Somos um

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Narrado por Maria Clara:

Sempre me disseram que o coração manda na gente quando estamos apaixonados. Que o coração fala muito mais alto do que a razão, e que a principal razão dele é amar.

Mas também sempre me disseram que eu tinha que me controlar, que eu tinha que entender que os outros sentimentos também importavam muito, como por exemplo: a amizade, e a lealdade de um casal apaixonado, ou a lealdade para com um familiar ou um amigo.

Sempre me disseram que o coração, quando se apaixona, ganha o controle total sobre nós.

O coração bombeia sangue, mas também bombeia o amor quando estamos amando alguém mais do que a nós mesmos.

Isso foi o que me disseram certa vez.

Eu sempre soube que nós tínhamos que ter o amor como um aliado para nós, e agora não há mais como negar que a batida do meu coração pula quando eu estou com o José Fernandes.

O amor dele se atreveu a fazer comigo o que ninguém mais conseguiu causar: me entreguei a ele, e me apaixonei como eu nunca havia me apaixonado antes.

É impossível negligenciar um sentimento tão intenso como o amor, porque só o amor salva.

No fundo, nós sabemos que em um relacionamento as duas pessoas envolvidas não precisam ser perfeitas, porque o que elas já são por si mesmas, com os seus erros, acertos e defeitos, já é mais do que o suficiente.

Porque nós não podemos exigir dos outros a perfeição que nós mesmos não temos.

Cada dia ao lado do José é como estar no céu. O que eu sinto por ele é mais intenso e mais profundo do que a verdade.

Naquela manhã, fui até o quarto do José Fernandes, levando uma roupa que era do meu pai. Ela estava limpa e iria servir perfeitamente nele, pois disso eu não tinha dúvidas.

Chegando lá, vi que ele estava calçando as botas dele para ir trabalhar na ferraria, e eu não pude deixar de notar a visão do paraíso que aquele homem era para mim: aquela pele negra, aqueles olhos lindos, aquele corpo escultural...

Meu Deus, como eu o amo!

Ele estava em cima da cama, só de calça, e sem camisa, e eu me derreti por ele.

– Bom dia, José. Eu te trouxe uma roupa nova para você usar no seu primeiro dia de traba... – Eu não terminei de falar, porque quando os nossos olhos se encontraram, eu estremeci por ele.

– Oi, amor – diz ele com um sorriso fofo. – Estou me arrumando para ir trabalhar. Está tudo bem?

Pigarreio para disfarçar o meu nervosismo ao ver ele sem camisa de novo, e digo:

– Sim, meu amor, está tudo bem, sim. Eu vim aqui te entregar essa roupa que era do meu pai para você usar no seu primeiro dia de trabalho com o Ícaro hoje...

Não sou nenhum poço de virtudes, mas me questiono se já tive alguma ao vê-lo nesse estado tão sedutor novamente... Que tentação!

José Fernandes se levantou da cama, sorrindo, e pegou a roupa das minhas mãos, dizendo:

– Obrigado, meu amor. Sei que essa roupa vai ser bem útil para mim, e ela é linda.

– E está limpinha... – falei com um sorrisinho tímido.

– Ok – diz ele. – Que bom, meu amor, eu acredito em você.

De repente, a minha mão traiçoeira tocou o peito do meu homem.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora