Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.
Corretor ortográfico @ewertonalves93
De repente ela apareceu sobre o púlpito, com suas pernas grossas realçadas em um colã negro. Os dois bruxos discutiam ferozmente nos bancos, distraídos. Nem sentiram a presença que havia surgido.
- Temos um pequeno problema, rapazes! – disse a bela mulher ao ajeitar sua máscara de corvo – Não admito que tomem decisões sem a minha presença, muito menos longe dos ouvidos de nosso líder, certo Padre? Não devemos perder esta guerra de maneira alguma, eles nunca irão cruzar estar muralhas, deu para entender? Esta cidade tem de ser mantida intacta e nos trilhos, assim disse o Líder da Sangria. Cuidado para não tomarem decisões à frente de sua organização. – ela desapareceu, surgindo a dois palmos de Ebatazeu, que se manteve imóvel e assustado – Cometa este erro mais uma vez e morrerá, estamos entendidos? – ameaçou ela seriamente, mas logo depois despertou um leve sorriso sorrateiro debaixo da máscara – Que coisa honrosa, padre; você, o responsável por pregar a paz, prosperidade e principalmente a honestidade, participa de uma organização que não poupa esforços para concretizar nossos objetivos. Assassinamos crianças e velhos, libertamos bandidos e boicotamos finanças. Mas você, Ebatazeu, consegue ir além. Você sempre procura no Livro Sagrado uma forma para justificar sua psicopatia, seu doente insano!
- Eu entendo, me precipitei. Mas se nosso objetivo é diminuir a realeza, esta seria uma boa oportunidade. – respondeu o padre Ebatazeu.
- Sim, mas ainda não é a hora. Tudo tem seu tempo, nada dá certo se for feito sob pressão. Respire e veja se não sente o cheiro da morte adentrando nos campos de batalha. Tente escutar as centenas de tambores soando além do horizonte, vindo em nossa direção. Vamos sim tomar este reino, mas o queremos por inteiro; sadio, poderoso e populoso. Não nos convém tomar posse de ruínas inabitáveis.
- Eu disse, não disse? – disse Boryel sério, virando-se para o padre.
- Que bom que entendeu. – disse a mulher – Tenho um presente, não é para nenhum de vocês dois. Mas quero que você, Boryel, o entregue a Centurion. Ele usará na guerra que a esta altura é inevitável.
- Sim, eu o farei. – disse ele, pegando um velho pergaminho.
- Quando chegar ao campo de batalha com a cavalaria real, lute ferozmente junto de Centurion. Já você Ebatazeu, prepare o iluminus ao redor das muralhas, e também acrescente este feitiço. Diga que era seu. – disse ela enquanto entregava um manuscrito a ele.
- Tudo bem, agora tenho que ir. – disse Boryel, desaparecendo em direção à cidade de Centurion, onde a cavalaria se reuniria ao bruxo.
- Proteja esta cidade! – disse a mulher ao padre, e desapareceu logo em seguida.
O padre se dirigiu às gavetas no interior da igreja e pegou os pergaminhos de defesa. Chamou quatro dos mais poderosos paladinos e dividiu os manuscritos entre eles, explicando-lhes que canalizaria o poder através dele, criando uma poderosa barreira sobre a cidade, e que precisaria deles para que conjurassem o feitiço ao mesmo tempo em pontos estratégicos da muralha. Eles concordaram imediatamente, leram as instruções e se dirigiram a cada extremo da grande Cidade Azul. Ebatazeu então correu até o castelo de Parks, que naquele momento apenas observava a cidade de sua sacada. A noite começava a tomar conta daquele dia terrível, com o Sol sendo levemente transcendido pelas cadeias de montanhas ao fundo.
- Majestade. – saudou Ebatazeu ao se aproximar.
- Não venha me dizer que temos que ter paciência, Ebatazeu. Não dá ouvir isto outra vez, fui claro? – repeliu Parks.
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CARIEL
FantasíaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
