A ideia do príncipe

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Narrado pelo príncipe José Fernandes:

Era muito difícil conversar com a minha mãe sem que ela viesse com palavras que mais pareciam pedras lançadas para mim. Sem dúvidas, eu não podia fazer nada com que ela não concordasse.

Só que, depois da nossa discussão anterior, resolvi deixar que o meu treino com o Inácio acontecesse um pouco mais tarde, porque primeiro eu queria voltar a ver a minha loirinha na feira.

E assim que coloquei os meus pés para fora de casa, a minha mãe me perguntou para onde eu iria, e eu simplesmente respondi que precisava sair para esfriar a cabeça. Então, ela deu o braço a torcer e me deixou sair. Mas, quando eu voltasse, teríamos que organizar juntos o baile que estava previsto para acontecer no domingo da semana que vem.

Então, já era chegada a hora de eu convidar a Maria Clara para participar dessa festa. Sem ela comigo, esse baile não seria bom.

Depois do abraço que a Maria Clara e eu demos, olhei nos olhos dela e disse:

– Amor, no domingo que vem vai ter um baile no meu palácio, e eu quero que você vá.

Ela me olhou confusa e perguntou:

– Um baile? Você quer que eu vá para o seu palácio como se eu fosse uma princesa?

Peguei na mão dela e disse:

– Estou te convidando, Maria Clara. E, se você quiser, pode convidar as suas amigas para irem também.

– Eu não sei, não, José. Talvez elas não possam ir, e eu... – ela olha para o chão um pouco desanimada. – Não me encaixo em um lugar tão elegante como o seu palácio...

– Ei, olha para mim, loirinha – pedi.

Maria Clara olha para mim e diz:

– Eu agradeço o convite, mas eu nem tenho um vestido apropriado para ir à festa, e não quero te envergonhar...

– Você jamais me envergonharia, Maria Clara – digo com sinceridade. – E, se for por causa do vestido, posso arrumar um para você que vai ficar divino.

– José, eu não quero que me reconheçam no seu palácio. Podem acabar não gostando de me ver lá – Maria Clara disse isso com uma certa tristeza no olhar. – O que eu mais temo na minha vida é que pensem errado de mim, achando que estou com você por interesse...

Beijo a testa dela com devoção e digo:

– Eles não têm motivos para pensar assim, Maria Clara. Sei que o seu amor por mim é sincero, e eu vou lutar por nós dois até o fim.

Maria Clara se levanta do tronco onde nós dois estávamos sentados, fica olhando para o nada e eu me preocupo com ela.

– Agradeço o seu convite, José – diz ela. – Sou imensamente grata por você pensar em tudo para que a gente possa ficar juntos, mas acontece que eu não posso ir ao seu palácio sabendo que não serei vista com bons olhos pelas pessoas.

Me levanto do tronco, vou até ela e digo:

– Estou do seu lado, Maria Clara, e vou provar para todo mundo que a nossa união será forte.

– Mas ela não é, José – disse Maria Clara, entristecida, ao olhar em meus olhos. – Me dói dizer isso, mas é só a verdade.

Me aproximo dela, pego em sua delicada mão e digo:

– Bom, ainda não, mas será. Por favor, tenha paciência, meu amor. Vou provar para todo mundo que você está destinada a ser a minha princesa.

Maria Clara desviou o olhar de mim e disse:

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora