Narrado pela Maria Clara:
Muitas vezes, olho para o passado como um triste momento da minha vida, porque eu confiei em uma pessoa que tanto amei e que tanto fiz para que a relação fosse a melhor possível.
Mas hoje, depois que li aquela carta, sinto um vazio como se tudo ao meu redor tivesse se desmoronado.
Eu amo o José, e talvez nunca deixe de amá-lo, mas agora, se perguntarem se há vontade de viver tudo isso novamente, diria que não.
E talvez nunca serei a mesma pessoa de antes, depois de ter lido tantas coisas que pareciam facas sendo apunhaladas no meu peito.
Não sei se vou conseguir voltar a depositar a minha confiança como tanto investi nesse homem que, com tal intensidade, amei.
O nosso amor, pelo menos para mim, foi algo recíproco, sim. Ele durou dias que foram magníficos e inesquecíveis para mim.
Tudo corria bem entre nós dois. Eu me sentia feliz ao lado desse homem pelo qual foi paixão à primeira vista.
Só que agora, do nada, tudo simplesmente mudou.
Ele vai se casar com outra mulher, e eu não consigo me conformar com uma coisa dessas.
Sinceramente, acho que hoje em dia restam apenas memórias e momentos que jamais esquecerei. Vai ser muito doloroso para mim viver assim.
Vem sempre na minha cabeça agora a ideia de que será muito difícil depositar a minha confiança em uma próxima relação que possa surgir. Porque o receio e o medo serão sempre uma coisa constante dentro de mim.
Estou de coração partido pelo José ter escolhido ela ao invés de mim.
Às vezes, as pessoas que buscam inimigos e adversários em todas as partes têm dificuldade de compreender aqueles que simplesmente são diferentes e não buscam confusão com ninguém.
Porque eu nunca planejei ter me apaixonado por um príncipe herdeiro...
Todavia, mesmo que ele não saiba, nunca mais voltarei a me apaixonar por outra pessoa, porque quando me entreguei para ele, não entreguei só o meu corpo, mas entreguei o meu coração.
Vera apareceu de novo aonde eu estava, perguntando:
– E aí, Maria Clara? Como foi com a carta?
A olhei, fui até ela e disse com lágrimas nos olhos:
– Vai casar, Vera. O homem da minha vida vai se casar com a princesa Verônica do reino Renascer.
Vera arregala os olhos dela e diz, espantada:
– O quê? Ele ficou louco? Mas isso não vai ficar assim, Maria Clara. Agora mesmo, eu vou conversar com o José!
– Não, Vera – peço em súplica. – Não faz isso, ele teve seus motivos.
– Que motivos são esses que falam mais alto do que o amor? – questiona ela.
– Deixa isso quieto, Vera – insisto. – Se o José escolheu ela, já não posso fazer nada, e é até melhor assim, porque ele é um príncipe e eu sou uma plebeia.
– Você é a plebeia que ele ama – corrige ela. – Deixe, Maria Clara, deixe comigo, porque agora mesmo eu quero conversar com ele.
– Vera... – tento argumentar, mas ela me interrompe.
– Sem protestos, Maria Clara, eu vou conversar com ele, porque esse príncipe precisa me ouvir.
Assenti, e vi ela partir. Olhei mais uma vez para a carta e digo, entre lágrimas:
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A Curandeira e o Príncipe - A Flor do Sol
Fan-FictionHá muito tempo atrás, em um mundo passado, em que existiam diversos reinos, existiu um lindo príncipe chamado José Fernandes. Desde criança, José foi preparado para, um dia, assumir o trono do grande, e importante reino de Jadya. E sim, sem dúvida...
