Capítulo - 49 Abraão

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  Feliz Ano Novo! Que o nosso amor continue sendo forte, próspero e puro e que todos nossos sonhos sejam realizados neste novo ano.  

Corretor ortográfico - ewertonalves93       

Boa leitura gente ...                


- Isso, garoto! Quero que respire lentamente e controle seu poder. – disse Varyos, orientando o jovem Abraão a absorver a energia da natureza ao redor de um campo verde longe da cidade, em seu quarto dia de treinamento. As folhas junto os troncos das árvores perdiam a vida, e uma aura verde envolvia-o calmamente.

- Não dá mais senhor. Meu corpo não agüenta tanto poder. É o meu limite!

- Claro que agüenta. Agora se concentre, e não perca o foco. – Varyos observava as árvores secarem ao longo na pequena floresta, ao norte do castelo real. – Isso! Agora pare de absorvê-las e lembre-se de respirar com calma. Não se afobe jamais, ou poderá me matar se perder o controle.

- Sim senhor, entendo. – O jovem suava frio, forçando-se a controlar seu poder.

- Está sentindo a energia fluindo através de seus poros, Abraão? – Perguntou Varyos, curioso ao observá-lo.

- Sim, mas... É complicado. Meu corpo quer liberar todo esse poder. – disse ele enquanto faíscas de uma energia esverdeada tremulavam sobre seus punhos.

- Entendo a dificuldade, mas deixe seu corpo absorver o poder. Não o libere! – Varyos  fez surgir em suas mãos pequenos raios que ricocheteavam em todas as direções, num tom azulado – Para manter essa energia eu tenho de respirar pausadamente. Mas para atribuí-la a meu corpo e atingir uma velocidade muito grande tenho de me concentrar e respirar calmamente, focando apenas no meu poder, e lógico também no oponente. Por isso só posso usá-lo duas vezes, senão meu corpo queimaria como papel, pois perco a resistência e a capacidade de ter atenção. Já você tem este poder em sua própria natureza; você é um mago além bruxo, literalmente atribui energia ao seu corpo. Mas se você não souber usá-lo ele vem de forma autodestrutível, pois faltou-lhe concentração para atribuir a destruição a um ponto específico ao usá-lo como combustível, se tornando por ora muito mais poderoso. Está entendendo?

- Sim senhor. Estou entendendo bem. – disse Abraão controlando melhor suas habilidades.

- Agora preste atenção. Ao invés de liberar toda essa energia para causar uma grande destruição, você irá atribuí-lo a você mesmo, assim sua velocidade e força irão aumentar. Dessa forma poderá lutar para matar ou imobilizar o oponente. Só libere todo o poder em ultimo caso, se não puder vencer seu inimigo, pois se porventura você falhar o inimigo te matará facilmente. Seu corpo se desgastará a ponto de você não puder levantar. Agora libere a energia de seu corpo vagarosamente para que não haja uma explosão dentro de você mesmo, algo que o destruirá logo em seguida. Mas agora vamos para casa. Estou morrendo de fome e minha esposa disse que talvez preparasse um frango assado. – Varyos se afastou e observou o jovem Abraão executando exatamente o que tinha dito.

Não demorou para que Abraão estivesse pronto. Varyos se sentia orgulhoso, pois no garoto estava a promessa de ser um grande bruxo, e com muito treinamento poderia chegar ao nível de Isaías, que apesar de ser um bruxo grandioso tinha o sonho de ser madeireiro, o que ia contra os desejos do pai. 

O vento soprava forte e levava todas as folhas secas deixadas após o treinamento.
Varyos e seu aluno cavalgaram rapidamente entre as árvores altas, nas pequenas trilhas sujas, até chegarem às planícies do lado noroeste da cidade, avistando a grande muralha azul sobre a qual refletia o brilho do sol forte daquela manhã.

- Senhor, e aquela missão que farei com seu filho Isaías? – perguntou Abraão curioso, afinal os dias passavam e o general mal tocava no assunto.

- O que tem ela?

- Estou esperando mais detalhes, mas o senhor só me disse uma vez que iria me mandar, mas não falou nada mais depois disso.

- Meu filho é bem poderoso, e você também. Não é por duvidar de você, nada disso.
É apenas por precaução. Essa missão teria de ser feita por um bruxo chamado Petrycos, mas não me dou muito bem com ele. Prefiro deixa-lo de fora, e aliás ele nem está por aqui. 

- Mas quem é esse tal Petrycos, general Varyos? – disse o jovem não contendo sua curiosidade.

- É um bruxo muito forte e cauteloso, um espião. Trabalha para o reino em várias missões que podemos considerar suicidas, mas ele as executa sem deixar um rastro de sua presença.

- Eu posso fazer essa missão senhor, sinto que posso. – disse Abraão com muita convicção cavalgando contra o vento, que tremulava suas vestes.

- Eu também o sinto... Mas no momento não quero falar sobre isso. – Varyos tocou as rédeas de seu cavalo negro, dando um grande galope. Abraão o acompanhava logo atrás. 

- Senhor posso perguntar algo pessoal? – o jovem aproximou-se. 

- Fique à vontade.

- Por que se casou com uma mulher tão jovem?

- Muitas pessoas já me perguntaram isso, mas eu não sou tão velho. Ainda agüento uma mulher inteira como a minha. Agora imagine o Rei – disse ele sério, o que causou risadas em Abraão. – O que foi rapaz? – Varyos sorria com o que acabara de dizer. 

- Nada, o senhor é bem engraçado às vezes. – respondeu o jovem, galopando ao lado de seu mestre e amigo, enquanto pensava – Não pode ser, acho que estou maluco. Ela não pode ter olhado pra mim com aqueles olhos de desejo ontem, afinal demonstra a cada minuto que é louca por seu marido, ainda mais o famoso general dos generais, Varyos. E ele nem é tão velho assim... Quantos anos, senhor? – Perguntou prontamente. 

- Setenta, mas pode-se ver que pareço ter uns cinqüenta. – disse o general em um sorrio calmo, diminuindo as passadas do seu corcel de batalha. 

- Sim senhor, eu lhe daria até menos. 

- Muito o dizem, mas a verdade é que tenho uma saúde magnífica.

- Percebe-se. – disse Abraão ficando um pouco atrás, olhando calmamente o general enquanto pensava – Talvez ele esteja mandando ela me provocar, assim testaria minha lealdade, afinal eu faria a mesma coisa. Caso aconteça mais uma vez o chamarei para uma conversa em particular e então lhe explicarei tudo. E assim não ficarei mais em sua casa. 

- Ei, o que houve? Ficou sério de repente. – disse Varyos em frente aos muros da cidade, bem protegida por diversas sentinelas. 

E logo eles abriram os grandes portões feitos de madeira e ferro resistente ao fogo.
Em sua estrutura havia duas espadas esculpidas, representando o poderoso reino únifico. Assim que cruzaram os muros viram a cidade, como sempre movimentada.
Enfim chegaram à casa do general e deram os cavalos aos cocheiros. Varyos foi até a porta avistando seu perfeito jardim bem gramado, com algumas das flores mais belas e raras do reino começando a desabrochar, em um magnífico contraste com as paredes brancas. Mas antes que ele abrisse a porta foi recebido pela sua esposa Karem. 

- Meu amor, já chegou? – a linda mulher o recepcionou com um leve beijo em meio a um sorriso perfeito. – Pelo visto você esgotou o jovem Abraão mais uma vez, está até pálido. – ela deu um grande sorriso a ele, bem ao meio do jardim.

- Karem depois conversamos sobre isso. Agora vamos comer, não podemos contar histórias com esse cheiro suculento adentrando em minhas narinas. – disse o general enquanto passava por ela e entrava em sua casa, com a boca a salivar.

- Ei Abraão – gritou Karem – Venha logo, o jantar já vai ser servido. Se você deixar seu mestre comerá o frango todo. 

- Não senhora, obrigado, mas não estou com fome. – ele mentiu para ela, olhando envergonhado a mulher que o devorava com os olhos, como se fosse algo inacreditável de se ver. 

- Não brinque comigo, seu besta. Venha logo. Ah, e não sou nenhuma velha. – disse a mulher descendo rapidamente a pequena escada e pegando-o firme pelo braço, em grandes sorrisos.


CARIELOnde histórias criam vida. Descubra agora