Observando o céu estrelado

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Narrado por Maria Clara:

Sabem? Eu nunca achei que reencontrar um amigo de infância fosse ser tão bom.

Eu achei que a sensação fosse ser estranha, mas nesse caso ela foi boa e revigorante.

E olha que ele e eu só brincamos juntos uma única vez.

Quando o homem que eu não conhecia se apresentou como o José que conheci um dia, quando eu fui ao vilarejo, algo dentro de mim se intensificou.

Naquele dia que eu conheci ele, a gente foi para a floresta brincar juntos, e nos divertimos muito.

E naquele mesmo dia eu já reparei na cor de pele dele.

Eu, desde sempre, achei muito linda a cor negra, porque, de alguma forma, além dela ser intensa e majestosa, parecia que ela rejuvenescia quem a tinha.

Confesso que às vezes eu gostava de fingir que eu era negra também, porque, para mim, quem ostenta essa cor tem muita sorte.

O José é muito bonito, isso não há como negar, e não há como não reparar nele.

Quando eu ajudei o José a se sentar na cama, mandei que ele esperasse enquanto ia buscar a sopa que prometi para ele.

Eu já ansiava para receber o veredito dele sobre essa sopa.

Então, quando o servi, ele deu a primeira colherada. E eu, com a minha curiosidade sem fim, perguntei:

– E aí? O que está achando?

– Hummm... – José deu mais uma colherada. – Está uma delícia, Maria Clara.

– É sério? – eu sorri.

– Sim, a sua sopa de repolho está divina. E eu até ouso dizer que ela foi a melhor sopa de repolho que já provei na minha vida – disse ele, dando mais uma colherada.

Parecia mesmo que ele estava se deliciando muito com ela.

Eu começo a rir e digo:

– Exagerado, mas obrigada!

– Mas eu não estou exagerando – disse José. – A sua sopa está maravilhosa.

– Bom, então tudo bem. Eu acredito em você.

Enquanto José comia, eu não pude deixar de dizer o que pensava sobre ele.

– A sua cor de pele é tão linda... – disse eu, acabando de dar um suspiro sem intenção.

José olhou para mim e perguntou:

– Sério? Você acha?

– Sim, e sabe? Eu acho que no fundo todo mundo acha magnífico a cor negra, porque essa cor é uma cor de pele maravilhosa, e eu não sou diferente – confessei. – Eu sempre amei muito essa cor que você ostenta. A sua pele é extraordinária.

José sorriu para mim, e foi um sorriso tão lindo.

– Obrigado, Maria Clara – disse ele.

– Me desculpa. Eu falei demais, né? Mas é que a cor negra é algo que eu gosto e admiro muito, sabe? – tento me explicar.

Eu e a minha boca grande que me entrega sempre...

José ri e diz:

– Tudo bem. Fico contente de saber que você gosta da cor da minha pele. Fico muito feliz em receber elogios assim referentes a ela.

– Sabe, José? – suspiro ao pensar um pouco. – Não gosto de saber que ainda existem pessoas que insistem em dizer que nós somos sociedades divididas pela cor.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora