Ame você mesmo, seja quem você é, nunca deixe ninguém dizer o que você deveria ou não deveria ser, porque você nasceu assim, do jeito que Deus lhe fez. Ele nunca erra!
Corretor ortográfico - ewertonalves93
Abraão se mantinha quieto no sofá da sala quando resolveu se aproximar de Isaías lentamente, observando-o sério e com curiosidade estampada em sua face.
- Diga-me quem é você exatamente Abraão. Você não pode ser um simples camponês.
- Como assim Isaías? Do que está falando?
- Olhe bem Abraão, minha irmã está bem como nunca esteve. Ela está sorrindo e com a pele maravilhosa, parece que a doença dela desapareceu. E isso só aconteceu depois que você entrou no quarto dela. O que fez?
- Não sei bem o que fiz, mas fui tomado por um desejo de ajudá-la. Creio que absorvi o mal que estava dentro dela.
- Isso é incrível! Eu tenho uma dívida, não... Minha família tem uma dívida com você, a qual nós nunca poderemos pagar.
- Não se preocupe, estão me hospedando e me ajudando com meus treinamentos. É mais que o suficiente.
- Não sei como te agradecer mais, tu tens um amigo para toda a vida. Pode sempre contar comigo. – disse-lhe Isaías, estendendo a mão.
- Obrigado. – disse Abraão sério ao apertar-lhe a mão, sentindo sinceridade em cada palavra.
Depois do cumprimento entre os dois eles escutaram os passos pesados do general pela escada abaixo, se aproximando deles com um enorme sorriso.
- Abraão. – o general se dirigiu à ele como se não tivesse sentido os poderes de seu jovem pupilo mais cedo, quando Abraão curara sua filha. Era uma farsa perfeita, e Varyos olhou-o diretamente nos olhos.
- Sim meu senhor.
- Obrigado! – Varyos o abraçou fortemente, batendo em suas costas largas e fortes – Obrigado por ter ajudado minha filha, sou eternamente grato. Acabei de vê-la saudável, e sei que só pode ter sido você.
- Senhor não há pelo que agradecer, eu absorvi tudo de mal que havia nela, e logo depois lancei sobre a madeira da cama, como uma forma de defesa. – disse Abraão, observando os olhos radiantes do general.
- Isso é incrível! – exclamou Varyos – Você é um bruxo que está acima de muitos grandes bruxos do exército real. Vou lhe treinar para que se torne ainda mais poderoso, garoto. Não vejo um limite para você!
- Obrigado senhor. – agradeceu a ele, e logo depois viu a linda Alyrya descer vagarosamente as escadas. Ela usava um vestido rosa, e seus cabelos ruivos cobriam seus ombros numa ondulação perfeita, produzindo um contraste magnífico com suas sardas, cujas quais a deixavam irreconhecível.
- Pai posso sair um pouco com meu irmão? – perguntou ela ao passar olhando para Abraão com um tremendo olhar de felicidade e curiosidade.
- Sim, mas apenas com seu irmão. – respondeu o general, percebendo os olhares dela à Abraão, que se envergonhou quando percebeu que Varyos o olhava com uma das sobrancelhas atiradas, como se não gostasse do que vira. – Abraão, venha comigo ao meu escritório. Precisamos ter uma conversa. – disse ele sério, depois que Alyrya e Isaías saíram. Subiram até o corredor e pararam na primeira porta. Varyos demorou para achar a chave certa, pois havia várias juntas amontoadas em seu bolso raso, até que finalmente encontrou. Tudo estava escuro, mas num estalar de dedos todas as velas grossas e brancas nos candelabros se acenderam vigorosas. O interior parecia ser o de uma biblioteca, com quadros apresentando imagens de vários reinos. Ao fundo havia uma bela espada de cabo negro exposta como um troféu, cujo qual enchia os olhos de qualquer bruxo guerreiro.
- Abraão, Abraão... Você não se cansa de me surpreender. – ele caminhou para trás de sua mesa de madeira envernizada, repleta de papéis organizados em grupos separados. – Sente-se, fique à vontade.
- Obrigado senhor, mas por que diz isso? – perguntou Abraão intrigado.
- Você é um bruxo único, garoto. Sua atitude ajudou a salvar a vida de minha filha, e seus treinamentos estão cada dia melhor. Sinto que um dia você será um bruxo tão poderoso quanto eu ou Parks.
- Senhor não sei o que dizer. – ele ficou envergonhado com as palavras de seu mestre, palavras que o enchiam de orgulho e felicidade.
- Mas eu sei; seja forte e abrace as oportunidades que a vida lhe der para que mostre seus verdadeiros valores. Se preciso for, morra por algo justo e honesto, mas nunca desaponte quem o ama ou quem acredita em você, como eu ou o próprio Rei.
- Serei firme, e nunca decepcionarei o senhor.
- Ótimo. Mudando de assunto, o que você achou do bruxo chamado Vladmir? Aquele que esteve mais cedo em nosso jardim. – o general pegou uma caneta sobre a mesa enquanto Abraão falava.
- Não senti uma presença forte na chegada dele, mas tinha algo ameaçador que eu não sei explicar muito bem. Não me inspirava confiança.
- É o que sinto sempre que vejo aqueles olhos frios e calculistas, mas nosso Rei não pensa como deveria. Às vezes realmente acho que ele é um rei fraco, você não acha o mesmo?
- General, talvez a palavra seja ingênuo ou descuidado, pois creio que não gostaria de tê-lo por perto, muito menos na presença do jovem príncipe Rodolfo.
- Justamente o que penso. Mas agora quero lhe falar sobre sua maior missão
- Sim senhor, estou ansioso por isso há dias. – Abraão ajeitou-se à cadeira estofada à frente de Varyos.
- Será algo simples; você e meu filho entrarão no reino humano e retirarão da masmorra o filho do Rei, aquele beberrão chamado Tberyos. Creio que já esteja morto, no entanto você terá uma missão a mais, mas não falará nem com Isaías a respeito. – disse o general sério.
- Mas qual tipo de missão seria essa senhor?
- Quero que você roube uma grande mecha de cabelo humano. Não importa se for de homem ou mulher, mas traga a mim esse material. É de extrema importância, por isso não pergunte nada a mim sobre o porquê. De maneira alguma comente com meu filho a respeito disso, estamos entendidos?
- Sim, claro. Mas isso pode quebrar o pacto. – alertou Abraão, de olhos fixos no general.
- Claro, e é por isso que você matará o humano que escolher de forma natural, seja degolando ou esfaqueando no coração. Mas jamais use qualquer feitiço, pois isso o entregaria aos caçadores, e aí você seria um bruxo morto.Abraão se posicionava a favor dessa missão paralela , mas por dentro discordava. Tinha medo de causar um inferno em todo o mundo bruxo caso fosse descoberto.
- Senhor, eu posso recusar essa missão? – perguntou o jovem um pouco amedrontado. Seu coração palpitava de medo, pois era a primeira vez que questionava o poderoso general.
- Pode... Claro que pode. – disse ele em um sorriso – Mas como lhe falei dos meus planos eu seria obrigado a apagar sua mente com algo que poderia te lesar para sempre. Meu amigo, ele são apenas a escória renegada por Deus, e só existem por pena. Não estarás matando um inocente, e sim um renegado. – Varyos falava com uma voz mansa e cautelosa – Mas creio que você não recusaria, certo?
- Não irei recusar, deixe tudo comigo. Será uma honra cumprir essa tarefa tão importante. – disse o jovem um pouco desgostoso com suas palavras, mas por respeito ele as mastigou como fel.
- Então é isso por hoje. Aguarde meu chamado para partir em direção ao reino humano. – disse o general enquanto se levantava e andava até a porta, abrindo-a para o jovem Abraão, que saiu pensativo rumo ao quarto de hóspedes.
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CARIEL
FantasiEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
