"Em um mundo onde seres humanos criam coisas impressionantes, um pedaço de papel compra tudo... até a felicidade!"
Warlesson Erick
Corretor ortográfico - ewertonalves93
Uma boa leitura a todos ...
Os ventos se tornaram quentes. Em um brilho amarelo uma enorme bola de fogo se fez à frente de Yvys, como um pequeno Sol junto aos ventos que balançavam suas vestes e deixavam as ondas ainda mais agressivas na arrebentação. Yvys estava a poucos metros de seu inimigo quando conjurou guyryolos sem muita vontade, lançando um olhar piedoso ao bruxo à sua frente. Pôde-se ouvir um grito dado pelo bruxo de vestes negras cujas quais bailavam em meio ao intenso vento que tomava toda a praia.
- Morra!
Byyly lançou contra ele todo aquele enorme poder, tão denso que evaporava parte da pequena maré. Mas Yvys, parado como estava, conjurou guyryolos novamente, fazendo com que uma barreira de água se elevasse ao céu, o que fez com que todo o fogo se transformasse em uma grandiosa nuvem de vapor a se espalhar.
Não se via nada além das ondas ao longe. Nesse momento de silêncio Byyly ouviu uma voz grave e aparentemente triste por entre a neblina, e o medo começou a tomar conta de si.
- Mortiferum acus!
Todo o vapor provocado pelo calor das chamas em contato com a grande onda criada por Yvys se transformou em milhares de agulhas de gelo suspensas sobre parte do campo de batalha. Verbus não sabia o que fazer ao ver Byyly naquela situação. Ele não teria tempo para ajudá-lo, nem sequer podia criar um escudo para ele. Era impossível para que Byyly desaparecesse tão rapidamente depois de ter lançado tanta energia confiando na vitória ao campo batalha.
Yvys sabia que havia vencido naquele momento, se mantinha parado e com o braço direito levantado, e com uma tristeza profunda ele o abaixou; e simultaneamente todas as agulhas também desceram, perfurando a carne de Byyly e pregando-o ao chão junto à maré, que se misturava ao sangue escuro, esvaindo-se calmamente.
- Agora vamos ver quem é você por trás dessa horrível máscara de corvo e também quem o mandou. – disse Yvys se aproximando, mas logo ele foi atingido por uma enorme rajada de vento que o lançou para longe, sobre a areia. E Verbus rapidamente surgiu sobre o corpo de seu amigo morto.
- Droga! Você tinha que morrer assim, idiota? – pensou ele, tocando as mãos sobre o peito , de Byyly sem saber o que fazer.
- Estou curioso para saber quem é você. – disse Yvys, se levantando sobre a maré a congelado em toda a extensão da pequena praia. – Vocês sabiam que não teria como esconder nada de mim, por isso vieram assim, cobertos. – Yvys caminhou à beira mar, e repentinamente surgiu à frente de Verbus, e começaram a trocar violentos golpes. – Quem é você?!
- Sou aquele que vai arrancar sua cabeça, seu prepotente mentiroso! Fingiu estar fraco para nos atrair para as águas, miserável!
- Você me ofende assim, mas todos os que me procuraram ou queriam saber algo ou me matar. Isso já aconteceu diversas vezes. – disse Yvys ferindo o peito de Verbus com a ponta de sua lâmina.
Verbus se afastou, lançando rajadas de fogo e vento, mas Yvys simplesmente desviou, caminhando calmamente na direção dele.
- Engraçado... Você não sangra... A pessoa que o mandou sabe muito sobre mim. – Disse Yvys percebendo que sua lâmina estava limpa, e logo depois tocou as mãos. – Essa sua roupa é enfeitiçada, não deixa que você sangre, no entanto... effusio sanguinis inimicus! – Conjurou apontando a mão esquerda a Verbus.
- O que você fez?! – Gritou Verbus assustado , perdendo o controle de seu corpo, deixando sua mortífera espada cair.
- Só estou manipulando os fluidos de seu corpo. A partir de agora você será minha marionete. O sangue nada mais é do que uma espécie de água. Já que você só pode sangrar depois de morto irei matá-lo aqui e agora, quebrando seu corpo imundo de dentro para fora. Vou torcer suas juntas até que elas se separem. Você sentirá a pior dor que um ser medíocre como você pode merecer!
Verbus tentava se mover usando toda sua energia para assumir o controle, mas não podia. Sentia seu corpo quebrando vagarosamente em uma dor absurda. De longe, Kabal via a tudo com tristeza, pois seu irmão estava sendo arrastado para a morte, e ele nada poderia fazer.
- Isso não acabará assim, seu maldito! – gritou Verbus tentando conjurar algo com suas últimas forças – Você diz que não gosta de guerras e lutas, mas tem um poder como esse e ainda o usa, seu hipócrita? – ele gritava de dor, vendo seu braço direito ser arrancado de seu corpo e ficando preso à sua veste negra.
- Acredito que toda vida, por menos que acrescente nesse mundo, deve ser preservada. Até que ela passe a não preservar a vida de seus semelhantes, e você perdeu o direito à sua quando atentou contra a minha maldita e medíocre vida miserável! – disse Yvys quebrando umas das pernas de Verbus num forte estalo, junto a um grito agonizante de verbo vendo sua perna torcendo.
Em meio ao sofrimento inevitável Verbus se lembrou de sua esposa e de todos os momentos maravilhosos que viveram. Lembrou-se de seu filho chorando sobre o berço, lembrou-se de Kabal a sorrir com suas sobrancelhas sempre frisadas, e do rei Parks o chamando de irmão.
- Então é isso? Perderei tudo para o ódio e para a ganância? Agora, em meus momentos finais, não tenho sequer o direito de me redimir? Se existe mesmo um Deus peço que me perdoe, afinal sou apenas um bruxo falho... – pensou ele, fechando os olhos calmamente e caindo em um silêncio aterrador. Conjurou com sua voz quase a desfalecer.
- ignis consumens.
Naquele momento Yvys também chegou ao seu limite. Ele estava a ponto de arrancar a cabeça de seu inimigo, mas não podia acreditar no que acabara de acontecer; perto do corpo caído de Verbus uma grande quantidade de fogo começou a surgir, rodeando-o. O calor era tão forte que Yvys perdeu totalmente o controle de seu feitiço, e em um grito de dor Verbus se consumia em seu próprio feitiço, para que nenhuma informação chegasse a Yvys. Kabal sentia orgulho do sacrifício do irmão, com os olhos em lágrimas, e mesmo de longe ele pôde ouvir Verbus gritar incessantemente o nome de sua esposa Anna em uma dor insuportável, como se ela estivesse indo ao seu encontro. Yvys desapareceu no exato momento em que a explosão chegou ao seu auge, em meio ao vento quente que consumia a praia. Em uma enorme onda de calor o velho Yvys, esgotado, apareceu sobre a grande pedra. Os ventos incrivelmente quentes haviam queimado metade de seu corpo, mesmo Yvys tendo conjurado um escudo que se rompera ao final, direcionando o calor escaldante para uma pequena floresta ao fundo, incendiando-a por completo.
Numa forte dor Yvys caminhou até a praia, quase desmaiando. Aos poucos ele regenerou todo seu corpo, e fora embora sem saber quem o queria morto, pois seus inimigos se tornaram cinzas, as quais desapareceram em meio aos ventos. Yvys voltou para sua casa, que ficava perto da praia, num pequeno bosque junto a uma cachoeira fria, cujas cascatas formavam um lindo véu branco.
Passou-se dois dias até que se recuperasse por completo da batalha que quase o matou. Ao raiar do terceiro dia, ao lavar o rosto em uma bica fora da casa simples de madeira envernizada e coberta por folhagens, Yvys escutou barulhos de passos. Por precaução retirou sua lâmina, à espera de quem fosse.
- Yvys?
- Sim. O que deseja?
- Estou aqui a mando de seu velho amigo Anguriom. O reino únifico precisa de sua ilustre presença urgentemente.
- Anguriom? – Falou Yvys, alto e curioso – Ele está bem? – Perguntou ao mensageiro, pregando sua lâmina à terra úmida. Yvys aproximou-se dele, tocando seu ombro com cautela – Então é isso. Volte Camyllos, e diga a ele que irei o mais rápido que puder. Mas antes preciso fazer algo de extrema importância. ~
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
