O celular dela toca. Já era 18:15.
- Anne, ele chegou! Sai daí agora! (diz Richard)
- Obrigada Richard!
Ela desliga o celular.
- Ele chegou. (diz ela pra Orlando)
- Vamos sair daqui. (diz ele)
- Eu não vou.
- O quê! Ficou louca? Como não vai? Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira. Vai você. Eu quero que você saia daqui Orlando, agora! Você não pode se complicar por minha causa.
- Eu não vou sem você. (diz ele)
- Vai sim. Sai logo!
- Anne, o que você vai fazer?
- Desmascará-lo! (diz ela)
- Não Anne. Você tá se precipitando.
- Eu já disse que não vou.
- Droga! (diz Orlando)
Orlando coloca todos os papeis e pastas de volta na gaveta. Depois vai até Anne e pega o vidro da mão dela.
- Me devolve Orlando!
- Não.
- ME DEVOLVE! (grita ela)
- Não. Se quiser de volta, saia daqui comigo.
- Isso é chantagem. (diz ela)
- Anda Anne! Para de perder tempo! Vem comigo.
- Tudo bem, vamos.
Eles saem do escritório e Anne tranca a porta. Eles andavam apressados no corredor. A sorte deles é que o Sr. Wilkinson estava falando com um hospede no saguão.
- Droga! (diz Anne parando)
- Por que parou?
- Temos que voltar lá. (diz ela)
- Por quê?
- Esquecemos a gaveta destrancada e os clipes sobre a mesa.
- Infelizmente não dá mais tempo. Vamos! (Orlando a puxa pela mão)
Eles chegam ao saguão e vêem o Sr. Wilkinson perto da recepção.
- Vamos antes que ele nos veja. (diz Orlando)
Só que infelizmente quando estavam subindo as escadas o Sr. Wilkinson os vêem.
- Dawson. (ele a chama se aproximando das escadas)
- Merda! (sussurra ela parando nos degraus)
Ela e Orlando se viram para olhá-lo. O Sr. Wilkinson sobe alguns degraus e diz:
- Espero que tenha se comportado.
- Depende do tipo de comportamento a que se refere. (diz ela)
- Eu to falando sério Dawson. Se aprontou alguma coisa...
- E se eu aprontei? Vai fazer o quê?
- Não me provoque! (diz ele ficando há apenas um degrau abaixo do dela)
- Ela não fez nada. (diz Orlando)
- Quer saber de uma coisa... dane-se tudo! Não adianta eu esconder por que ele vai descobrir mesmo. (diz pra Orlando)
- Para Anne! (diz Orlando)
- Do que está falando Dawson? O que eu vou descobrir?
- Eu entrei em seu escritório, seu miserável! Como teve a coragem de me dopar? É isso mesmo que está pensando. Eu achei o vidro do sonífero que colocou em meu suco.
- Está mentindo! (diz ele pegando no braço direito dela com muita força)
- Tire as mãos de cima dela. (diz Orlando)
- Fique fora disso! (diz Sr. Wilkinson)
O Sr. Wilkinson desce as escadas puxando Anne pelo braço e Orlando vai atrás. Nesse momento Johnny e Gisele chegam. Johnny vê o Sr. Wilkinson puxando Anne. Ele não pôde conter a preocupação e vai atrás deles.
- John. (diz Gisele)
- Me espere aí. (diz ele)
Johnny corre para alcançá-los. Ele se aproxima de Orlando e o segura pelo braço fazendo-o parar. O Sr. Wilkinson continuou puxando Anne até o escritório.
- O que está acontecendo? (pergunta Johnny)
- Não é da sua conta. Volte pra sua namoradinha. (diz Orlando puxando o braço)
- Gisele não é minha namorada. Já você e Anne...
- Não seja idiota Johnny!
Orlando se afasta dele seguindo na direção do escritório e Johnny o segue. O Sr. Wilkinson destranca a porta do escritório ainda segurando o braço de Anne. Eles entram deixando a porta aberta. Orlando e Johnny chegam lá e entram também.
- O que estão fazendo aqui? FORA, OS DOIS! (diz Sr. Wilkinson)
Anne olha bem séria pra Johnny.
- Não vou sair. (diz Orlando)
- Nem eu. (diz Johnny)
- Vai embora. Por que veio atrás de mim? (pergunta Anne pra Johnny)
Ele não responde nada. O Sr. Wilkinson solta o braço de Anne e vai até a mesa. Ele vê os clipes sobre ela e os pega. Depois vai para trás da mesa e abre a gaveta que não estava trancada à chave. Ele passa a mão dentro da gaveta e Orlando pergunta:
- Está procurando isso? (ele amostra o vidro do sonífero)
- Devolva! (diz Sr. Wilkinson)
- Não mesmo. (diz Orlando)
Johnny olha pra Orlando que estava com o vidro na mão e pergunta:
- O que é isso?
- Isso seu imbecil, é a prova de que ele dopou Anne para o Morrison entrar no quarto dela e fazer você pensar que ela o traiu. Ele e o Morrison armaram tudo pra separar vocês. E essa não é a única prova, tem as imagens que as câmeras fizeram do Morrison entrando disfarçado aqui no Hotel e antes dele ir ao quarto de Anne, ele entrou aqui no escritório. Provavelmente para combinar tudo.
Johnny estava paralisado com a testa franzida e a boca entreaberta olhando fixo pra Anne que já estava chorando.
- Quero ver você provar que eu coloquei isso no suco dela. Agora me devolva logo isso seu miserável!
- Vem pegar. (diz Orlando o desafiando)
O Sr. Wilkinson vai até ele e o pega pelo paletó.
- SOLTE-O! (grita Anne indo pra cima dos dois)
O Sr. Wilkinson empurra Anne que vai ao chão. Johnny vai até ela para ajudá-la a se levantar.
- Tire suas mãos de cima de mim. Não preciso da sua ajuda! (diz ela)
Johnny se afasta e ela se levanta sozinha. O Sr. Wilkinson encosta Orlando contra a parede e diz furioso:
- Me devolva!
- Não. (Orlando segurava com força o vidro entre a mão)
O Sr. Wilkinson dá um soco na cara de Orlando fazendo-o cair. No mesmo momento Johnny devolve um soco no Sr. Wilkinson que se apóia na parede. Orlando se levanta e leva a mão ao canto da boca e a vê suja de sangue. Ele olha pra Johnny e diz:
- Não precisa me defender. Não seja hipócrita! Não pense que vou lhe agradecer.
- Não quero que me agradeça e não o defendi por hipocrisia.
- O Sr. e o Josh irão se arrepender por terem feito isso comigo.
- O que pensa que vai fazer? (pergunta Sr. Wilkinson)
- Vou denunciá-los. (diz Anne)
- Eu já disse que não tem como provar que coloquei sonífero em seu suco. Eu posso simplesmente dizer que uso isso pra dormir, que sofro de insônia. A polícia vai precisar de muito mais para acreditar em você.
- E se a polícia tiver a confissão de Josh?
- Ele não será burro o suficiente para se declarar culpado e muito menos pra me acusar, não depois do que ele recebeu em troca do servicinho.
- O que ele recebeu em troca? (pergunta Anne)
- 15 mil dólares! (diz Sr. Wilkinson)
- O Sr. pagou pra destruir a minha vida! (diz ela chorando)
Johnny tava desnorteado com a confissão e também chorava.
- Se tentar me denunciar eu os denuncio por invasão e arrombamento. Também tenho provas contra vocês. (diz ele amostrando os clipes que Orlando usou para tentar abrir a gaveta)
- E também posso conseguir o depoimento do chaveiro contra você e a Srta. Marks, ele viu a fechadura com um grampo quebrado dentro, prova de que tentaram arrombar a porta. Só não sei como conseguiu entrar dessa vez se a porta ainda estava trancada à chave.
- Eu duvido muito que o chaveiro fique do seu lado. (diz Orlando)
- E por que não ficaria?
- Do mesmo jeito que pagou para destruir a vida dela, eu paguei para ajudá-la. (diz Orlando)
- E em troca do dinheiro que recebeu, o chaveiro nos deu isso. (diz Anne amostrando a chave)
- Igual a do seu escritório. (completa ela)
- O que fez se chama suborno! Se tornou tão criminosa quanto eu. (diz Sr. Wilkinson)
- E como poderia ser diferente? Tive um excelente professor! (diz ela se referindo à ele)
- O que está esperando então? Vamos... chame a polícia. Eu até posso ser preso, mas vou adorar ver o seu amiguinho também ser preso por suborno. Anda Dawson... chame a polícia e veja a carreira do Sr. Bloom ser destruída por sua causa.
Anne o olhava chorando.
- Anne, não se intimide com o que ele diz. Pode chamar a polícia, eu enfrento o que for preciso. (diz Orlando)
- Não. (diz ela)
- O quê! Como não? (pergunta Orlando)
- Orlando, tem muita gente inocente envolvida. Você, Sophie, Richard, o Sr. Smith... eu não posso destruir a vida de vocês apenas pra me vingar dele.
- Mas Anne... e quanto a fazer justiça? (pergunta Orlando)
- Entenda Orlando... se apenas eu estivesse envolvida, não me importaria de me ferrar junto com ele. Mas se trata de todos vocês, meus amigos. Não posso passar por cima de vocês como um rolo compressor sem pensar nas conseqüências, em seus sentimentos, amizade e lealdade que dedicaram a mim. Não sou como uns e outros que sai atropelando quem vê pela frente simplesmente por sede de vingança. (diz ela olhando pra Johnny)
- Anne... (Johnny pronuncia o nome dela com a voz embargada)
- Não fale comigo!
- Então, já acabou o desabafo? O que pensa realmente em fazer? (pergunta Sr. Wilkinson)
- Esquecer tudo! (diz Anne)
- Esquecer? Quer dizer que todo o esforço foi em vão? (pergunta Orlando)
- Sim esquecer e não, não foi em vão. Eu já fiz o que eu queria. Já joguei a verdade na cara de quem eu queria provar a minha inocência. Nada mais me importa agora.
- Não pode esquecer. Ele destruiu a nossa vida! (diz Johnny)
- Nossa vida? Não existe mais nossa vida! (diz Anne chorando)
- Eu pensei que... (diz Johnny)
- Que eu fosse esquecer o que me fez? Eu até poderia esquecer que me ofendeu, poderia esquecer também que me bateu... mas nunca, ouça bem, nunca vou perdoá-lo a perda do nosso filho. Nunca vou perdoá-lo por ter duvidado que o filho era seu. Era dentro de mim que ele estava, eu o sentia e agora só me resta esse vazio... mesmo que eu tenha outros filhos, jamais vou esquecer do primeiro que esteve por tão pouco tempo em meu ventre, mas que eu já amava com todo o meu coração e que você MATOU! (grita esse finalzinho aos prantos e com dificuldade pra respirar pela rapidez com que falava)
As palavras duras de Anne penetravam no coração de Johnny como flechas pontiagudas lhe causando uma dor que nem mesmo ele poderia decifrar. Ele chorava como uma criança que tivesse se machucado e precisasse do amparo de sua mãe.
- Me perdoa... me perdoa... (implorava ele aos soluços)
- Eu lhe disse que quando descobrisse a verdade e quisesse o meu perdão seria tarde demais.
- Bem... já que está tudo resolvido, saiam daqui que eu tenho muito o que fazer. (diz Sr. Wilkinson com uma frieza na voz)
Johnny vai furioso até o Sr. Wilkinson, o pega pelo paletó e grita na cara dele:
- Miserável! Canalha! Você acabou com a minha vida! Desgraçado!
Johnny dá outro soco no Sr. Wilkinson deixando-o caído ao chão. Anne e Orlando saem do escritório e Johnny vai atrás.
- Anne, espera. (diz Johnny)
- Fique longe de mim! (diz ela)
Johnny segura o braço dela fazendo-a parar.
- Me solte!
- Precisa me ouvir. (diz ele)
- Solte-a! não vê que ela não quer saber de você. (diz Orlando)
- Cale a boca! Fique fora disso. (diz Johnny)
- Me solte! (Anne puxa o braço)
- E não fale assim com ele. (completa ela defendendo Orlando)
Johnny se ajoelha chorando e segura a mão dela.
- Eu te imploro! Me perdoa...
- Não seja patético! (diz ela puxando a mão e segue em frente com Orlando deixando Johnny ainda ajoelhado no meio do corredor aos prantos)
Ela e Orlando chegam ao saguão e Gisele que estava lá esperando Johnny vai até eles e pergunta:
- Onde John está?
- O seu querido John está aos prantos, coitadinho. Vai consolá-lo vai. É por ali ó. (diz Anne indicando o corredor do escritório do Sr. Wilkinson)
- O que você tem contra ele? (pergunta Gisele)
- Está perguntando pra pessoa errada. (diz Anne)
Gisele se retira e vai atrás de Johnny.
- Eu to me sentindo sufocada. Preciso sair daqui. (diz Anne chorando)
- Vamos dar uma volta. (diz Orlando)
Anne e Orlando saem do Hotel. Gisele vê Johnny sentado no corredor e se aproxima.
- O que houve meu bem? (pergunta ela secando as lágrimas dele)
- Vem comigo. (diz ela ajudando-o a se levantar)
Johnny a abraça e desaba num choro mais intenso.
- John, o que tá acontecendo? Eu nunca te vi desse jeito. Tem a ver com aquela garota, não tem?
Ele apenas balança a cabeça em afirmação.
- Por que ela te afeta desse jeito?
- Não quero falar sobre isso aqui. (diz ele secando as lágrimas)
- Ok. Vamos subir. (diz ela)
Chegando ao quarto Gisele diz:
- Vou pedir o nosso jantar.
- Não estou com fome. (diz ele)
- Vai me fazer essa desfeita e me deixar jantar sozinha?
- Tudo bem, pode pedir. (diz ele)
- Ótimo!
Gisele faz o pedido. Alguns minutos depois um garçom bate à porta do quarto. Ela abre e o garçom entra empurrando um carrinho e depois coloca a bandeja com o jantar sobre a mesa e se retira logo em seguida. Johnny se senta à mesa com Gisele e jantam em total silêncio. Logo após o jantar eles se sentam no sofá e Gisele pergunta:
- Então John, vai me contar o que está acontecendo?
- Eu cometi o maior erro da minha vida! (diz ele já chorando)
- De que erro está falando?
- Íamos ter um filho... (diz com o olhar longe e embaçado pelas lágrimas)
- Você e aquela garota? (pergunta ela surpresa)
- Sim. Nós nos amávamos. Quer dizer... eu ainda a amo.
- Mas ela é só uma menina John. Quantos anos ela tem?
- 17.
- Meu Deus John! Ela é menor de idade!
- E o que isso importa quando há amor? E ela não terá 17 anos pra sempre.
- Eu pensei que se odiavam. (diz ela)
- Eu confesso que senti muito ódio dela. Armaram pra nos separar, fizeram eu pensar que ela tinha me traído e que o filho que esperava não era meu. Eu não consegui suportar tamanha “decepção”. A agredi, humilhei, ofendi... a fiz perder... perder o nosso filho. (ele soluçava pelo choro)
- Meu Deus! (Gisele põe a mão sobre o ombro dele)
- Eu também magoei a melhor amiga dela que eu considerava... considero como se fosse minha filha. Ela jamais me perdoará. O nome dela é Sophie. É um doce de menina, tem a mesma idade de Anne. E agora a pouco eu descobri que Anne nunca me traiu e o filho que esperava realmente era meu. Foi tudo uma armação do tutor de Anne e do ex namorado dela pra nos separar. O tutor dela nunca aceitou o nosso relacionamento. Anne tá me odiando por que eu não acreditei nela e me acusa pela perda do bebê. Ela nunca vai me perdoar, eu a perdi pra sempre. (diz ainda chorando)
- Que história triste John. Você a ama muito, não é?
- Mais do que minha própria vida! Me desculpe lhe dizer tudo isso Gi. Não quero ferir seus sentimentos.
- Não precisa se desculpar meu bem. Como eu poderia competir com um amor tão grande como esse? Vocês se amam, lute por ela John. Por mais que me doa dizer isso, reconquiste o amor dela.
- Acha mesmo?
- É claro meu bem. Mesmo que isso signifique eu nunca ter uma chance com você. Vê-lo feliz me fará feliz.
- Mas continuaremos amigos, não é? (pergunta ele)
- Como sempre foi meu bem.
- Como sempre foi. (repete ele com um pequeno sorriso)
- Eu não sei como vou conseguir fazer Anne me perdoar.
- Quer que eu fale com ela? (pergunta Gisele)
- Não, de jeito nenhum. Eu acho que ela tá morrendo de ciúmes por sua causa.
- Ótimo! Se morre de ciúmes quer dizer que ainda te ama. Só está magoada, mas não te odeia. Eu acho que sei como fazê-la se aproximar de você.
- Sabe? Como?
- Fazendo-a ter mais ciúmes. Eu posso ajudar a provocar ciúmes nela.
- Não sei não... isso a fará ficar com mais raiva de mim. Você precisa vê-la zangada. (diz ele com um sorriso)
- Eu já vi. Ela jogou suco na sua cara e me chamou de despacho. (diz Gisele rindo fazendo Johnny rir mais abertamente)
- Na hora eu fiquei furiosa. Mas agora eu entendo os motivos dela. Que mulher não sente ciúmes por ver seu amor com outra?
- Sabe, eu fiquei morrendo de vontade de rir quando ela disse isso. Me desculpe Gi.
- Eu percebi. Mas tudo bem. Ela tá sempre acompanhada daquele ator, Orlando Bloom. Você não fica com ciúmes?
- Nem imagina o quanto. Nós éramos grandes amigos. Quando nos hospedamos aqui da primeira vez o ano passado e conhecemos Anne, nos apaixonamos por ela ao mesmo tempo. Só que ele manifestou o amor por ela primeiro, então eu resolvi esconder o que eu sentia. Não queria magoá-lo, nem fazê-lo pensar que estava competindo com ele pelo amor dela. Era tão difícil vê-lo se declarar e dizer que iria conquistá-la. Na época ela era apaixonada por um estúpido, o tal que armou pra nos separar. Ela descobriu com a minha ajuda, do Orlando e de Sophie que estava sendo traída e terminou o namoro. Aí Orlando aproveitou pra tentar conquistá-la. A melhor amiga dela Sophie é apaixonada pelo Orlando. Na época foi uma confusão danada. Orlando acabou beijando Anne na frente de Sophie que ficou magoada com os dois. Mas depois acabou os perdoando.
- Mas eles chegaram a ficar juntos? (pergunta Gisele)
- Anne e Orlando? Não, não. Eles nunca tiveram nada.
- E como você se sentiu vendo Orlando beijando ela?
- Surpreso. Não com o beijo em si, mas por ele ter feito isso na frente de Sophie que não sabia que ele amava Anne. Mas Orlando sabia que Sophie o amava. E pela reação de Anne também que não fez nada.
- Que complicado! (diz Gisele)
- Muito complicado! (diz ele)
- Mas você ficou morrendo de ciúmes, não ficou?
- É claro. Teve um dia que eu acabei não resistindo e a beijei, mas a reação dela foi péssima e me deu um tapa na cara.
- Jura? (pergunta Gisele rindo)
- Você ri por que não foi na sua cara. (diz ele também rindo)
- O beijo que eu dei nela foi antes de Orlando tê-la beijado. O que me deixou com mais ciúmes foi o fato de que quando eu a beijei ela me bateu e quando ele a beijou ela não fez nada. Mas depois ela acabou descobrindo que tava apaixonada por mim e acabamos ficando juntos.
Gisele dá um sorriso meio triste.
- Orlando descobriu tudo da pior maneira possível. Nos viu se beijando no corredor. Ele ficou furioso e contou tudo pro tutor dela que é um carrasco, um monstro. O tutor dela quase a mandou para um colégio interno na Suíça pra nos separar, mas não conseguiu. Eu acabei fazendo um acordo com ele, se Anne ficasse, eu é que iria embora. E foi o que aconteceu.
- Foi os dois meses que você passou em Londres, não foi?
- Foi.
- Por que não me contou nada quando estava lá?
- Não quis lhe encher com meus problemas. Até mesmo por que a gente não se viu muito, não é?
- Na verdade foram apenas duas vezes. Em dois meses só nos vimos duas únicas vezes. E isso por que eu o procurei. (diz ela)
- Me desculpe! Não fui um bom amigo, não é?
- Não diga isso. Sempre foi um excelente amigo.
- Você é que é uma excelente amiga minha querida. Sempre pronta pra me ajudar, me ouvir como está fazendo agora e até mesmo pra me aturar. (diz com um sorriso contido)
- Você é muito bobo sabia? É por isso que eu te... (Gisele não conclui a frase e se levanta)
- Me desculpe! (diz ela)
- Tudo bem. (diz ele se levantando)
- Então... continua contando. (diz ela)
- Bem... hoje eu e Orlando não somos mais amigos. Ele não me perdoa e nem eu a ele.
- Anne não ficou com raiva dele por ele ter contado tudo pro tutor dela?
- Ficou, mas já o perdoou. Não vê que não se desgrudam? (diz bem sério)
- Então a reconquiste o quanto antes.
- Acha que ela poderia se apaixonar por ele? (pergunta Johnny)
- Bem... eu não sei o que se passa no coração dela, mas como mulher eu posso dizer que quando estamos carentes nos apegamos a quem nos oferecer carinho, dedicação... amor.
- Tem razão! O que seria de mim sem você, sem seus conselhos? (pergunta ele)
- Eu digo o mesmo meu bem.
Gisele se aproxima de Johnny e acaricia o rosto dele. Depois lhe dá um beijo no rosto e Johnny lhe devolve um beijo na testa. Gisele não conteve uma lágrima que logo tratou de secar.
- Ei, por que está chorando? Eu disse algo de errado?
- Não John. É que é tão difícil pra mim estar aqui tão perto de você e não poder... não poder beijá-lo como eu sempre quis. Me desculpe! Eu sou uma idiota mesmo! Não devia estar falando essas coisas.
- Você não é idiota. Pelo contrário, é admirável! Só a sua atitude de desistir de mim, deixando o caminho livre pra uma pessoa que você não conhece.
- Não faço isso por ela e sim por você. Por que quero vê-lo feliz e sei que sua felicidade é ela. Mas ela que não ouse magoá-lo, por que se fizer isso eu juro que entro com tudo para conquistá-lo.
Johnny dá um sorriso, pega a mão dela e dá um beijo na mão.
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Amores em Conflito!
RomanceAnne é uma garota de apenas 17 anos, mora com seu tutor o Sr. George Wilkinson em um Hotel de luxo em Los Angeles, seu tutor é o gerente do Hotel. Anne tem lindos cabelos ruivos e lisos com leves cachos nas pontas na altura dos ombros, lindos olhos...
