As pessoas que não sabem amar a si mesmo buscam constantemente a aprovação alheia e sofrem quando são rejeitadas. Para quebrar essa dinâmica, devemos admitir que não podemos satisfazer a todos.
Nietzsche
Corretor ortográfico - @ewertonalves93
Boa leitura .. ♥
Ao ouvir a voz do Rei ecoar firme como um trovão Abraão sequer esboçou um sorriso de felicidade, pois ele sabia que, independente do ato, nenhum ser merecia ir para o óleo fervente. Mas em seu coração pulsava um pouco de paz junto ao medo que acabara de sentir, pois seu povo teria uma nova chance de sofrer menos com as injustiças.
- Já você Abraão, obrigado por abrir os olhos deste velho Rei que, lembre-se, nunca quis ferir seu povo. Nunca fui tirano, apesar de haver momentos em que o poder começa até subir a minha cabeça, mas nessas horas tenho amigos para sugerir algo melhor. Um deles trouxe você até mim. Nosso povo será restituído assim que comprovarmos tudo, pois eu sinto que você está certo.
- Você verá que isso é um grande engano Parks – disse Verbus olhando para o rei, com os paladinos imobilizando-o.
- Se eu ver que fiz algo errado, sei muito bem como consertar. Paladinos levem-no para a sala de preparação, e logo em seguida para as masmorras e deixem-no lá, até que tudo se esclareça perfeitamente. Agora saiam todos, preciso de um pouco de calma. E você Varyos, traga meu filho de volta. Se que você vai preparar os melhores bruxos para a missão e que estarei aqui com meu filho antes do Pacto de Sangue. Eu sinto isso em meu peito em cada batimento de meu coração de pai.
- Farei o meu melhor, eu prometo. Não irei falhar. – disse o general bem sério.
- Eu não tenho dúvidas, meu amigo. Agora vá, e leve o garoto com você. Dê a ele algumas roupas, comida e um teto, pois é desse tipo de pessoa que o reino precisa.
Varyos desceu as escadas do grande palácio com um sorriso leve e pensativo, observando os diversos candelabros que iluminavam o caminho. Abraão o acompanhava sem falar uma palavra, caminhando pelas ruas de pedra estreitas da grande cidade únifica. Estava frio e a noite clara mostrava a névoa que pairava pelos becos, com as carruagens passando lentamente junto às poucas pessoas que iam para suas casas. Tudo parecia novo para Abraão, que estava cheio de si por ter ajudado seu povo, e por ter honrado seu irmão.
- Se arrependeu de ter me ajudado, senhor? – perguntou Abraão se aproximando e percebendo o silencio contínuo de Varyos.
- De maneira alguma. Mas se ele for mesmo culpado, irá para o óleo fervente ou para prisão de Orion. Ele era meu amigo, sinto pelo que o destino reservou a ele. Se tiver sorte poderá ir para o fosso, mas acho difícil. Não quero falar disso mais por ora – disse o general apressando o passo, em direção às partes mais escuras da cidade.
- Tudo bem senhor, eu entendo – disse o jovem ao observar à sua esquerda as prostitutas se insinuando nas vielas, uma mais deslumbrante que a outra, e alguns senhores ricos tomando-as para seu prazer.
- Abraão, estou pensando em algo; quero que você vá com meu filho. – disse Varyos tirando a atenção que o garoto depositava nas belas mulheres que usavam roupas extravagantes – Falei com o Rei em um grupo de cinco, mas vou mandar apenas meu filho e outro bruxo. Pensei em Cezar, mas ele é muito explosivo para uma equipe tão pequena. E seus poderes são incríveis. Você seria mais útil em uma batalha, ainda mais com o que vou te ensinar antes que partam. Coisa que só você e pouquíssimos bruxos podem fazer.
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
