Capítulo - 61 A sala branca

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Algumas dicas importantes:

- nunca se prostitua
- viva, com exageros
- respeite os mais velhos, eles são detentores da sabedoria
- disciplina é tudo, seja ela mental ou corporal
- a malicia é diferente da maldade, onde a bondade não se conserva no coração
- a cada objeto quebrado, colabore para a construção de outros dois novos

  Marlon Boff  

Corretor ortográfico  - ewertonalves93  

- Por favor, não me matem! – dizia o homem ajoelhado sobre seu tapete aveludado, enquanto Isaías olhava-o nos olhos pacientemente. 

- Venha aqui Isaias . – disse Abraão sério, olhando por uma greta da janela de madeira. 

- O que foi?

- Ande logo, há um exército se preparando! Cerca de quatro mil homens estão se reunindo em fileiras, do outro lado daquela grande rua de pedra. – disse Abraão enquanto olha para o velho, que murmurava algo repetidamente – Cale a boca deste velho Isaías!

Percebendo o tom ameaçador de Abraão, o velho começou a gritar, muito assustado. 

- Socorro! Socorro! – gritava ele enquanto escutava relincho e barulhos de cavalaria se aproximando. 

Isaías ficou irritado olhando para o velho, que tentou correr em direção aos fundos de sua casa. Mas no mesmo instante Isaías surgiu em sua frente, encarando-o seriamente. O velho não teve reação, apenas ficou imóvel, vendo um bruxo diante a ele. Rapidamente Isaías o degolou, abrindo um corte enorme em sua garganta , o que fez com que o sangue respingasse em seu rosto. 

- Este merda não vai gritar mais! – disse Abraão olhando a cena – Se limpe Isaías, e olha naquela direção; parece que chegou um líder, alguém diferente, até no jeito de se mover. 

- Qual deles? Todos vestem elmos e armaduras iguais. 

- Olhe à direita daquele grande e desengonçado , é aquele magrinho com uma capa indo em direção à aquele cavalo branco. Vamos escutar o que ele vai dizer. 

Os dois ficaram quietos, perto do cadáver do velho que ainda sangrava. Observaram que o homem se preparava para discursar para os presentes. 

- Homens, eu sou seu comandante Kássilos, general e líder da 5ª Cavalaria Imperial. Parece-me que a nossa trégua com aqueles malditos desordeiros foi quebrada. Para eles o meu sangue, e o seu sangue, não valem nada. Para eles o nosso exército e nossa cavalaria não valem nada! Alfieri está com mais quatro mil homens saindo pelo portão exterior da Cidade. Vamos encontrá-los e eliminá-los, sem clemência! – disse o homem enquanto saia para os portões, com sua capa tremulando contra o vento. 

- Você ouviu isso Abraão?! Parece que causamos uma matança. – disse Isaías sério, com as mãos na parede. 

- Infelizmente eu ouvi. Como sou bruxo, e não humano, não me importo. A cidade em breve estará desprotegida. Vamos procurar a prisão antes que eles percebam que não houve nada. – disse Abraão andando em direção à porta. 

- Ainda bem que trouxe um pouco do cabelo de Tberyos, pois pelo tamanho desta cidade iríamos ficar aqui até amanha tentando encontrá-lo. Vou conjurar um feitiço de localização, e depois de encontrá-lo vamos sair daqui. Dentro de algumas horas estaremos fora deste reino. 

- Só não fique pensando que fizemos algo errado, pois não fizemos. – alertou Abraão. 

- É claro que não. 

Isaías fechou os olhos, apertando em sua mão os negros fios de cabelo de Tberyos, e conjurou revelabit. Seus olhos se tornaram negros e seu corpo imóvel foi perdendo a cor. Abraão pegou uma cadeira para que ele se sentasse. Isaías parecia estar morto, e seu espírito pairou sobre a cidade procurando em todos os lugares, desde as grandes construções ao castelo real, extremamente protegido. Enfim chegou à prisão no subsolo do gigantesco castelo, muito bem protegido por mais de cem soldados fortemente armados cujos quais circulavam por todo o perímetro da região real. Bem ao fundo das masmorras apenas duas lamparinas iluminavam uma porta muito resistente, que escondia uma sala bem decorada, com três quadros, armados com lanças e espadas pesadas. Em seu interior também havia dois candelabros enormes, que faziam a sala ficar bastante clara. Mas aquilo não era uma prisão, e sim algo diferente; tudo estava limpo e organizado. As paredes eram brancas como algodão e bem ao fundo, atrás de um pano verde e grosso, quatro mesas bem compridas estavam dispostas. Em uma delas um corpo, aberto como o de um animal recém abatido. Os órgãos haviam sido retirados e conservados sem potes de vidro, envoltos em uma espécie de líquido transparente. O sangue havia sido completamente drenado, armazenado em potes transparentes. A carne estava sendo vagarosamente arrancada dos ossos. Tudo era bem conservado, mas de uma forma asquerosa. Do outro lado estava Tberyos, pendurado de cabeça para baixo. Ele tinha cortes no pescoço e nos pulsos e seu cabelo fora raspado. Seu sangue seguia escorrendo lentamente, em direção a um balde de metal. Aquilo foi demais para Isaías suportar; o feitiço se desfez e seu espírito voltou rapidamente para seu corpo. Ele respirou fundo e seus olhos voltavam ao normal, já com uma lágrima a brotar, sem acreditar no que acabara de ver.

 Para Isaías duas horas haviam se passado, pois o tempo sob o feitiço passava de forma diferente. Abraão estava do seu lado, pressionando uma grande ferida em seu peito. Ele quase não se mantinha de pé, segurando a dor que o assolava. 

- O que você viu Isaías? – Abraão esperava ansioso pela resposta do amigo, enquanto estancava o sangue de seu peito. 

- Eu vi a perversidade! – Isaías o respondeu enquanto olhava para a situação de seu amigo – O que houve com você? Por que está com essa mecha de cabelo nas mãos? 

- É uma longa história, mas antes me fale sobre nossa missão. O que houve com o príncipe?

- Ele está morto Abraão. Foi deixado como um animal, seu sangue foi totalmente drenado. O outro estava todo despedaçado; olhos, pulmões, coração, tudo foi colocado em potes transparentes sobre uma mesa, em uma sala branca. – disse Isaías. Com ódio aponto de pequenas correntes elétricas começaram a passar por seu corpo. – A vontade que tenho é de destruir tudo aqui!

- Meu Deus... Acalme-se meu amigo. No estado em que Tberyos se encontra não podemos trazê-lo de volta, é impossível. Seu pai nos alertou para que o levássemos apenas se estivesse em bom estado, então cumprimos nossa missão. 

- Exato. Então vamos voltar, não podemos ficar neste reino nem mais um segundo. Quando entregarmos este relatório iremos mudar completamente o destino de tudo que conhecemos. Estes malditos não merecem a vida, muito menos um pacto de sangue com nós bruxos. Segure-se em mim, vou nos levar até aquele paredão de pedra com um teletransporte. Assim não destruo essa maldita cidade. – disse Isaías conjurando lypotylonu. No mesmo instante eles foram envolvidos em um clarão azulado, e apareceram na Floresta Nevada, logo abaixo da parede de pedra. 

- Acho que não devíamos ter usado esse lypotylonu

- Abraão você está todo cortado! Não poderia ter saído da cidade. Diga-me o porquê de você estar assim. O que houve amigo? – Perguntou Isaías sério. 

- Vou lhe dizer quando chegarmos ao reino únifico. – Abraão tirou a camisa ensangüentada e sentou-se na areia, olhando para o céu completamente estrelado – Foi só um arranhão, logo estarei melhor. No entanto o lypotylonu acabou com você. Não devíamos ter usado, você ficou esgotado depois do revelabit. Sua alma ficou fora do seu corpo por duas horas!

- Eu sei, agi por impulso. Mas não posso mais entrar neste reino nem ficar por aqui, senão irei reduzi-los a cinzas. Vamos dormir aqui mesmo, amanhã levo a gente mais alguns quilômetros, e logo estaremos em casa. Ai desses humanos quando eu cruzar esta floresta novamente!


 Ate dia 19 - com    O sacrifício de Abraão: Uma provável morte dolorosa  


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