah, meu amor, eu vou conseguir te tirar daí, isso eu te prometo.

Fiquei velando o sono dela de longe para que ela não acordasse ao notar a minha presença ali.

Eu teria que ser forte e não poderia voltar atrás na minha decisão de me casar, mas eu precisava tanto dela... Eu precisava tanto que a Maria Clara soubesse que ela foi o meu primeiro, único e verdadeiro amor.

Eu tinha uma necessidade tão grande de mostrar pra ela que por ela eu seria capaz de morrer, se para isso ela pudesse ficar bem...

Que vontade enorme de sentir as carícias dela contra a minha pele!

Que vontade enorme de sentir a boca dela na minha!

Que vontade enorme de abraçá-la e protegê-la de todo o mal!

Que vontade de fazer amor com ela mais uma vez...

Que vontade de continuar sonhando com uma família ao lado dela!

Que vontade de me casar com ela e vê-la envelhecer do meu lado!

Que vontade de termos filhos juntos, de termos netos e até bisnetos...

Maria Clara, por que isso tem que ser tão difícil? Por que eu não posso ter você?

Fizemos tantas loucuras juntos, fizemos tantas promessas, trocamos tantas juras de amor...

Eu não estou nem perto da metade do meu deserto...

Me enche de esperanças saber que um dia estarei em um oásis, mas por enquanto, de onde estou, só vejo imensas dunas feitas dos meus sonhos despedaçados de tê-la sempre comigo...

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora