O aniversário da Jenifer

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Narrado por José Fernandes:

Eu nunca havia me sentido tão bem e tão vivo pelo fato de ter conseguido fazer uma adaga pela primeira vez quando cheguei no trabalho.

Ícaro me pegou desprevenido quando disse:

– Hoje você vai fazer a sua primeira arma, José Fernandes.

Olhei para ele, me sentindo verdadeiramente desacreditado.

– Já? O senhor acha que eu vou conseguir? – perguntei tudo de uma vez, com um certo temor.

– Mas é claro que sim – afirma ele. – Disso eu não tenho dúvidas. Anda, venha comigo e vamos começar.

Segui Ícaro e começamos a fazer juntos aquela adaga que ele me auxiliava, dando dicas muito importantes sobre ela.

Primeiro de tudo, nós dois aquecemos o metal que usaríamos; depois, ele foi prensado, dobrado, martelado e mergulhado em água para poder ser moldado conforme a gente queria.

Eu sempre achei que um príncipe deveria ter alguma habilidade útil, e finalmente eu estava descobrindo a minha.

– Nossa, você é muito inteligente, pega tudo no ar! – disse Ícaro. – Estou impressionado.

Olhei para ele e perguntei:

– O senhor acha que eu posso ser um bom ferreiro?

– Você já está sendo, meu filho – diz ele com simplicidade e sinceridade na voz. – Agora, ouça: nós vamos ter que ficar aquecendo o metal com uma barra de aço até que ele possa ficar maleável, e teremos que ficar dando marteladas nele para moldar o metal e finalmente formar a lâmina, entende?

– Sim – respondo. – Entendo. Mas essa adaga já é uma encomenda, Ícaro? Ou é só um treino pra mim?

– Se você se sair bem nesse treino de hoje, logo logo você vai descobrir o que vai acontecer com ela – diz ele com um certo ar de mistério na voz.

Sorrio sem ousar fazer perguntas e digo:

– Está bem, senhor Ícaro.

Finalmente, depois de um tempo, a lâmina foi formada e ficou perfeita.

– Uau – disse ele com espanto. – A adaga ficou muito melhor do que o esperado e ficou perfeita.

Observei aquela adaga e disse, aos risos:

– Uau, nem parece que fui eu que fiz.

– A sua primeira arma ficou melhor do que a encomenda – disse ele. – Você aprende tudo muito rápido, eu na sua idade não era assim.

– Mas e aí? O que nós vamos fazer com essa adaga, Ícaro? – pergunto, com a intenção de perguntar pra ele se eu poderia levar ela para a Maria Clara ver.

– Ela é sua, José Fernandes – disse ele com um sorriso.

Olho para a adaga de novo e depois volto a olhar para ele, dizendo:

– O quê? É sério?

– É sim, a primeira arma feita é algo muito importante e especial – disse ele. – E sabe de uma coisa?

– Não – respondo. Eu não sabia para onde aquela conversa me levaria, mas eu já estava contente.

Ícaro se aproxima de mim, toca o meu ombro e diz:

– Vale a pena fazer uma coisa para que outra pessoa que a gente ame se sinta feliz. Então, eu sugiro que você pegue essa adaga e a dê de presente para alguém de quem você goste.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora