Quando tiver algo a dizer, analise muitas vezes o que será dito, pese as consequências, e reflita se o seu silêncio não seria o melhor para aquela situação.
Ivan Teorilang
Corretor ortográfico ewertonalves93
- Não é do nosso interesse que esse bruxo venha a morrer, pelo menos nesse momento. E você sabia disso, foi advertido de que ele era forte e mesmo assim tentou ridicularizá-lo, ao invés de imobilizá-lo logo no início. Superioridade não se mede humilhando um adversário, mas sendo mais eficiente que ele, explorando seus erros e contra-atacando. Foi isso que ele fez, explorou sua autoconfiança enquanto reunia todo o poder que precisava, seu tolo!
- Eu vou matá-lo! Queira o velho Nada ou não. Saia da minha frete garoto, ou eu...
- Ou eu o quê, Vladmir? – Cariel lançou um olhar irritado sobre o bruxo, que recuou ao ver um turbilhão de vento emanando do jovem, balançando todas as árvores da grande floresta até se chocar com as paredes de Murmúrios com uma presença densa e assustadora.
O general deu um leve sorriso junto a uma expressão de dor; Que ironia! Salvo pelo meu inimigo, pensou consigo mesmo antes de lentamente perder a consciência, ao ver as vestes de Cariel balançado frente ao poderoso Vladmir.
- Não há necessidade de mantê-lo vivo Cariel. Nada nunca irá saber, se você não intervier e me deixar matá-lo. Olhe para esse lixo, está morto e não sabe.
- Estou sendo apenas um intermediário. Se quisesse matá-lo teria lutado a sério desde o início, e assim talvez não tivesse levado uma surra desse nível. Agora não venha com papinho de orgulho ferido para o meu lado! Levarei o general comigo e você voltará para o reino únifico, como foi ordenado por Nada. – disse Cariel sério, frisando as sobrancelhas.
- Me subestimas Cariel? É isso mesmo? – Indagou o velho bruxo.
-...
- Fiz uma pergunta garoto, me responda!
Cariel olhava para a estrada, sentindo que alguém os observava.
- Cadê vocês... – pensava o jovem olhando para o desfiladeiro, até que os encontrou. Na surdina, eles observavam tudo que estava acontecendo ali. – Achei! – ele sorriu discretamente em direção aos bruxos de Murmúrios.
- Que poder incrível! – dizia Abylos – Agora chegou outro bruxo, vejam.
- Sim irmão. O general caiu, parece que está morto.
- Não seja tolo, Baryo. – contestou Leone – Ele está apenas esgotado. Pelo que pude perceber o bruxo que acabou de chegar é mais poderoso que o general e que o outro, que me parece fazer parte dos Cavaleiros das Trevas. Estavam sumidos, mas agora estão aqui, e seguindo Varyos.
- Podem me ajudar rapazes? – uma doce voz soou como o cantar dos anjos, ao meio da estrada rachada pela intensidade da batalha. Era uma jovem de pele negra e cabelos lisos, em um magnífico contraste. Seu corpo escultural era envolvido por um longo e justo vestido branco.
- Claro! – respondeu Weliton, o mais jovem e galanteador dos quatro bruxos, observando o sorriso daquela garota meiga e ao mesmo tempo sexy, a qual chamou a atenção de todos de uma só vez.
- O que fazem aqui? – perguntou ela.
- Estávamos vendo a batalha, você não a viu?
- Eu...
Ela os olhou enquanto uma leve brisa passava gradualmente por eles. De sua testa dois chifres pontiagudos cresceram cortando sua carne, a ponto de os bruxos ouvirem os ossos de sua testa estalarem, com o sangue banhando sua face. Eles cresciam para trás, como os chifres de carneiros negros das montanhas geladas. Vendo aquela cena assustadora os bruxos tentaram correr, mas seus pés já não eram mais capazes de se mover, pois a terra os engolia como se fosse areia movediça lentamente os tragando para o fundo.
A jovem andava calmamente, com seus olhos agora vermelhos e dentes afiados como os de uma fera faminta. Vindo até eles com passos lentos e respiração pesada como a de um monstro, mesmo que tentassem mais e mais os bruxos acabavam sendo mais rapidamente engolidos pela terra. Aquela criatura antes moldava às feições de um anjo agora se transformara em um demônio de orelhas pontiagudas e unhas cortantes. Ela se aproximou de Weliton e passou as mãos ao rosto dele, cortando-o levemente. Ele gritava enquanto um tímido filete de sangue fluía de sua pele.
- Quem é você!? – Weliton tremia e seu coração palpitava, quase saía pela boca.
- Pode me chamar de Cariel! – disse ela com uma voz duplicada, grave como a de um velho ranzinza, . E rapidamente cortou a garganta dele com suas próprias garras, e logo depois fez surgir acima de cauda um deles grossas estacas negras de madeira, as quais transpassaram-nos lentamente, dando a eles uma morte agonizante, e extremamente dolorosa.
- Ei Cariel! Me responda! Por que tanto olhas para aquele lado, seu infeliz? – Vladmir perguntava, irritado com a aparente dispersão do jovem.
- O que você disse?
- Não me diga que não prestou atenção, seu moleque!
- Não é isso. Tive que matar alguns bruxos que estavam estudando sua forma de lutar. Não é bom que todos saiam falando sobre os Cavaleiros das Trevas, ainda mais que um deles fora humilhado, não concorda? Quanto à sua pergunta; um guerreiro que subestima qualquer um antes de entrar em batalha não deve ser chamado de guerreiro, e sim de tolo. Agora se me der licença... – Cariel deu as costas a um Vladmir tomado pelo ódio.
Ele colocou a mão direita sobre o peito do general já inconsciente e desapareceu, rumo ao castelo do velho Nada, que esperava ansioso pela presença de Varyos. Vladmir frisava as sobrancelhas, inconformado com a humilhação sofrida, mas logo depois desapareceu rumo à Cidade Azul, como seu mestre havia ordenado. Enquanto viajava de volta ele procurava entender o quão poderoso Cariel estava, pois somente olhando aqueles bruxos, ao longe, ele criou uma ilusão forte o bastante para matá-los de medo.
A DICA DE HOJE E ESCRITORA - VaniadaSilva2
Taínos: os herdeiros da invasão
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
