Capítulo 64

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Anne passou a tarde toda em seu quarto ouvindo música. Ela estava super feliz com a reconciliação de Orlando e Johnny, só que sua felicidade só será completa quando Sophie também perdoá-lo.

Anoitece... Gisele chega ao Hotel, vai direto pro quarto tomar um banho e logo em seguida desce para jantar. Anne também desce para jantar e Gisele a convida para se sentar à mesma mesa. Gisele quis perguntar por Johnny, mas achou que não seria apropriado, então perguntou por Orlando.

- Cadê o Orlando? Vocês sempre fazem as refeições juntos.
- Tá na casa de Sophie. Acho que vai jantar por lá. Johnny foi pra casa depois do almoço. (diz Anne sabendo que Gisele tava doida pra perguntar)

Gisele apenas lhe deu um sorriso constrangido.

- Orlando e Johnny fizeram as pazes. (diz Anne)
- É mesmo? Que bom. Fico feliz, pelos dois. Não conheço muito Orlando, mas pelo pouco que conversamos deu pra perceber que ele sentia falta da amizade de John. Orlando é um bom rapaz.
- É, ele é sim. Mas nunca diga isso na frente de Sophie. (diz Anne sorrindo)
- Não, Deus me livre! (diz Gisele rindo)

Max apareceu servindo algumas mesas e Anne o chamou.

- Max, você sumiu na hora do almoço. Orlando queria te pedir desculpas, mas você não voltou. Você tá aborrecido com ele?

Antes mesmo que Max pudesse responder, o Sr. Wilkinson se aproxima da mesa.

- Boa noite! (diz Sr. Wilkinson se dirigindo a Gisele)
- Boa noite! (responde ela)

Ele nem olha pra Anne.

- Fernandez, me acompanhe até o escritório.
- Mas Sr., eu ainda nem fiz o pedido das Srtas.
- Chame outro garçom para atendê-las.
- Estão todos ocupados Sr.
- Então elas irão esperar que um se desocupe para servi-las, por que o Sr. irá me acompanhar agora mesmo.
- Pode ir Max, não se preocupe! (diz Anne)
- Não se intrometa Dawson!
- Mas eu não fiz nada.
- Calada! (diz ele por entre os dentes)

Anne revira os olhos.

- Dá licença! (diz Max pra Anne e Gisele)
- Toda. (diz Gisele)
- Max. (Anne o chama)

Ele se vira para olhá-la.

- É só gritar que eu vou correndo. (diz Anne)

Gisele deu um sorriso e Max riu com gosto. Quando se deu conta o Sr. Wilkinson o estava olhando com uma sobrancelha levantada. Na mesma hora Max conteu o riso.

- Perdão Sr.! (diz Max)

O Sr. Wilkinson olha pra Anne e diz:

- Guarde suas piadinhas para si mesma. Isso aqui não é um circo apesar da Srta. ser uma palhaça e de quinta categoria.

Anne ria da cara dele sem nenhuma cerimônia, o que o deixou mais indignado. Ele saiu batendo os calcanhares com firmeza sendo seguido por um Max completamente apavorado.

- Você o deixa fora de si. Não tem medo dele? (pergunta Gisele)
- Já tive, mas agora estou vacinada contra raiva.

Gisele balança a cabeça rindo. Outro garçom as atende. Enquanto isso já no escritório o Sr. Wilkinson se senta atrás de sua mesa todo imponente e nem se quer mandou Max se sentar. E Max é que não ia se atrever a fazer isso sem permissão. Suas pernas tremiam e suas mãos estavam geladas.

- Eu soube que o Sr. teve uma discussão com o Sr. Bloom na hora do almoço.
- Não foi uma discussão Sr., foi só...
- Não me interrompa!
- Perdão Sr.!
- Qual foi o motivo?
- É pessoal Sr.
- Quando se trata de uma discussão de um funcionário com um hospede, o motivo seja ele qual for deixa de ser pessoal e passa a ser da minha conta. Portanto vou repetir a minha pergunta, qual foi o motivo?
- A Srta. Marks. (diz Max)
- Tava demorando pra ela ser o pivô de uma discussão. (resmunga o Sr. Wilkinson)
- O que disse Sr.? (pergunta Max)
- Nada. O que a Srta. Marks tem a ver com a discussão?
- O Sr. Bloom ficou com ciúmes por que eu perguntei se ela estava bem.

O Sr. Wilkinson levantou as duas sobrancelhas não entendendo do que Max estava falando.

- Por causa do desmaio de hoje de manhã. (diz Max)
- Ah, claro. (diz Sr. Wilkinson)
- O Sr. Bloom me disse que ela enfrentou o Sr. e que me defendeu por causa do incidente de hoje de manhã.
- Marks tem essa mania de se meter aonde não é chamada tanto quanto Dawson. Não sei quem aprendeu com quem. Então quer dizer que discutiram por causa dela?
- Já disse que não foi uma discussão Sr. Mas como o Sr. soube?
- Não interessa. O que sente por ela?
- Sr.? (pergunta Max franzindo a testa numa expressão de surpresa)
- O que sente pela Srta. Marks?
- Bem, eu...
- Está apaixonado por ela, não está?
- A Srta. Marks é só minha amiga?
- Está ou não está?
- E se estiver, o que o Sr. tem a ver com isso?
- Não seja petulante Fernandez! (diz se levantando e se inclinando sobre a mesa)
- Perdão Sr., mas acho que minha vida pessoal só diz respeito a mim.
- Não quando ela se mistura a vida profissional e acaba provocando... contratempos.
- Contratempos! (diz Max)
- O Sr. está arrumando problemas com um hospede por causa de sua vida pessoal e isso não vou admitir.
- Não estou arrumando problemas com ninguém Sr.
- Está arrumando problemas sim e ainda está dando prejuízos.
- Prejuízos! Quem vai ter prejuízos sou eu que vou ter o salário descontado.
- Não me responda! Sabe que está errado!
- Mas Sr., eu sempre fui um bom funcionário. O Sr. nunca teve queixas de mim.
- Até hoje. (diz Sr. Wilkinson)
- Mas foi uma fatalidade! (diz Max super nervoso)
- Duas fatalidades no mesmo dia significam fatalidades constantes, ainda mais quando a Srta. Marks está envolvida. O Sr. está com ciúmes da Srta. Marks por ela estar namorando o Sr. Bloom, portanto as fatalidades jamais acabarão.
- O que o Sr. quer dizer com isso? (pergunta Max)
- Quero dizer que fatalidades me aborrecem Sr. Fernandez e não gosto de aborrecimentos.
- Não estou entendendo Sr.
- Ok, serei mais específico! O Sr. está demitido!
- O quê! O Sr. não pode...
- É claro que eu posso. Vá até o departamento pessoal assinar sua demissão. Não se preocupe que todos os seus direitos trabalhistas serão pagos.
- Mas Sr., eu trabalho aqui há oito anos. Eu preciso desse emprego. (diz Max tentando controlar as lágrimas)
- O Sr. é inteligente, tem boa aparência, logo, logo arrumará outro emprego. Agora saia daqui e não precisa voltar pro restaurante.
- Mas Sr. ...
- Ficou surdo Fernandez? Saia daqui agora! Ou prefere que eu chame os seguranças?

Max saiu do escritório e não conseguiu mais segurar as lágrimas.

- Apaixonado pela Marks, quem diria! Um a menos no meu caminho. Foi mais fácil do que eu pensava. Agora só falta o Sr. Bloom. (diz recostado na cadeira e brincando com um lápis passando entre os dedos da mão direita)
- Eu to preocupada com o Max. (diz Anne pra Gisele)
- O que acha que seu tutor quer com ele?
- Coisa boa é que não deve ser. Vou até lá ver o que está acontecendo. Eu não demoro.
- Ok. (diz Gisele)

Quando Anne aparece no corredor do escritório, vê Max encostado na parede chorando.

- Max, o que houve? (pergunta se aproximando)
- Nada. (diz secando as lágrimas)
- Como nada? Você está chorando.
- Estou com dor de cabeça. (diz ele)
- Pensa que vou cair nessa? Max, eu sou sua amiga. O que aquele monstro te fez?
- Ele me demitiu Anne. (diz chorando novamente)
- O quê! Por quê?
- Pelo que aconteceu hoje. (diz ele)
- Mas foi um acidente. (diz ela)
- Não foi só por isso. Ele soube do meu pequeno desentendimento com o Sr. Bloom por causa de Sophie. O mais estranho foi o interesse dele em querer saber o que eu sinto por ela.
- Tá explicado! (diz Anne)
- Como assim? (pergunta Max)
- Você disse pra ele que está apaixonado por Sophie?
- Não com todas as palavras, mas ele entendeu.
- Ele não demitiu você pelo acidente de hoje de manhã e muito menos pelo desentendimento com Orlando, quer dizer... o desentendimento ajudou um pouco por que envolveu Sophie.
- Não estou entendendo. (diz Max)
- Max, parece que ele está apaixonado por Sophie. Na verdade eu acho que ele só quer brincar com os sentimentos dela. independente se os sentimentos dele são verdadeiros ou não, o que ele está querendo é tirar todos que estejam apaixonados por Sophie do caminho dele. E é o que ele está fazendo com você. Orlando que se cuide, tenho certeza que ele vai pegar pesado.
- Meu Deus Anne! Isso tudo é absurdo demais! Como ele pode estar apaixonado por ela? Ele a odeia!
- Pois é. É por isso que eu penso que os sentimentos dele não são sinceros.
- Então ele é pior do que eu pensava. (diz Max)
- Põe pior nisso. Mas isso não vai ficar assim.
- O que você vai fazer Anne?
- Vou falar com ele. Vou exigir que o readmita.
- Não Anne. Não faz isso.
- Por que não?
- Não pode se meter em problemas com ele por minha causa.
- Você é meu amigo e eu faço qualquer coisa por um amigo. Não me importa as conseqüências.
- Mas eu me importo. Vou me sentir culpado se ele lhe fizer mal.
- Nada do que você diga vai me fazer desistir de falar com ele.
- Anne, não, por favor!
- Me espera lá no saguão. Eu não demoro.
- Anne...
- Vai Max.
- Tudo bem. (diz ele)

Max se retira e Anne bate à porta do escritório.

- Quem é?
- Anne.
- Vá embora Dawson, estou ocupado!

Anne abre aporta e entra sem permissão.

- Por que sempre faz o contrário do que eu mando?
- Por que o Sr. demitiu o Max?
- Tava demorando. Não é da sua conta. (diz levantando as duas sobrancelhas)
- É claro que é. Ele é meu amigo.
- Mais uma defensora dos fracos e oprimidos. Já não basta Marks para defendê-lo?
- Foi por causa dela, não foi? (pergunta Anne)
- O quê!
- O Sr. demitiu o Max por que soube que ele está apaixonado por Sophie.
- Não diga absurdos Dawson!
- Sabe que não são absurdos. Por que nuca admite nada?
- Ok e se foi por isso? Vai fazer o quê?
- O Sr. está sendo injusto. Max é um ótimo funcionário. O Sr. não pode demiti-lo por assuntos pessoais.
- Mas ele começou a trazer problemas para o Hotel justamente por causa da vida pessoal. Ele tem que saber separar as coisas.
- E o Sr.? por acaso está separando? Não, não está.
- E o que a Srta. me sugere?
- Que o readmita.

O Sr. Wilkinson dá uma gargalhada.

- Qual é a graça?
- Não, não, não... veja bem, ouça com atenção. (diz ele se aproximando de Anne e pondo a mão sobre o ombro dela)
- O que a faz pensar que eu farei o que está me pedindo?
- Tire sua mão de cima de mim. (diz ela empurrando a mão dele)
- Eu exijo que o readmita!
- Ainda não se deu conta de que não tem o poder para exigir nada? Não se meta no meu trabalho!
- O Sr. está sendo cruel!
- Agora foi que percebeu? (pergunta ele sarcástico)
- O que o Sr. quer que eu faça para readmiti-lo? Eu faço, peça, peça o que quiser, eu juro que faço.
- Meu Deus! quanta lealdade para com um garçonzinho.
- Ele não é um garçonzinho, é o melhor garçom deste Hotel e é meu amigo.
- Deveria selecionar melhor suas amizades Dawson.
- Eu não estou nem aí pra classe social, raça ou religião das pessoas, não sou preconceituosa como o Sr., eu me importo com o que as pessoas são por dentro e não com o que elas são por fora ou o que podem oferecer.
- To impressionado! (diz ele batendo palmas)
- Já acabou com o discurso moralista? (pergunta ele)
- Já. Então, vamos ou não entrar num acordo? Peça o que quiser.
- Tentador! Mas não, não vou lhe pedir nada. Não há acordo. Agora saia daqui.
- Por favor! Não faz isso com ele. Não tem compaixão? O que o Sr. tem no lugar do coração? ME DIGA! Por que com certeza não é um coração que carrega no peito. (diz ela chorando)
- Já chega! (diz ele)

O Sr. Wilkinson vai até ela e a pega com força pelo braço e a põe pra fora do escritório.

Anne vai até o saguão chorando, se aproxima de Max e o abraça.

- Me desculpe! Eu tentei, juro que tentei!
- Não peça desculpas. Você e Sophie são as melhores amigas do mundo. Obrigado por tudo! Não chora, eu vou ficar bem.
- Eu não posso deixar que ele vença. (diz Anne chorando)
- Tá tudo bem Anne, deixa pra lá. Agora eu preciso ir.
- Aonde você vai?
- Ao departamento pessoal acertar minha demissão e depois vou pra casa. Eu só não sei o que eu vou dizer aos meus pais por que eu os ajudo com o salário que ganho aqui. Minha mãe é costureira e meu pai é aposentado. Preciso arrumar outro emprego o mais rápido possível.
- Pôxa Max! Me perdoa por não ter conseguido te ajudar.
- Já disse que não precisa se desculpar. Eu juro que vai ficar tudo bem.

Max lhe dá outro abraço e um beijo na testa e se retira. Anne volta para o restaurante desolada.

- O que houve Anne? (pergunta Gisele)
- Aquele desgraçado! Ele demitiu o Max. (diz chorando novamente)
- Por quê?
- É uma longa história Gisele e tem a ver com Sophie. Se eu te contar Sophie vai ficar furiosa comigo.
- Tudo bem, não precisa contar.
- Eu to me sentindo tão impotente. Não pude fazer nada por ele. Eu tentei, mas aquele miserável tá irredutível.
- Sinto muito! (diz Gisele)

Depois do jantar Gisele e Anne vão para seus respectivos quartos.

Na casa de Sophie , Orlando se despede dela e de Susan e volta pro Hotel. Quando Orlando estava passando pelo saguão dá de cara com Max.

- Max, eu quero te pedir desculpas!
- Tá tudo bem Sr. Bloom. Eu também peço desculpas. Eu realmente fui atrevido com o Sr., eu deveria ter me colocado no meu lugar.
- Ei, não diga isso! Eu não sou melhor do que você em nada, está me ouvindo? Você tem qualidades que eu gostaria de ter. (diz Orlando)
- Obrigado!
- Vamos esquecer o que aconteceu? (pergunta Orlando estendendo a mão)
- Por mim já está esquecido. (diz Max apertando a mão de Orlando)
- Você viu Anne por aí? (pergunta Orlando)
- Eu falei com ela há uns minutos atrás, mas acho que já deve ter ido pro quarto.
- Valeu. Boa noite! (diz Orlando)
- Boa noite!

Orlando vai até o quarto de Anne e Max sai do Hotel.

- Você já tava dormindo?
- Não. Entra. (diz Anne)

Orlando entra e se senta.

- Eu acabei de falar com Max e pedi desculpas.
- Que bom. Como ele estava?
- Como assim?
- Emocionalmente. (diz Anne)
- Bem, eu acho. Por quê?
- Ele não te contou?
- Não me contou o quê?
- Max foi demitido.
- O quê! Quem o demitiu?
- Advinha!
- Não acredito! Não vá me dizer que foi por causa do incidente de hoje de manhã?
- Digamos que serviu como pretexto. 
- Pretexto?
- A verdade é que o Sr. Wilkinson soube do desentendimento de vocês na hora do almoço e o pior, soube que foi por causa de Sophie. Ele descobriu que Max está apaixonado por Sophie e esse foi o principal motivo para demiti-lo.
- Você tá brincando né?
- Bem que eu queria que fosse brincadeira, mas infelizmente não é. Eu fui falar com o crápula, eu implorei pra ele readmitir o Max, mas não teve jeito. E o pior é que Max precisa desse emprego. Ele ajuda os pais dele com o salário que ganha aqui.
- Por que ele não me contou?
- Eu não sei. Dever ter ficado envergonhado ou talvez não quisesse que você se sentisse culpado.
- O pior é que estou me sentindo culpado. Aquele desentendimento foi tão desnecessário, eu que comecei. Que merda! Eu to sempre causando algo de ruim na vida das pessoas que me cercam.
- Não é verdade. (diz Anne)
- É sim. Me sinto culpado pelo que aconteceu a você e ao Johnny e agora o Max. Temo por Sophie.
- Por quê?
- Essa obsessão que esse miserável tem por ela, ele vai tentar nos separar e eu temo que aconteça algo de ruim com ela, não quero que ela sofra. Mas eu sei como evitar que isso aconteça.
- Como? (pergunta Anne)
- Terminando tudo com ela. Assim ele não vai ter mais ninguém no caminho dele e conseqüentemente não fará mal a ela.
- Não Orlando. Você não pode fazer isso. Não desista dela, por favor! Não permita que ele vença mais essa. E você tá errado. Com o caminho livre, ele vai se aproximar dela e vai fazê-la sofrer. Você não pode deixar que isso aconteça.
- Tem razão! Eu nem sei por que passou essa idéia estúpida pela minha cabeça. Não posso deixá-lo vencer. Ele nunca a terá.
- Assim é que se fala. Sophie precisa de você.
- E eu preciso dela. Eu sinto muito pelo Max! Tem certeza que não há nada que possa fazer para ajudá-lo?
- Tenho. não sabe como isso tá me deixando angustiada.
- A mim também. Bem... agora é melhor eu ir pro meu quarto. Vou deixar você dormir.

Orlando se levanta e dá um beijo no rosto de Anne.

- Boa noite! (diz ele)
- Boa noite! Não vou conseguir dormir, portanto acho que não será uma noite tão boa assim.
- Eu que o diga que to me sentindo culpado.

Orlando sai do quarto de Anne e vai pro dele. Anne pega o celular e fica pensando se liga ou não pra Sophie pra contar o que aconteceu.

- Droga! Ela tem que saber.

Anne liga direto pro celular de Sophie.

- Oi Anne. O que houve pra você me ligar a essa hora? Você está bem? É alguma coisa com Orlando? Ele chegou bem, não chegou?
- Calma Sophie! Eu e Orlando estamos bem.
- Que bom. Então é saudades mesmo, não é? Confessa que não vive sem mim! (diz Sophie rindo)
- É claro que não vivo sem você. (diz Anne)
- O que houve? Você tá com a voz triste. Eu te conheço Anne.
- É o Max. (diz Anne)
- Eu sabia que era alguma coisa. O que aconteceu com ele?
- Foi demitido.
- O quê! Como assim demitido? Por quê?
- O monstro do meu tutor demitiu o Max pelo simples fato de saber que ele está apaixonado por você e colocou o incidente de hoje de manhã e o desentendimento com Orlando na hora do almoço como desculpa.
- Que desentendimento com Orlando?
- Não foi nada tão sério. Orlando já pediu desculpas pro Max.
- Que desentendimento Anne?
- Coisa boba, ciúmes dos dois por você. Mas eu juro que não foi sério.
- Como não foi sério, se causou a demissão do Max!
- Não Sophie, o que causou a demissão do Max foi o fato dele estar apaixonado por você. E aquele monstro não quer ninguém no caminho dele.
- Maldito! Ele não pode fazer isso com o Max.
- Mas fez. E eu tentei interceder pelo Max, mas dessa vez não teve jeito. O miserável venceu.
- Não venceu não. (diz Sophie)
- Como assim Sophie?
- Foi por minha causa que Max foi demitido e eu vou resolver isso.
- O que você vai fazer?
- Eu vou até aí falar com o traste.
- Você disse que nunca mais pisava aqui, que não queria mais vê-lo.
- Juro que será só desta vez, pelo Max.
- Não faz isso Sophie. Não vai adiantar enfrentá-lo.
- Isso é o que nós vamos ver. (diz Sophie)
- Nada do que eu disser vai fazer você mudar de idéia, não é?
- Não Anne.
- Ok, então até amanhã! (diz Anne)
- Quem falou em amanhã? Eu vou aí agora!
- O quê! Sophie, já é quase meia noite.
- Nem que fosse três da madrugada! (diz Sophie)
- O que você vai dizer a Susan?
- A verdade. Que vou tentar ajudar um amigo.
- Acha que ela vai deixar você vir?
- Tem que deixar. Um amigo está precisando da minha ajuda. Eu só te peço uma coisa Anne, aliás, peço não, eu quero que você jure!
- Jurar?
- Sim. Jurar que não vai dizer pro Orlando que estou indo aí. Senão ele vai tentar me impedir de falar com seu tutor. Eu prometi pro Orlando que nunca mais ia me aproximar dele. Depois eu mesma conto. Você jura!
- Juro!
- Daqui a pouco eu chego aí. Um beijo!
- Outro!

Anne desliga o celular e diz:

- Já me arrependi de ter ligado. Isso não vai dar certo.

Sophie fala com Susan que apesar de achar um absurdo a idéia da filha de querer enfrentar a fera, ele permite que Sophie vá com a condição de que ela a acompanhe. Meia hora depois Sophie e Susan chegam ao Hotel.

- Mãe, eu quero falar com ele a sós. Me espera no quarto de Anne.
- Não Sophie...
- Mãe, por favor!
- Sophie, não vou deixá-la a sós com esse monstro.
- Eu sei como lhe dar com ele. (diz Sophie)
- Você vai é irritá-lo e eu tenho medo por você meu amor.
- Não se preocupe mãe! Não vai me acontecer nada, eu juro! Por favor!
- Tudo bem, mas toma cuidado, pelo amor de Deus!
- Eu prometo que vou tomar cuidado!

Susan dá um beijo na testa da filha e sobe pro quarto de Anne que ficou super feliz em vê-la.
Sophie vai até o escritório do Sr. Wilkinson que já estava do lado de fora trancando a porta.

- Nem se dê ao trabalho de trancá-la. (diz Sophie se aproximando)
- Ah não, era só o que me faltava! Outra! (diz ele com cara de desgosto)
- Se veio interceder pelo garçonzinho pode ir dando meia volta. (diz ele levantando as duas sobrancelhas)
- Acertou na mosca! (diz Sophie)
- A Srta. não disse que nunca mais pisava aqui?
- Estou fazendo esse sacrifício por um amigo.
- Pois eu acho é que a Srta. ficou com saudades de mim. (diz ele com um sorriso sarcástico)

Sophie dá uma risada irônica.

- Não seja pretensioso! Então, vamos conversar no meio do corredor?
- Não, de maneira nenhuma.

Ele abre a porta e a manda entrar.

- Por favor Srta., fique a vontade! (diz ele com sarcasmo)

Sophie entra e ele entra logo em seguida e fecha a porta. O que Sophie não percebeu foi que ele trancou a porta à chave.

- Sente-se!
- Não quero. O que tenho pra dizer será rápido.
- Vai me propor algum acordo como a sua amiguinha?
- Anne?
- A Srta. tem outra?

Sophie o encara bem séria. Ele estava com um sorriso debochado que a estava irritando.

- Que acordo Anne lhe propôs?
- Não foi exatamente um acordo, ela simplesmente me disse que faria qualquer coisa pro Fernandez ser readmitido, era só eu pedir. Foi tentador, eu juro, mas eu não aceitei. Talvez se Srta. me disser a mesma coisa, quem sabe o seu amiguinho não volta a trabalhar aqui!
- Abusado!
- Então diga logo o que quer. (diz ele)
- Eu quero que o Sr. readmita o Max.
- Sem ter nada em troca? (pergunta ele)
- Como ousa! (diz Sophie)
- Eu não disse nada demais. Apenas que queria algo em troca, esse “algo” pode ser qualquer coisa. A Srta. é que tá pensando besteiras.
- Não estou pensando nenhuma besteira. Vai readmiti-lo ou não?
- É claro que não.
- Por que o puniu por minha causa?
- Não foi por causa da Srta. O Sr. Fernandez estava começando a dar prejuízos.
- Não é verdade. O Sr. fez isso por que descobriu que ele está apaixonado por mim.
- Agora a Srta. é que está sendo pretensiosa! Eu não estou nem aí pra quem se apaixona ou deixa de se apaixonar pela Srta.
- Tudo bem então. Eu sei que não vou gostar de ouvir a resposta, mas vou me arriscar a fazer a mesma pergunta que Anne. O que o Sr. quer para readmitir o Max?
- Olha só, finalmente uma pergunta interessante! (diz ele)
- Mas quando Anne a fez o Sr. não achou interessante.
- Por que foi feita pela pessoa errada. (diz ele)
- Diga logo, o que quer em troca?
- Calma! Essa é uma pergunta que requer muita concentração para dar a resposta correta! Vejamos!

Ele se aproxima dela e a fica olhando.

- Por que está me olhando desse jeito? (pergunta ela com o coração acelerado)
- Eu já sei o que eu quero.
- Então diga de uma vez!
- Que a Srta. termine o namoro com o Sr. Bloom.
- O quê!
- Se fizer isso o Sr. Fernandez será readmitido. Eu juro!
- Ficou louco! Não farei isso!
- Então o seu amiguinho ficará sem emprego.
- Isso é chantagem! (diz ela)
- A Srta. não quis arriscar? Então!
- O Sr. é desprezível!
- É isso ou nada Srta.!
- Eu não acredito que esteja falando sério. (diz ela)
- Veja pelo lado bom, o quanto antes terminar esse namoro melhor, por que aí a Srta. não fará o Sr. Bloom ficar perdendo tempo.
- Por que faz isso? (pergunta ela com os olhos cheios de lágrimas)
- Isso o quê?
- Por que não pode uma vez na vida agir com o coração? (pergunta ela já com lágrimas rolando em seu rosto)
- Por que de acordo com sua amiguinha eu não tenho um. Como eu poderia agir com uma coisa da qual não possuo?
- Eu estou falando sério. (diz ela)
- Eu também.
- Cínico!
- Vou entender como um elogio. Se não vamos entrar num acordo, acho melhor a Srta. ir embora.
- Por favor! Faz isso por mim! (diz ela)
- Está me implorando Srta.?
- Estou. (diz ela)
- E por que eu faria isso pela Srta. se não vai me dar nada em troca?
- Por que tem sempre que receber algo em troca? (pergunta ela)
- Por que a vida é assim minha querida.
- Se é assim que o Sr. ver a vida, que tal um novo acordo?
- Depende do que a Srta. tem a me propor.
- E se eu desistir da idéia de nunca mais pisar aqui no Hotel?

O Sr. Wilkinson dá uma boa gargalhada.

- Do que está rindo seu idiota?
- Eu realmente to começando a achar que a Srta. é muito inocente. O que acabou de me propor não chega nem perto do eu quero.
- E se eu acrescentar mais uma coisa a minha proposta? (pergunta ela)
- Se for algo tão estúpido quanto o que...
- Um beijo! (diz Sophie o interrompendo)
- O que disse?
- Isso mesmo que o Sr. ouviu, um beijo!
- Muito bem, tá começando a esquentar. (diz ele)
- Não aceita? (pergunta ela)
- A Srta. continuar freqüentando o Hotel e apenas um beijo ainda é pouco. O que mais tem a me oferecer?
- O que está insinuando? Eu não sou uma prostituta!
- Não estou insinuando nada. Eu já disse e repito, a Srta. é que está pensando besteiras.
- Se não é o que estou pensando, então o que é?
- Termine o namoro com o Sr. Bloom, eu já disse!
- Não!
- Então saia daqui!
- Não. O Sr. tem que readmitir o Max.
- A Srta. e Dawson são iguaiszinhas, até parece mesmo que são irmãs. São teimosas, atrevidas e insuportáveis!
- Por que não se conforma apenas com o beijo? (pergunta ela)
- A Srta. deve estar louca pra me beijar, não é? Senão, não estaria insistindo.
- É apenas mais um sacrifício por um amigo.
- Claro. Quer dizer que não se importa em trair o seu namoradinho pra ajudar um amigo? O que o Sr. Bloom dirá se souber?
- Só vai saber se o Sr. contar.
- Ora, ora, ora... acho que me enganei. A Srta. não é tão inocente quanto pensei.
- Quer saber, tudo isso é absurdo demais! Max que me perdoe, mas eu não posso fazer isso com Orlando. O Sr. venceu! Não vou fazer nenhum acordo sórdido com o Sr.!
- Está desistindo justo agora que pensei em aceitar? (pergunta ele)
- Sim.
- Então como eu disse seu amiguinho ficará sem emprego.
- Ficará sem emprego neste Hotel, mas com certeza conseguirá em outro.
- Eu não teria tanta certeza assim. (diz ele)
- Por que diz isso?
- Se eu quiser posso ligar pra todos os Hotéis da cidade e dizer que o Fernandez é um péssimo funcionário, só dá prejuízos e arruma briga com os hospedes. Eu tenho muita influência, com certeza me darão ouvidos.
- Canalha! Não pode fazer isso, sabe que não é verdade!
- Então me dê o beijo que propôs.
- Não. (diz ela chorando)
- Mas agora eu quero esse beijo! (diz ele)
- Mas não terá!

Sophie vai até a porta e quando vai abri-la percebe que está trancada.

- Por que trancou a porta?
- Tranquei? Sabe que nem percebi.
- Abra a porta!
- Só se me der o beijo.
- Me deixe sair! (diz ela forçando a fechadura)

O Sr. Wilkinson vai até Sophie e a puxa pelo braço virando-a de frente pra si e a encosta com força contra a porta.

- O que está fazendo? Me deixe sair!

Ele pressiona seu corpo contra o dela e a beija a força. Ela resiste desviando o rosto, mas ele a segura na nuca e continua forçando o beijo. Depois de muito resistir, Sophie se deixa levar pelo desejo e se permite ser beijada. Eles se beijavam com euforia como se isso nunca tivesse acontecido. O tesão estava tomando conta dos dois. Sophie tira o paletó dele e o joga no chão e começa a afrouxar a gravata. Com a gravata já no chão também, ela começa a desabotoar a camisa dele. Com a camisa aberta Sophie começa a deslizar suas mãos no corpo dele ainda o beijando. Ele interrompe o beijo e tira o vestido dela deixando-a de calcinha e sutiã. Eles começam a se beijar novamente e Sophie o guia até o sofá fazendo-o se sentar e se senta sobre ele. Ela deslizava seus dedos dentro dos cabelos dele enquanto se beijavam. Ele abre o sutiã dela e a deixa com os seios à mostra. Ela se encosta no corpo dele com seus seios nus e ele fica beijando-a no pescoço. Ela se desencosta dele e ele começa a sugar-lhe um seio fazendo-a gemer. Ainda sentada sobre ele, ela sente a ereção dele pressionando seu sexo. Sua calcinha já estava completamente molhada. Apesar da enorme vontade de se entregar a ele, Sophie começa a perceber a loucura que estava fazendo e se sentiu culpada por causa de Orlando.

- Para! Por favor, para! (diz ela)

Ele para de beijar o seio dela e a olha. Sophie esconde seus seios com os braço.

- Eu não posso, eu não posso! Me perdoa! (diz ela chorando)

Ele tira a camisa e a envolve em Sophie.

- Shhh... não chora. Vem cá. (diz ele a abraçando e acariciando os cabelos dela)

Sophie não conseguia parar de chorar com o rosto escondido no pescoço dele.

- Não fica assim que eu me sinto culpado. Meu Deus, a Srta. é só uma menina.
- Eu to agindo como uma qualquer, não to?
- Não diga isso! (diz ele olhando-a nos olhos)
- Eu é que não presto como a Srta. mesma diz.

Ele a tira de cima de si e se levanta. Ele pega o sutiã e o vestido dela do chão e os entrega a ela.

- Eu vou ficar de costas para a Srta. poder se vestir.

Sophie tava pasma com a atitude dele. Ela se levanta, tira a camisa dele, põe o sutiã e em seguida o vestido.

- Pronto. (diz ela)

Ele se vira para olhá-la e diz:

- O Sr. Fernandez está readmitido e quero que saiba que não foi pelos beijos e cariciais. Não é mais um acordo, estou agindo como a Srta. me pediu, com o coração. Se é que eu tenho um.

Sophie não conseguiu dizer nada, estava impressionada com a atitude dele.

Ele vai até a porta e a destranca.

- Vá embora!

Sophie continua parada o olhando.

- Vá embora, eu já disse! Por favor!
- Tudo bem, eu vou.

Ele se afasta da porta e dá as costas a ela.

- Eu quero que cumpra o que disse. (diz ele)
- A que se refere? (pergunta ela)

Ainda de costas ele diz:

- Não volte mais a este Hotel! Não quero mais vê-la!

Os olhos de Sophie se encheram de lágrimas novamente.

- Tá querendo dizer que tá desistindo de mim? (pergunta ela chorando)
- Estou.
- Assim tão fácil?

Ele se vira para encará-la e Sophie fica surpresa ao ver lágrimas no rosto dele.

- Quem disse que tá sendo fácil? Eu praticamente estou arrancando meu coração com as próprias mãos. (diz ele com a voz embargada)

Sophie apenas o olhava sem saber o que dizer.

- Deveria estar feliz Srta. Não é isso que a Srta. quer? Que eu não interfira mais em seu namoro? Que a deixe em paz? De que adianta eu me esforçar para acabar com seu namoro, se a Srta. nunca será minha?
- Agora o Sr. é que está sendo um tolo e não sabe o que diz.
- Saia daqui, por favor! E não volte mais. (diz ele dando as costas a ela novamente)

Sophie se aproxima dele e o toca no ombro.

- Não me toque! Saia, não quero colocá-la pra fora a força.

Sophie abaixa a mão e diz chorando:

- Adeus!
- Cumpra esse adeus. Já é o segundo que me dá, não quero ouvir um terceiro. (diz ainda de costas)
- Não ouvirá.

Sophie sai do escritório e desaba em choro. Ela dá alguns passos pelo corredor e depois para, se encosta na parede e desliza até o chão. Ela fica sentada abraçada aos joelhos aos prantos.

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