Último capítulo - José Fernandes (final)

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Narrado pelo rei José Fernandes:

Lembre-se de que assim como a chuva, os problemas também irão embora.

Levo essa frase para todo o sempre dentro de mim e vejo toda a verdade que ela transmite.

Nunca imaginei que encontraria em uma única pessoa a mulher que daria significado à minha vida.

Sim, durante muito tempo quiseram que eu escolhesse uma esposa, mas foi o meu coração o único responsável por escolher isso por mim.

Em todas as fases da minha existência, pude descobrir e entender que era somente da Maria Clara que eu precisava.

Nós dois só tivemos dois filhos, e acreditem em mim: o planejamento de Deus foi esse, porque minha esposa e eu nunca permitimos que o nosso amor esfriasse com o passar do tempo.

Maria nunca deixou de ser minha e eu nunca deixei de ser dela. Mesmo com o peso dos anos, nossa intimidade jamais se apagou.

Nossas almas se entregaram ao nosso sentimento muito antes dos nossos corpos, e isso tornou sagrado cada encontro íntimo nosso. Por essa razão, nossa relação nunca foi uma profanação.

E, se tivemos apenas dois filhos, acreditem: foi escolha do Soberano do Céu, não falta de amor e paixão entre nós.

O segredo do amor não é ter muitas mulheres, mas é ter a totalidade na mesma mulher. Eu era um príncipe que nunca tinha conhecido o amor, porém olha o que a vida me reservou? Conheci a minha melhor amiga na infância, ela se tornou uma mulher e eu me tornei um homem.

Queríamos descobrir e entender juntos esse sentimento triunfal, que retira por poucos segundos a capacidade de sentirmos o ar dos pulmões, e optamos por viver essa aventura juntos. Sem nem fazer a mínima ideia disso, eu estava me guardando para uma mulher só: e era ela!

Maria Clara e eu passamos por muitas coisas na vida, mas existiu um determinado dia em que se tornou impossível negar, ou ao menos ocultar, a nossa grande conexão.

Uma vez, durante a tarde, fui me sentar em um banco de madeira que ficava localizado no jardim do meu palácio. Minha alma estava um pouco inquieta e eu precisava ficar em contato com a natureza um pouquinho.

Me sentei lá e fiquei pensando nas minhas futuras obrigações reais quando eu me tornasse um rei.

De repente, uma mão toca o meu ombro e, quando olho para quem estava fazendo isso, vejo a minha loirinha, que me olhava de um jeito atencioso.

– O que você está fazendo aqui sozinho, meu amor? – ela quis saber.

Dou batidinhas no banco e peço:

– Senta perto de mim, loirinha.

Ela assente, se senta perto de mim no banco e diz:

– Pronto, já estou sentada, mas e agora? No que você está pensando? Porque eu estou curiosa.

– Eu estava pensando no futuro – revelo.

– Gostaria de ser mais específico? – perguntou ela.

– É que desde sempre o meu pai foi um rei poderoso e disciplinado – começo a explicar. – Ele sempre governou de um jeito respeitoso, justo e leal.

– Prossiga – pediu a garota loira.

– Eu cresci vendo ele tomar decisões difíceis, mas sempre pensando no povo primeiro – continuo, olhando para o jardim, ao decidir fazer o que ela sugeriu.

A Curandeira e o Príncipe - A Flor do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora