Capítulo 6-POR AMOR

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Gostaria de agradecer a todos que tiram um pouco de seu tempo para ler este livro e vários outros de vários outros sonhadores como eu . ♥    

E muito obrigado pelas  3000 leituras .

Fico muito feliz!    

Corretor ortográfico= @ewertonalves93

Tenha uma boa leitura, galera!


                                                                         

Ele virou as costas para o corpo morto de Cariel queimando junto às folhas secas, quando escutou palmas ecoarem por trás da grande figueira.
Era Cariel com um sorriso irônico e um olhar maligno!
Os olhos do general tremeram diante do bruxo a sua frente, sem saber o que estava acontecendo, pois havia acabado de matá-lo.

- Então você acha mesmo que me destruiu, grande general? – disse Cariel com um sorriso calmo.

Ao ver Cariel se aproximar devagar com aqueles olhos frios, Antros sentia pela primeira vez medo de um inimigo. Então procurou imediatamente o corpo que acabara de destruir, mas não via nada, somente as folhas queimando junto à terra vermelha.

- Como foi a sensação de me matar daquele jeito? – perguntou Cariel irritado, desaparecendo tão rápido que as folhas voaram para longe, surgindo à frente de Antros, o acertando um golpe violento no estômago.

- Como fez isso, maldito? – disse Antros sem forças, procurando ofegante algum ar para respirar.

- Isso, meu amigo, foi um feitiço. Vocês são tão patéticos que nem conseguiram perceber que ele estava lutando contra o vento, e também destruindo sua própria vontade de me matar – disse Cariel sorrindo – Olha, eu nem retirei minha espada. Então me mostre do que você é capaz, que eu mostrarei o que vocês malditos fizeram comigo.

- Seu maldito! – praguejou o general sentindo-se humilhado por Cariel, lançando grandes rajadas de fogo, tão poderosas que as folhas abaixo de suas sombras se transformaram em cinzas instantaneamente.

Então Cariel, esperando até os últimos segundos, se desintegrou com uma facilidade impressionante, aparecendo sobre um galho da enorme figueira logo acima de Antros, e disparou sobre o corpo de seu inimigo uma rajada imensa de vento frio que agitou todas as árvores à sua frente, levando todas as folhas do chão.
O vento estava tão forte e insuportável para Antros aguentar o peso de seu corpo no mesmo lugar, e não suportou  foi jogado para longe, caindo contra a grande pedra, perto de seus companheiros. A vergonha era tão grande que sua pele branca estava vermelha.
Então, sem falar uma palavra, levanta à sua frente e vê o vento envolvendo Cariel, que desce da árvore como se não houvesse gravidade.

- Senhor, devemos ajudar? – perguntou Ariel sério, mas rindo por dentro da situação de seu mais novo inimigo.

- Calem a boca, essa luta é minha, já disse! Perdendo ou vencendo, se eu morrer, morro honrado. E lutando.

Dizendo essas palavras, e olhando para Cariel parado em sua frente com a mesma expressão de confiança e ódio, Antros conjurou calmamente "spiritu vegetantur", ao juntar suas mãos. O vento à sua volta ficou quente e denso. Sua capa ricocheteava, e de suas feridas saiu uma espécie de vapor, revigorando-as. Ele olhou para o centro do lugar onde estava lutando e lá estava sua espada. Estendendo sua mão direita em sua direção,e  ela voou até ele.

- Esperava nunca ter de usar isso, Cariel. Eu sou sim um bruxo mal. Já matei e torturei em nome de nada, mas sou honrado! Estou tendo uma luta digna de bruxos poderosos, como somos. Então não estrague isso com suas ironias! Lute comigo, como aquele guarda lutou até que eu o pregasse vivo na parede.
Seja bruxo! Não brinque com seus inimigos!

Ao dizer essas palavras ele desapareceu, aparecendo ao lado de Cariel, já o golpeando. Com um reflexo de muita precisão, Cariel defendeu o golpe mortal com sua espada. Mas o vento imposto pelo golpe o arremessou para longe, caindo sobre a terra vermelha. Levantou-se rapidamente e retirou sua espada, olhando com as sobrancelhas frisadas. Manejou sua espada no ar e desapareceu, surgindo ao lado de seu inimigo. Então houve um pequeno equilíbrio em golpes e contragolpes.
Cariel se defendia com ódio, pois sabia que seu amigo havia sido morto por aquele bruxo em sua frente. A luta não era mais uma simples luta, era a vingança que seu amigo merecia. Em um dos golpes Cariel segurou o braço direito do general, enfiando a sua espada através de seu ombro e retirando-a rapidamente, empurrando o general para longe, desequilibrando-o.

- Sabe, o bruxo que você matou na muralha era meu amigo – disse Cariel apertado o cabo da espada. Em seus olhos corria uma lágrima de raiva – você não merece meu perdão, não merece o ar que respira.

- É assim Cariel que se luta como um bruxo. Não como você vinha fazendo – disse Antros começando a se desintegrar, mas Cariel o pegou pelo pescoço antes que ele pudesse desaparecer por completo.

- Esta luta ainda não acabou – disse Cariel jogando-o para longe, tocando as mãos e conjurando "immitis igne".


Então o vento ficou quente e forte em toda a extensão do campo de batalha.
O sobretudo de Cariel dançava contra o vento, e de dentro de suas mãos juntas surgiu uma pequena bola de fogo densa. Ele então abriu suas mãos devagar, com a luz clareando seu rosto e com o vento balançando seus cabelos e tudo à sua volta.
E a bola de fogo, como um pequeno sol, foi ficando maior até que explodiu, queimando tudo à sua frente. Antros tentou se desmaterializar, para escapar das chamas que queimaram tudo em poucos segundos. Mas mesmo se desintegrando a metade das minúsculas partículas nas quais seu corpo havia se tornado foram destruídas pelo calor intenso. Então todo o fogo que estava a queimar em toda a extensão do campo de batalha começou a se juntar em um pequeno ponto no centro, se transformando em uma bola fogo, que diminuiu até desvanecer em pleno ar.
No chão estava Antros, dando os últimos suspiros, bem carbonizado. Por onde as chamas passaram antes de se contraírem havia sobrado apenas cinzas e pó. Até a metade da grande figueira tudo havia se tornado cinzas ao vento.
Parado, Cariel olhava com desdém o corpo carbonizado de seu inimigo, enquanto a brisa seca passava pelo seu corpo cansado, levando as cinzas sobre o cadáver a sua frente.

Por alguns segundos a brisa cessou, como se estivesse em um quarto quente isolado da natureza. Então em sua frente surgiu um velho bruxo trajando vestes negras com um belo sobretudo bem definido, careca e com a barba branca bem frisada ao rosto, olhando bem para Cariel, que respirava fundo pois estava exausto depois de invocar um feitiço que nunca havia ouvido falar. Mas sabia de alguma forma teria o poder para fazê-lo.
Cariel o olhou com as vistas um pouco embaçadas e depois passou as mãos no rosto para tentar se manter em alerta. Nisso o velho andou em sua direção, firmando-se em uma bengala negra. De longe ele já começou a falar, ato que assustou Cariel, que tentou se mover para trás, mas seu corpo estava paralisado por completo.

- Bravo, garoto! Meus parabéns! Você matou um general das trevas – falou o velho sorrindo calmamente. – Sabe, você está causando muitos problemas para a minha organização, problemas de proporções irreversíveis. Você era para ser uma simples – então ele falou alto, com raiva em suas palavras – simples cobaia! – e o velho de sobretudo negro voltou a falar com mansidão, dirigindo um olhar frio e calculista a Cariel, olhar que parecia observá-lo dentro de sua alma – Deve estar se perguntando quem eu sou. Bom, eu sou ninguém.
Vou me aproximar mais de você para a gente se entender melhor. Garoto, vou lhe falar um pouco sobre mim. – disse o velho andando para o lado de Cariel, usando a bengala para se equilibrar – Você despertou meu interesse.
Matou um general das trevas e ainda mais: tirou a vida de um ser imortal!
Olha só, eu não sei se devo chamar alguém como você de Deus ou de demônio – disse ele sussurrando no pé do ouvido de Cariel – sei que um dos Sete bruxos que eu formei para serem invencíveis, dotados de poderes, inteligências, capacidades superiores a tudo isso à sua volta, e puff! ... morreu! – disse ele sério, coçando sua barba feita, respirando calmamente com um delicado sorriso de canto de boca.

- Mais uma coisa meu garoto. Calma! Pare se de forçar, seu corpo não pode se mexer. Acalme-se e escute o que eu tenho para te falar. Mas antes... Vou dar o prêmio para o jovem Elton e para aquele falso príncipe idiota. Então espere aí quietinho, você não pode correr mesmo. Que hilário, não é garoto? Você quer, mas não pode. Quer, mas não pode... – disse rindo, caminhando a passos largos em direção aos outros, sempre usando sua bengala para se equilibrar. De longe ele falou alto, olhando para Elton, que estava sério e encarava-o com uma das mãos em seu bolso.

- Todos estão imóveis. Cariel, Ariel, mas você não. – disse o velho parando à meia distância – Fico me perguntando, o que você tem de especial?

- Então você é quem eu penso que é? – perguntou Elton sério, segurando algo em seu bolso esquerdo.

- Eu sou quem você pensa que sou? Porque não me destrói, filhinho de papai? Você estava à minha procura. Me encontrou, agora tente me destruir.

Então Elton retirou um crucifixo de seu bolso, que estava envolvido em um pano vermelho de lã grossa, e o colocou em um cordão que já estava em seu pescoço. Olhou firme para o velho que se mantinha calmo, como se estivesse de frente a uma criança inofensiva. Então desapareceu junto a um vento frio, levando as folhas e as cinzas que sobraram da batalha anterior.

- Com você garoto nem largarei minha bengala – disse o velho virando-se para Cariel, onde Elton acabara de aparecer.

- Cariel, lembre-se de tudo que te falei. Milhares vão morrer! Lembre-se de sua família. Não se corrompa!

- Sabe, estava pensando agora: sempre fui um exemplo para minha família e meu reino, e agora com as memórias desse bruxo que infelizmente sou eu, pude entender que se você não tivesse manipulado as palavras daquele maldito príncipe eu seria um pai, um marido, um soldado normal. Não um bruxo que carrega um poder incalculável e maligno dentro do peito.

- Entenda: sacrifícios são necessários para a felicidade geral da nação. A paz não vem de graça, muitos morrem por ela.

- Você nunca me perguntou se eu desejava morrer pela paz dessa nação.

- Lembre-se do que te falei. Milhares morrerão! – disse Elton virando-se para o velho, que caminhava devagar em sua direção, dizendo:

- O Pai, aquele maldito, é incapaz de realizar suas obras. E manda um reles espião atrás de mim– disse o velho gritando, a ponto de sua saliva sair pela boca.

– É, seu maldito. O Pai já cortou uma cabeça, falta cortar a outra – disse Elton desaparecendo da frente do velho bruxo, que se manteve calmo.

Surgindo à direita do velho, o golpeou com tanta força que o vento gerado pelo impacto no rosto dele dobrou os galhos das árvores ao seu lado, e o corpo do velho sequer estremeceu com toda aquela força. Vendo que não houve efeito algum e já preocupado, Elton se afastou rapidamente, retirando sua espada e respirando fundo, olhando o velho que nem um pingo de incômodo expressou com o golpe recebido.
À meia distância dos dois estava Ariel, sem saber se poderia acreditar em seus próprios olhos, afinal Elton parecia ser mais fraco que ele cinco anos atrás.

- O Pai está ficando velho, porque isso que você fez é tão insignificante que me dá pena.

- Cale essa boca antes que eu quebre seus dentes, seu velho porco infeliz – disse Elton com tanta raiva que dava para ver as veias em seu pescoço engrossarem a cada palavra dita.

Então ele tocou as mãos, conjurando com todas as suas forças:

"illustratio spiritualis"

O vento ficou quente e denso ao seu redor. Cheio de raiva e inveja de Elton, Ariel não acreditava em seus olhos. Como ele pôde fazer um feitiço como esse? Um feitiço que eleva a força física e espiritual ao extremo?

Segurando firme sua espada Elton olhava nos olhos do velho bruxo, que agora estava com uma expressão mais séria, algo que gerava dúvidas a Elton.
Então ele gritou cheio de convicção:

- Vamos ver o quanto de pancada você suporta, seu bruxo filho de uma puta!

Sua velocidade já não era mais a mesma. Seu corpo se manteve leve e o impacto de seu punho era como o peso de uma imensa rocha de granito.
Muito veloz ele partiu em direção a seu inimigo, o golpeando com todas as suas forças e usando sua espada para atingi-lo.
Então o velho desapareceu no exato momento do ataque, que passara no vácuo. Com o vento frio de pura energia saído do fio da espada, três grandes árvores se partiram ao meio, e também destruiu parte da grande pedra como se ela fosse feita de massa maleável.

Uma nuvem de poeira se excedeu em meio à alta e densa floresta, então o velho Nada olhou para Elton, e disse com um pequeno sorriso sem graça:

- Garoto, você é impressionante, mas não force tanto para fazer algo impossível. Você não enfrenta um reles bruxo, você enfrenta um Deus na terra.

- Se você é um Deus na terra porque desviou de meu segundo ataque? – perguntou Elton desaparecendo em uma explosão de vento que espalhou toda aquela densa poeira pelo ar. Apareceu novamente ao lado esquerdo do velho, que simplesmente previu seus movimentos e o segurou pelo braço, ainda sem retirar a espada. Com um olhar de piedade o velho fitou o rosto de seu oponente, que respirava puro ódio.

- Vocês filhos do Pai, sempre agindo com a força – disse Nada, jogando Elton para longe, que rolou sobre a terra velha junto às cinzas.

- Cale-se! O que você entende do Pai? – disse Elton retirando a poeira de seu corpo, juntando suas mãos mais uma vez, conjurando "spiritualis fulgur".
E no mesmo momento raios começaram a dançar pelos seus braços e mãos.
Seu semblante havia mudado completamente. A raiva havia começado a consumir seu coração.

- Então vamos lutar. Mostre-me seu poder, que mostrarei 1% do meu – falou o velho Nada, retirando sua longa espada que parecia ser pesada para um bruxo velho usá-la.

- Você acha que pode prever meus movimentos e segurar meus punhos antes que eles o toquem? – perguntou Elton fechando seus punhos com tanto poder que as pedras do chão começaram a levantar, com o tamanho da energia à sua volta – agora vou te mostrar porque o Pai me escolheu para essa missão!

- Garoto, quero que você sinta lutando contra mim o que é poder de verdade – disse o bruxo largando sua bengala, que cai calmamente.

Mas antes que ela tocasse o chão, ele estava sobre as costas de Elton com sua espada empunhada sobre sua garganta, com um pequeno sorriso no rosto.
Elton ficou imóvel, sem saber o que fazer, pois aquilo ia além da sua própria imaginação.

- Sabe, pequeno inseto, qual o maior problema de um guerreiro? Não né?
Pois você não pôde vê-lo em si! O maior problema é achar que sua força está somente nos músculos e em seus poderes, e não em sua mente. Um bruxo poderoso pensa antes de tentar desafiar qualquer coisa – disse o velho seriamente com a lâmina da espada rasgando levemente a garganta de Elton, que antes de tentar qualquer tipo de reação sentiu uma gigantesca explosão de vento frio lançada pelo velho sobre suas costas, jogando-o para longe como se ele fosse um simples pedaço de madeira descartável.
Então antes que ele pudesse se levantar por completo, pois ainda estava bem zonzo com o impacto, pôde ver com sua visão embaçada a enorme pedra se aproximando dele em alta velocidade.
Vendo que não poderia se esquivar, pois seu corpo já estava no limite depois de tanto poder, ele abaixou as mãos respirando fundo e pensando consigo mesmo – Ele é realmente forte! – E recebeu o impacto de um peso absurdo sobre si, desaparecendo junto à terra vermelha, debaixo da pedra.

- Ainda bem que ele não usou aquele feitiço, o garoto era promissor... Mas morreu – disse ele virando as costas para a grande poeira formada pelo impacto da pedra sobre o corpo de Elton, e logo em seguida aparecendo junto a Ariel, que não podia se mexer.

- Então, Ariel. Você estava com seu amigo traindo a organização que te acolheu?

- Não! Nunca faria algo tão porco. – disse Ariel sério, com os olhos marejando de medo.

- Eu sei que não – disse o velho olhando nos olhos de Ariel com um leve sorriso – Certo. Olha, vou lhe contar uma pequena história.

Meu melhor amigo, há muitos anos atrás, me traiu. Ele e eu descobrimos que havia algo nesse grande mundo do seu deus Únifico, algo que nos deixaria jovens para sempre. Mas estava muito bem guardado, muito bem guardado mesmo. Nossa, só de lembrar.. Eu já estava velho, fraco e medroso, ele era um pouco mais novo, mais corajoso e determinado. Então fizemos um plano, e o executamos. Invadimos uma fortaleza real. Eu não sei se sabe, creio que não, mas antes de eu ser o demônio da sua vida eu era um excelente arqueiro, e meu amigo era um espadachim de se invejar. Matamos os guardas e entramos na calada da noite. Anda Ariel, tente imaginar como foi. Use sua imaginação. Vai me dizer que nunca leu um livro de fantasia na vida?
Pois bem! Entramos na sala do cofre. Eu o abri e lá dentro estava repleto de tesouros. Ouro, diamantes e nosso alvo: as duas pedras, a fonte de nossos poderes, nossos... Ah esquece.
Meu amigo trabalhava como guarda real. Ele abriu as portas e juntos fizemos o resto. Por isso foi mais fácil invadir.
Então aconteceu o pior. Um guarda acabou me descobrindo, e em minutos morreríamos como traidores, e nossas cabeças iriam ser colocadas nos portões do palácio. Entrei em pânico, como você está agora. Bom, só não estava chorando feito uma mocinha...
Então meu amigo teve uma ideia. Pediu para que eu engolisse a minha pedra, e ele engoliu a dele. E me prenderia, já que o soldado não o viu.
E rapidamente chegaram os guardas.


Pode adivinhar o que houve? Pode adivinhar? Eu perguntei, seu idiota! Responda! – mas Ariel não conseguia se expressar, o medo não o deixava falar – Ah, deixa pra lá. Cale a boca e escute.

Quando eles chegaram, meu melhor amigo havia me prendido, e disse que havia "outro" comigo, e que ele fugiu com as pedras.
Fui condenado por roubo, mas como já havia contribuído pelo reino e a pedra não foi encontrada comigo e nem no castelo, o rei, aquele idiota, ordenou que me deixassem pelado em uma ilha deserta pelo resto da vida, enquanto meu amigo virou herói.
O tempo passou e eu não envelhecia mais do que já estava, pelo contrário, ficava mais forte. Descobri coisas, aprendi a manipular tudo que é vivo e tinha ao meu redor, até meu próprio corpo. Então dez anos depois um navio com um jovem forte no comando me encontrou. Esse maldito jovem era o meu amigo. Durante dez anos ele procurou por mim. Sabe com ele fez?
Invadiu o castelo, encontrou o rei e colocou uma espada no pescoço dele para falar onde eu estava. Mas o idiota foi preso e condenado à morte por extrema traição. Só que escapou da prisão, e me procurou até que me encontrou.
Os poderes eram superiores aos meus, e só fluíram vinte anos depois que nosso organismo absorveu as pedras.


- Isso é amigo de verdade! Ele arriscou tudo, mas não negou nossa amizade. Amigo que é amigo morre pelo outro, chora pelo outro, não tem vergonha de ajudar no que for preciso. Não fica de mimimi dizendo 'eu não sei se posso', 'hoje não dá', amigo que é amigo dá a cara à tapa. Sabe Ariel, eu tenho um ótimo poder. Posso ler a mente das pessoas. Sabe o que eu vi na sua mente suja, seu merda?

- Me perdoe senhor, eu sei que posso somar. Sou o melhor espião que vocês têm!

- Eu sei – disse Nada retirando sua espada e enfiando-a rapidamente no coração de Ariel, que morreu imediatamente.

Então ele se virou para Cariel, que estava imóvel no centro do campo de batalha, e falou alto:

- Pronto. Viu como foi fácil? Agora preciso falar com você. – continuou o velho, caminhando em direção à Cariel.

- Quem é você? – perguntou Cariel olhando para o bruxo se aproximando lentamente.

- Eu sou o Nada, como já te disse. Olha, vou te dar duas escolhas, apenas duas. A primeira: eu te mato, do jeito que matei aqueles dois. O que acha?

Cariel engoliu a saliva da boca, assustado e trêmulo, afinal aquele poder absurdo estava além da sua compreensão.

- Imaginei que não toparia pela sua cara. A segunda é bem melhor: eu lhe darei a vida eterna. Porque você sabe que a sua vida está em minhas mãos. Então eu a devolverei, e em troca trabalhará para mim, assumindo o lugar do Sete, que você matou – disse ele com um sorriso largo, mostrando os dentes brancos feitos de leite, e pegando nos ombros de Cariel, que respirou fundo, olhando dentro dos olhos azuis do velho, e disse:

- Nunca! Nunca vou me aliar a essa seita para matar milhares de pessoas por nada – disse ele com seriedade.

- Seu irmão Atabaron, sua esposa e filho, que nem nasceu ainda, estão sendo procurados por serem bruxos das trevas. Sabe que sua vida, mesmo saindo vivo daqui, o que é impossível, estará arruinada?
Eu estou oferecendo à sua família uma luz no fim do túnel. E eu sou essa luz, eu sou a saída. Mas você terá que morrer para tudo que conhece. Para seu filho, sua esposa e seu irmão. Morra para eles, viva para si mesmo, para que eles vivam em paz. Então decida!

Sem saber o que fazer e indo contra seus princípios, mas bem no fundo fascinado com o poder que havia experimentado a pouco, falou sério e muito pensativo:

- Eu topo, mas quero ver ele de longe, para poder vê-lo crescer – disse Cariel com os olhos marejados.

- Isso filho, venha cá. Me dê um abraço, ponha para fora esse sentimento forte.

Então ele falou no ouvido de Cariel calmamente, com um pouco de raiva em suas palavras.

- Não! Você terá de morrer para tudo e para todos. Será que fui claro? Decida ou morra!

- Tudo bem. Eu abro mão de tudo! Mas quero vê-los pela última vez.

- Olha, a partir de hoje ninguém nesse mundo saberá da sua existência. Nem esposa, nem família. Apagaremos a memória de todos. Não há como voltar atrás! Então seja bem-vindo aos Cavaleiros das Trevas. Você vai poder vê-la, mas ela não saberá quem é você. Essa é a única condição.

- Para mim basta. Eu a amo de uma maneira que eu sinto que mesmo lá no fundo ela saberá que eu existo.

Então Nada cortou o assunto, meio sério:

- Ah cale a boca. Me dê sua mão. Vamos embora dessa floresta, porque ela fede a humanos. Em segundos estaremos no meu palácio.

- Como assim em segundos? – perguntou Cariel sem entender nada.

- Chama-se teletransporte. Vou aonde quero em segundos, e volto sem limitações.

Então Cariel fechou os olhos, assustado, e escutou o velho conjurando "levenus vos Luanos". E sentiu o vento esfriar. Fechou os olhos e desapareceu rumo a uma nova vida, rumo ao desconhecido.    









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