É pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.
Friedrich Nietzsche
Corretor ortográfico - @ewertonalves93
Boa leitura .. ♥
A tensão pairava como um gosto amargo nos lábios de Verbus, que olhava um passo a sua frente aquele jovem insolente movido pela adrenalina do momento, com os olhos fixos nos olhos do Rei.
- Sim, meu Rei. Quero lhe falar sobre este bruxo que está atrás de mim.
- Você o conhece Verbus? O que tem a dizer sobre o mesmo? – disse o Rei retirando os livros de suas pernas e colocando-os no chão.
- Esse bruxo bem-vestido, com seu sobretudo de pele é o mesmo recheado com suas honrarias – disse Abraão com lágrimas escorrendo pelo rosto – Esse bruxo é o mesmo que rouba meu povo em nome de sua soberania. Esse bruxo matou meu irmão! Esse bruxo está destruindo seu reino. – terminou ele apontando o dedo ao Rei, que se sentiu envergonhado, engolindo seco e tremendo os lábios ao olhar para Verbus e para o jovem que estava a lhe falar.
- Calma Abraão. Mais respeito ao falar com seu Rei. – disse Varyos ao que seria seu futuro discípulo.
- Calma Varyos? Calma eu estou tendo há tempos. – disse Abraão irritadíssimo – Esse bruxo, Majestade, esse maldito filho de uma puta, com o perdão da palavra, é um covarde, um destruidor de famílias. Não sei se há seu consentimento, mas esse maldito explora o povo que você chama de seu povo. Não tenho estômago para engoli-lo por muito tempo. Na cidade e nos povoados ele é sempre bem protegido, quem encosta um dedo nele toca o próprio Rei. Depois vem a punição dos paladinos reais, os mesmos que estão ao lado de cada coluna. Esse maldito não ama seu semelhante.
Verbos observou atentamente as falas de seu agora inimigo calado, e em algumas vezes despertava um pequeno e calmo sorriso frio, ao ouvi-lo falar ao Rei.
- Olhe bem, Majestade – interrompeu Verbus – o tipo de coisa que está dentro de seu majestoso castelo, fazendo frente a mim, a mim... Um líder, o Chefe da Moeda, acusado com esse tom, com essa arrogância, por esse ser insignificante – disse ele enquanto olhava para Abraão com uma expressão de nojo e desdém.
- Verbus se acalme. Ainda não estou falando com você. Por favor, espere até que eu o permita falar – disse o Rei ajeitando-se em seu trono, olhando fixamente para Abraão, pois admirava o tamanho de sua coragem. – Abraão, diga-nos o que está acontecendo. Continue, fale mais. Eu sou seu Rei, preciso ouvir tudo o que tem a dizer.
- Não há muito que dizer Majestade. Somente que os impostos são absurdos. Seu povo é esfolado, desmembrado e humilhado se não paga o que nos dizem ser o certo a pagar. Eu trabalhava em uma pousada e agora estou lutando para que meu povo não sucumba diante de tudo isso. Semana passada duas famílias e um fazendeiro não conseguiram atingir a meta, e foram mortos, enforcados para servirem de exemplo. Seu povo agora chama Vossa Majestade de tirano, não mais de Rei.
Ao ouvir as palavras soarem como flechas pontiagudas da boca de Abraão, Parks perscrutou tudo o que via em fúria, junto às sobrancelhas atiradas sobre Verbus, que se assustou com o olhar de seu Rei abrindo seus olhos negros, e continuou imóvel e respirando fundo.
- O que você me diz disso, Verbus? Poderia explicar as acusações desse jovem bruxo?
- Meu senhor, porcos não falam. Servem de alimento para a elite. – disse Verbus gesticulando – Esse ser perante a mim é um animal, um porco. Não há como debater com a própria ignorância. Como alguém que é rico e visado iria roubar um Rei? Senhor pense comigo, isso soa tão patético que me fez perder a compostura.
- Então me diga o porquê de subir impostos. Era sua única preocupação na reunião passada. E mesmo quando mandei parar de falar sobre a questão você insistia em subir os malditos impostos.
- Porque me pergunta isso, ó Majestade? Não se vence uma guerra somente com palavras e incentivos, reuniões e burocracias. Se vence com armas, capacitação e cavalos. E se houver uma guerra, temos de subir logo os impostos.
- Sobre suas ideias na reunião passada, me surgiu a curiosidade de analisar esses livros, por isso os pedi. E agora surge esse jovem te acusando de traição, que consiste em roubar o povo com altíssimos impostos. O que você me diz sobre isso? Diga-me! – disse o Rei um pouco irritado.
- Eu não tenho nada a dizer sobre isso. Agora me diga quem é esse bruxo, o que ele faz e de onde vem. Como pode me colocar frente a tal ser repugnante, trajando esses trapos? Se Vossa Majestade tivesse um pouco de consideração pelas minhas atitudes perante o vosso reino, ordenaria que matassem esse maldito mentiroso, aqui e agora. – disse Verbus seriamente olhando para Abraão, que escancarou os olhos segurando o ódio dentro de si, a ponto de suas mãos tremerem com uma leve energia que começava a fluir de seus punhos.
O Rei, ao ouvi-lo, ergueu-se de seu trono sério e imponente, olhando para os bruxos a sua frente, e também para seu general, que parecia não querer entrar no meio do debate. Só observava com cautela os punhos do jovem Abraão.
- Você está certo. – disse o Rei, ainda olhando para eles, que pararam de se encarar e dirigiram o olhar a Parks.
No mesmo momento, surgiu nos lábios de Verbus um sorriso frio e cauteloso, olhando para o pobre Abraão, que abaixou a cabeça observando as trevas que o chão negro exibia. Então quatro dos paladinos que ficavam de sentinela perto das grandes pilastras se aproximaram, já retirando suas espadas. Aos olhos de Abraão o castelo parecia um grande templo solitário, sem cadeiras e sem fiéis.
- Prendam esse bruxo imediatamente! – gritou o Rei com raiva em cada palavra pronunciada.
- Qual deles, senhor? – disse um dos paladinos olhando para Verbus e Abraão.
- Mas é claro que é esse acusador farsante, prepotente e mentiroso – disse Verbus apontando o dedo para o rosto agora triste de Abraão, que pela primeira vez sentia o medo consumir levemente a sua alma.
Abraão quase não podia suportar a raiva ao olhar para o general Varyos, afinal a morte o esperaria no castelo, e o general o havia convencido de que não morreria. Nisso Varyos se desencostou da parede, olhando para o Rei.
- Não paladino, não – alertou o Rei de forma séria – Não é desse mentiroso, farsante e prepotente que estou falando. Prenda imediatamente o Chefe da Moeda, Verbus, retire todos os títulos e honras que ele tenha e leve-o para o calabouço mais frio e fétido. Retire suas vestes quentes e deixe-o como qualquer outro prisioneiro: em trapos! Você, Verbus, é acusado de extrema traição e de roubar seu povo, como disse a testemunha que seu amigo Varyos trouxe. Tudo se desencadeou contra você, e somente o fato de haver uma acusação você já é considerado suspeito, e para tal delito a pena é o óleo fervente, e não há discussão, lágrimas ou piedade. Somente punição, se assim for aprovado no período que você passará seus dias, preso até o julgamento. E que Deus queira que você seja inocente, porque senão... – disse o Rei descendo de seu trono e arrancando a estrela de confiança real do peito do agora prisioneiro – Eu farei com que sofra a cada milésimo de segundo antes de sua morte.
Obrigado ... ATE DOMINGO .
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
