Capítulo 35

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Orlando cai no chão. Johnny não satisfeito vai pra cima dele e o pega pelo colarinho o erguendo e jogando-o contra a parede.
Orlando se defende lhe dando um soco no estômago.
Johnny cai de joelhos com a mão na barriga. Orlando passa a mão na boca limpando o sangue.
Anne estava aos prantos gritando pra eles pararem.
Johnny se levanta, o pega pela cintura e o empurra pra cima de uma mesinha. Os dois caem no chão aos socos e pontapés.
Anne resolveu interferir. Ela foi até eles e ficou puxando Johnny pelo braço.

- Parem! Pelo amor de Deus, parem! (diz ela chorando)

Ela puxa Johnny pelo braço fazendo-o finalmente parar e se levantar deixando Orlando caído com o rosto todo machucado. Johnny também estava muito machucado e com muita dor no estômago.
Orlando se levanta e fica encarando Johnny.

- Obrigado pelo excelente Natal! (diz Orlando chorando)
- Você deve desculpas à Anne. (diz Johnny com a mão na barriga fazendo cara de que estava sentindo dor)
- Eu não devo desculpas a ninguém. Eu quero que vocês dois saiam daqui agora.
- Nós vamos, mas eu quero que saiba que você foi longe demais. Anne não mereceu o que você fez. A única que não tem culpa de nada aqui é ela.
- Deixa pra lá Johnny. Vamos embora. (diz Anne)

Anne e Johnny saem do quarto. Orlando se senta na cama e continua chorando.
Já era 18:30. Anne ajuda Johnny a ir pro quarto dele. Ele se senta no sofá apoiando a cabeça no encosto.
- Anne é melhor você ir pro seu quarto antes que seu tutor chegue. Se é que já não chegou.
- Não Johnny, eu não vou. Eu quero cuidar de você. Será que não é melhor você ir ao hospital?
- Não.
- Então me deixe cuidar de você!
- Eu deixo. Só não quero que se prejudique com seu tutor.
- Eu quero que ele se dane. Não to nem aí. Você tem uma maletinha de primeiros socorros? Porque se não tiver eu posso pegar a minha.
- Tenho. Está no armário do banheiro.
- Eu vou buscar. Nossa... por minha causa você se instalou aqui como se fosse a sua casa, né?

Johnny apenas deu um meio sorriso. Anne volta com a maletinha e se senta ao lado dele. Ela pega uma gaze e molha na água oxigenada e começa a limpar o sangue que estava no nariz dele e na boca.
O canto do olho dele havia ficado um pouco roxo, além de um pequeno corte por causa do primeiro soco que Orlando deu.

- Meu Deus, você está tão machucado!
- É, mas o que me conforta é que ele também está. (diz ele)
- Eu sei que não está falando isso de coração. (diz Anne)

Johnny começa a chorar e Anne o abraça.

- Não fica assim.
- Você deve tá me achando um idiota por chorar tanto, não é?
- Claro que não. Só porque é homem não quer dizer que não possa chorar. Você é um ser humano e tem sentimentos como todo mundo. Quer dizer... quase todo mundo porque meu tutor não tem uma gota de sentimentos. Afinal e contas ele é um crocodilo velho como diz Sophie. (diz Anne fazendo Johnny rir)
- Ai... (geme ele de dor pondo a mão na barriga ainda rindo)
- Me desculpe ter feito você rir. Está doendo muito, não é?
- Não tanto quanto a dor que eu estou sentindo aqui. (diz ele levando a mão ao coração)

A amargura e a tristeza se abateu do rosto dele novamente.

- Eu sei o que está sentindo porque eu sinto o mesmo. (diz Anne)
- Você está sentindo a falta dela, não é? (pergunta Johnny)
- Eu sei que faz menos de 24 horas que tudo aconteceu, mas parece que foram meses por causa da tristeza que estou sentindo. E agora o Orlando. Nem ele, nem Sophie mereciam tudo isso.
- Nós também não Anne. Sophie realmente não mereceu, já Orlando... não sei porque você o defende depois do que te fez.
- Eu já disse que não o estou defendendo. Eu apenas tento entender que ele só fez isso porque está magoado.
- Não me importa o motivo. Ele pode até me odiar, mas não devia ter tratado você daquele jeito.
- Vamos tentar esquecer Johnny.
- Não dá. Se ele não pode me perdoar, eu também não o perdôo.
- Você viu a mala em cima da cama? (pergunta Anne)
- Vi.
- Ele vai embora. (diz ela)
- Vai ser melhor assim. (diz ele)
- Jura que você pensa isso mesmo? (pergunta ela)

Johnny não responde nada.

- Eu quero me deitar.
- Eu te ajudo a ir até a cama.

Ela segura no braço dele e o ajuda a se levantar. Ele dá um gemido de dor levando a mão à barriga.

- Meu Deus Johnny! Será que você não quebrou nenhuma costela?
- Não.
- Como você sabe?
- Eu não sei.
- Então é melhor você ir ao hospital.
- Eu já disse que não quero. Só quero me deitar um pouco.
- Me desculpe! (diz ela)
- Perdão meu amor! Não queria falar assim com você. (diz ele)
- Tudo bem. (diz ela dando um beijo no rosto dele)

Anne o ajuda a deitar. Ela sobe na cama, levanta a camisa dele e começa a passar a mão nas costelas pra ver se ele sentia dor.

- Dói aqui?
- Não.
- E aqui?
- Não. Tá doendo mesmo é no estômago.
- Bem... eu não sou médica mas aparentemente você não tem nada quebrado. Você devia pelo menos tomar um remédio pra dor.
- Mas eu não tenho nenhum aqui.
- Será que aquele tipo de comprimido que eu trouxe pra você serve pra esse tipo de dor?
- Não sei, mas não custa nada tomar. Você se importaria de me trazer outro?
- Claro que não meu amor. Eu já volto. (ela dá um beijo na testa dele e sai)

Orlando estava na frente do espelho no banheiro fazendo seus curativos.
Ele troca a camisa que estava suja de sangue, pega sua mala e vai até a recepção pra fechar sua conta e de lá ir embora. O recepcionista o olha assustado e pergunta:

- Meu Deus Sr. o que aconteceu?
- Não é da sua conta.
- Perdão Sr. (diz o recepcionista)

Orlando além de pagar a conta, paga também os prejuízos que ele causou quebrando os objetos do quarto. Ele pede para o recepcionista mandar uma faxineira limpar o lugar.
Anne volta ao quarto de Johnny com o comprimido. Ela o ajuda a se sentar e lhe entrega o comprimido e um copo com água. Depois ele torna a se deitar.

- Johnny já são 19:00 horas. Você não quer jantar?
- Não. Estou sem fome. Mas se você quiser comer, pode ir. Eu ficarei bem.
- De jeito nenhum. Não vou deixar você sozinho. E se eu for comer eu posso pedir pro Max trazer meu jantar pra cá.
- Meu amor, eu não acho apropriado que fique aqui.
- Eu sei. Mas não quero deixá-lo sozinho.
- Eu juro que vou ficar bem. Pode ir tranquila. Qualquer coisa eu grito socorro. (diz ele dando um pequeno sorriso)
- Tem certeza?
- Tenho. Pode ir.
- Tudo bem. Mas depois eu dou um jeito de voltar.

Anne o beija e sai do quarto.
Lá no saguão o Sr. Wilkinson chega e vê Orlando com o rosto machucado e se aproxima dele. Não deixando de notar a mala também.

- Sr. Bloom.
- Sim.
- O Sr. está deixando o Hotel?
- Estou.
- O Sr. Depp também?
- Não Sr.
- Perdoe a minha indiscrição mas... o que aconteceu com seu rosto?

Nesse momento Anne estava descendo as escadarias pra ir até o restaurante pra jantar e vê Orlando com seu tutor. Ela fica parada olhando os dois, meio apreensiva. Orlando a olha e diz pro Sr. Wilkinson:

- Pergunte a ela. (diz Orlando indicando com a cabeça)

O Sr. Wilkinson olha pra trás para ver a quem Orlando se referia.

- Dawson?

Anne se aproxima surpresa com o que Orlando acabara de dizer.
- O que Dawson tem haver com seus machucados?
- Já disse pro Sr. perguntar pra ela.
- Dawson...

Anne olha pro seu tutor sem saber o que dizer.

- Eu não sei de nada Sr.
- Ah vamos lá Anne. Vai mentir mais uma vez pro seu tutor?
- Orlando... não sei do que está falando. (diz ela super nervosa)
- Ok então. Acho melhor eu mesmo contar.
- Contar o que Sr. Bloom? Dawson o que está acontecendo?
- Orlando... por favor! (diz Anne balançando a cabeça negativamente pra ele não contar nada)
- Sr. eu não sou o único que está machucado.
- E quem é o outro ou outra?
- É o Johnny. (diz ele)
- O Sr. Depp?
- Sim.
- Como isso aconteceu? Se puder me contar, é claro.
- Nós dois brigamos.
- Os Srs. Brigaram?
- Sim. Quer saber o motivo?
- Como eu já disse, se puder me contar.

Anne estava com o coração quase saindo pela boca, estava gelada e suas pernas tremiam, parecia que ela iria cair a qualquer momento, mas tentou se manter firme.

- Nós brigamos por causa... dela.

Anne fica pasma e leva a mão à boca.

- Meu Deus! (diz ela não conseguindo conter as lágrimas)
- O que a Srta. Dawson tem a ver com isso? Não estou entendendo Sr. Bloom, dá pro Sr. ser mais específico?
- Orlando... (diz ela com a voz baixa)
- Não o interrompa Dawson. Agora mais do que nunca eu quero saber o que a Srta. tem a ver com tudo isso. Diga logo Sr. Bloom. Por que brigaram por causa dela?
- Por que nós dois estamos...
- Orlando... por favor! (implora Anne chorando)
- Já disse pra não o interromper Dawson!
- Porque nós dois estamos apaixonados por ela.
- O QUE! (diz Sr. Wilkinson)

Anne não conseguiu emitir nenhuma palavra.

- Não fique zangado antecipadamente Sr. o Sr. ainda não sabe o real motivo de como nossa briga começou.
- E como ela começou? (pergunta Sr. Wilkinson por entre os dentes)
- Orlando... (diz Anne com a voz embargada)
- CALE-SE DAWSON! Fale logo Sr. Bloom. Eu estou perdendo a paciência!

Orlando o olha com um sinismo na cara e dá um sorriso fechado e irônico pra Anne.
Ela mais uma vez balança a cabeça negativamente chorando muito.

- É que há uma hora e meia atrás mais ou menos eu presenciei um espetáculo.
- Sem rodeios Sr. Bloom. (diz ele ficando revoltado)
- Não se exalte Sr. não se esqueça que estamos no meio do saguão.

O Sr. Wilkinson o olha mais revoltado ainda.

- Perdão! (diz Orlando levantando as duas mãos)
- Bem... onde eu estava mesmo? Ah claro, no tal espetáculo. Eu estava indo até o quarto do Johnny quando eu presenciei no meio do corredor...
- CALE A BOCA... CALE A BOCA... (grita Anne aos prantos indo pra cima de Orlando, dando muitos socos no peito dele)
- Pare com isso Dawson. (o Sr. Wilkinson a segura)
- Não Orlando... não! (implora ela soluçando, completamente descontrolada)
- CONTINUE!
- Se o Sr. faz tanta questão... eu vi Anne e Johnny... aos... beijos!
- O QUE! (grita Sr. Wilkinson)

Anne começou a ver tudo rodando e suas vistas escureceram e sem que ninguém esperasse ela desaba ao chão desmaiada. Orlando a olha assustado mas não sai do lugar pra ajudá-la. O Sr. Wilkinson se abaixa, coloca seu braço direito por baixo da cabeça dela erguendo-a um pouco do chão e com a mão direita ele dá leves tapinhas no rosto dela pra ela acordar.

- Dawson... Dawson...

Anne começa abrir os olhos e com as vistas meio turvas, ela tenta se levantar e o Sr. Wilkinson a ajuda. De certa forma Orlando respira aliviado por vê-la bem. Só que Anne estava bem aparentemente, porque por dentro ela estava arrasada, seu coração estava dilacerado com o que Orlando acabara de fazer apenas pra se vingar. Ela jamais imaginou que ele fosse capaz de fazer uma coisa dessas.
Anne olha pra Orlando e chorando muito diz:

- Como pôde fazer isso comigo? Eu nunca vou perdoar você... nunca!
- Então estamos quites porque eu também não vou perdoá-la.
- Então é verdade o que o Sr. Bloom disse?

Anne se enche de coragem e confirma. Ela não teria mais como esconder.

- É, é verdade! Eu me apaixonei pelo Johnny.

Quando Anne termina de dizer isso, o Sr. Wilkinson levanta a mão para batê-la. Na mesma hora Anne grita “NÃO” escondendo o rosto com as duas mãos em defesa, então o Sr. Wilkinson recua a mão. Orlando havia dado um passo à frente levantando um pouco a mão como que quisesse impedir que o Sr. Wilkinson tomasse tais atitudes.
O Sr. Wilkinson a olha e diz:

- Mas uma vez traiu minha confiança. A Srta. quebrou a promessa que me fez. E por causa disso eu quero que a Srta. vá arrumar suas malas agora. Não ficará mais neste Hotel.
- O que! Como assim? Eu vou pra onde?
- A uns tempos atrás eu andei pesquisando um colégio interno na Suíça. Como eu me arrependo de não tê-la mandado pra lá na época. Teria me poupado de muitos problemas.
- Colégio interno? O Sr. não está pensando em...
- Não só estou como vou mandá-la pra lá.
- Mas eu já conclui os estudos, não pode me mandar pra um colégio interno.
- Não me importa. A Srta. irá pra lá nem que seja pra lavar banheiros, contanto que fique trancada por tempo indeterminado, até que eu decida que possa voltar.
- Isso é um absurdo! O Sr. ficou louco! Eu não vou pra lugar nenhum.
- Vai sim. Não iria adiantar que eu a proibisse de se encontrar com o Sr. Depp porque a Srta. não me obedeceria, portanto irá embora sem discussão.
- E por quanto tempo vai me deixar lá?
- Tempo suficiente pra que esqueça o Sr. Depp.
- Isso só vai acontecer se o Sr. arrancar o meu coração porque eu nunca vou deixar de amá-lo. (diz Anne chorando)
- Então eu sinto muito... acho que ficará lá pra sempre. Nunca mais verá o Sr. Depp de novo.

Orlando estava ali ouvindo tudo. Anne o olha e chorando muito diz:

- Viu o que você fez. Eu te odeio... eu te odeio!
- Vou tratar de cuidar de tudo agora mesmo e espero que amanhã a Srta. esteja a caminho da Suíça no primeiro vôo. E nem pense que vai ter tempo de avisar ao Sr. Depp porque eu não vou deixar. Venha, vou acompanhá-la até seu quarto.

Anne olha pra orlando com muito ódio e segue para seu quarto acompanhada de seu tutor.
Orlando estava completamente sem ação, ele pega sua mala e sai do Hotel.

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