Gostaria de agradecer a todos que tiram um pouco de seu tempo para ler este livro ♥
Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá.
Êxodo 20:12
Corretor ortográfico = ewertonalves93
- Ei, ei, por favor. Por favor, Erik, sou eu! Olhe para mim, eu te imploro! – Disse o Conselheiro da Moeda Anuros, que também era tio do rei. Pois acabara de ver o carrasco-real se aproximando. – Me escute pelo menos uma vez, garoto!
- Eu não falo com traidores, Anuros. Ainda hoje, antes do Sol se pôr sobre o deserto, você irá morrer para pagar pelos seus crimes.
- Não estou pedindo que me salve, mas Jirys, Kalifylos e Otávio passaram suas habilidades para mim, assim eu ficaria mais ciente de tudo, então me escute.
- Do que você está falando? – perguntou Erik se aproximando da jaula, escorando-se sobre a porta.
- O Rei não é o rei que conhecemos, ele está sendo manipulado por algum bruxo poderoso. Nós não traímos nosso reino, nem o Yryo. Eu te indiquei para a guarda, lembra? Por favor, me escute. Só estamos nós aqui, meu ouça antes que seja tarde demais! – disse Anuros com os olhos vidrados no jovem.
- Eu sinto verdade em suas palavras, mas a mentira dita por um mentiroso passa-se pela mais pura e singela verdade – disse Erik virando as costas à jaula de ferro, que era perfeitamente encravada nas paredes de pedra da fria e escura masmorra.
- Eu sei meu amigo, mas olhe os outros atrás de mim. Se fossemos mentirosos para que drenassem quase toda nossa energia, era para eu estar impossibilitado de falar. Mas eles me passaram o resto de suas forças, para que eu procure uma luz mesmo que ela não exista. Mas eu a encontrei, e ela se chama Erik, um jovem que defende o reino e o povo, um jovem que tem sonhos puros em seu coração. Por favor, faça de suas palavras sua realidade; a mentira dita por um mentiroso passa-se pela mais pura e singela verdade. Você disse isso há pouco, veja quem está mentindo agora.
Ao ouvir essas palavras ecoando sobre a penumbra que os rodeava, abaixo do castelo, o jovem parou à meia distância e olhou fixamente para uma janela ao fundo, vendo o brilho avermelhado do Sol bem ao longe no entardecer do deserto.
- Diga-me mais. – disse ele, ainda de costas.
- Não quero que salve minha vida, isso é impossível. Eu abracei meu destino, agora abrace o seu. – Ao soar das palavras Anuros não se aguentou e deixou uma lágrima escorrer pelo seu rosto velho e enrugado. – Salve esta nação do que está para acontecer. Seja alguém de verdade, e não uma marionete conduzida pela vontade alheia.
- Diga-me rápido, Anuros. Eles já vêm levá-los. – alertou o jovem se virando ao ver o bruxo quase esgotado.
- Eu tenho quase certeza de que o Rei está sob o controle de um bruxo maligno, afinal eu o ajudei a crescer, e o treinei. Sou tio dele e ele condena-me à morte, sem o mínimo de consideração. Você tem uma missão: descubra tudo que puder e leve ao general Kankyo, mas vá até ele com certeza absoluta do que irá dizer. Você é a luz, então se mantenha aceso, custe o que custar. Confio em você Erik. – disse Anuros, desabando, o que fez o jovem se preocupar.
Logo em seguida uma tropa de dez paladinos veio preparar tudo para a execução, sem preocupação alguma, pois matariam traidores. Já Erik não sabia mais quem era o traidor, e em seus lábios não existia sorriso algum, pois não havia glória na morte de inocentes. Ele se pôs a pensar, e foi até o padre para pedir-lhe uma luz. Acima do frio e escuro calabouço a multidão se mantinha calma e em silêncio, ao ver o rei no alto dos degraus de seu majestoso castelo, olhando para eles. O rei viu que estavam em perfeita mansidão e começou a andar lentamente, com o vento a tremular suas vestes brancas, exibindo um sorriso calmo que no fundo era de medo e apreensão. De repente ele arrancou sua espada, leve e detalhada a ouro e prata, e a segurou firme olhando para o povo, que esperava com ansiedade suas primeiras palavras. Com um ar de seriedade ele jogou sua espada em direção ao lago, vendo-a desaparecer nas águas negras. Ninguém entendeu aquilo, e o silêncio deu lugar a uma nuvem de cochichos, e segundos depois ele falou ao povo, com sua voz firme, apontando sua mão para o lago.
- Yverynyanos, essa espada foi dada a meu avô, e ele a passou para meu pai, e depois foi entregue a mim em seu leito de morte este reino é como aquela espada que submergiu no lago, e aquelas águas escuras são como nossos inimigos, tragando tudo para o fundo, nos levando para a fria escuridão. O reino Únifico atentou contra minha vida, e ao fazer isso, o fez contra cada um de nós. Desta forma eles subestimaram o povo da areia, como eles dizem. Usaram meus bruxos de confiança para arquitetarem algo contra mim. Descobri que meus conselheiros estavam vendendo nosso reino por migalhas, mas vocês são mais que isso. Juntos somos o deserto em vida, somos a poeira da areia, somos a lâmina do vento! Eu os convoquei para que assistam a execução dos que nos traíram. E quanto à espada que nos representa... Vejam! – ele apontou o braço esquerdo para o lago, e as águas começaram a se afastar, subindo aos céus e formando duas enormes paredes em movimento. Um caminho se abriu em meio às pedras, e sobre a lama que se formara estava a espada. No mesmo momento um jovem guerreiro do exército caminhou entre as colunas de água e arrancou a lâmina do fundo do lago, aos gritos da multidão eufórica. – Mesmo que nos joguem na escuridão encontraremos a luz! – disse o rei à multidão, quando o jovem lhe entregou a lâmina. – Meu velho pai me disse uma vez; não deixe que atentem contra sua casa, não permita que roubem o teu pão nem que toquem no teu sangue. Faço dessas palavras as minhas. Como seu Rei, nunca permitirei que alguém, por maior que seja, entre e saqueie seu lar. Já fomos motivos de chacota por trezentos anos por não termos entrado na guerra dos reinos. Mas eles nunca sequer passaram de nossas muralhas, mas sim morreram no deserto. Os livros nos dizem que não lutamos nas guerras dos outros, e isso para mim é uma honra. Mas desta vez a guerra é nossa, por isso vamos cruzar o deserto e levar a perdição àqueles que atentaram contra o nosso povo. PORQUE SOMOS YVERYNYANOS! – rugiu o jovem rei, erguendo sua espada. – PORQUE SOMOS YVERYNYANOS! – e cada bruxo do exército retirou sua lamina , repetindo as palavras do rei, junto à multidão eufórica, sedenta por justiça.
Logo após o discurso do rei, foram trazidos todos os antigos conselheiros e colocados à frente do povo, despidos de suas roupas, somente com um saco negro em suas cabeças e uma túnica branca os cobrindo. A poucos passos mais à frente estava Erik, sério ao ver e ouvir a multidão pedindo sangue em nome do rei. Ao seu lado, o carrasco-real, alto e forte, andava imponente com suas vestes de couro, ouvindo a euforia do povo, que estava à espera de suas ações. Borys, através dos olhos do rei, observava calmamente a tudo junto aos seus novos conselheiros, pois seus planos se concretizaram perfeitamente. A caminhada dos condenados à frente de todos era triste, pois os mesmos que um dia os aclamaram hoje estavam crucificando-os. Foram colocados lado a lado, frente ao povo, que os martirizavam com palavras porcas, pedras e restos de comida. Então o rei pediu silêncio, erguendo os braços para a população enfurecida.
- Estes bruxos traíram não só a mim, mas também a todos vocês, e merecem o destino que os aguarda. Retirem deles o capuz, para que vejam os que os condenam.
O carrasco assumiu seus afazeres, trazendo luz aos olhos dos prisioneiros, que se esforçavam para se manter de pé, vendo seu povo observando-os com injúria, junto à sua visão ofuscada. Devido a um poderoso feitiço eles estavam impossibilitados de falar a verdade, ou mesmo de se defenderem de qualquer forma. Mas Anuros estava ciente de tudo. Mesmo com suas forças se esvaindo rapidamente ele via o povo que tanto ajudou agora o desprezando com muito ódio, o que massacrava seu coração. Aquilo, para ele, era pior do que a morte que o aguardava, e a cada segundo que passava o medo era maior, pois sentia que não havia mais esperança, afinal o povo depositava muito de sua confiança em pessoas e nada em si próprio. Desta forma suas certezas e dúvidas valiam menos que um grão de areia suja do deserto, mas teve um pouco de fé, quando olhara para o jovem paladino parado à frente em silêncio, de costas para a multidão com os olhos trêmulos e um nervosismo visível.
- Meu Rei – disse Kankyo, o Primeiro General, ao se aproximar – Devemos mesmo prosseguir com isso? Olhe aqueles bruxos, não seria melhor bani-los ao deserto? – perguntou ele ao rei, escutando o barulho aterrorizante da enferrujada roda de ferro, que era a grande guilhotina.
- Meu amigo, como me pedes uma coisa dessas? Eles nos traíram, o mínimo que eles merecem é a morte. Não vamos ir contra a lei por eles serem conselheiros reais, pois esse é o momento para mostrarmos que a lei existe para ser cumprida por todos, independente da classe social. – disse o rei Yryo tocando nos ombros do general e olhando para o povo, vendo ao fundo o velho padre se aproximar dos degraus do castelo, com o livro sagrado em mãos, trajando as longas vestes oficiais do ministério. Ele estava sério, e preparava-se para dar a extrema unção aos que estava à beira da morte.
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CARIEL
FantasíaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
