Aquele que trabalha duro pode superar um gênio,mas,de nada adianta trabalhar duro se você não confia em você mesmo...
Naruto
Corretor ortográfico ewertonalves93
A noite passou como um relâmpago que cruza os céus em uma tempestade assombrosa, mas pela primeira vez em dez dias de uma longa caminhada eles dormiram bem. O Sol nasceu calmo por entre as nuvens carregadas, levando o frio para longe. Abraão e Isaías estavam animados para o finalmente de sua tarefa audaciosa. Caminharam até a borda do precipício e se jogaram na areia que rodeava o grande lago de águas negras que escorria em direção à floresta, em um rio profundo. Eles caíram por alguns segundos até desaparecerem em uma gigantesca explosão de vento que lançou poeira para todos os lados. Tudo era lindo, mas não havia tempo para a beleza, e sim um longo caminho em meio à floresta, agora com árvores menores e completamente sujas. Não podiam correr, pois o chão era repleto de folhas cortantes e de espinhos capazes de atravessar os pés com facilidade. A única opção era descer rio abaixo pelas margens arenosas, e assim eles fizeram, observando os enormes crocodilos submergindo em meio às folhas e galhos que apareciam no mangue. Cobras venenosas eram facilmente encontradas acima do rio, e por isso eles não dormiram um minuto sequer naquela noite. Prosseguiram rapidamente até que o dia raiou quente e formoso, e após mais uma longa caminhada pela margem do rio que passava atrás da montanha eles notaram que a floresta ia perdendo sua escuridão natural, e que o rio entrava em uma grandiosa planície que era maior que as do reino únifico. Com o passar das horas o céu se abria em um azul perfeito, o que deixava aquele cenário encantador, junto às grandes muralhas negras ao fundo, aparentemente superiores a todas as muralhas feitas pelos bruxos. Grandes construções brancas se elevavam junto aos paredões, dando certa imponência à entrada da cidade. Os dois bruxos se mantiveram espantados com tamanha grandiosidade; na extensão frontal das muralhas se cultivava trigo, já pronto para a colheita. Ao lado norte havia uma grande pedreira, na qual muitos humanos trabalhavam forçadamente, debaixo de chicotes, carregando grandes pedras em meio à lama até a margem do rio, quando eram colocadas em barcos imensos. Os humanos escravizavam seu próprio povo, e para Isaías aquilo era imperdoável. Mas isso o deu uma ideia brilhante.
- Está escurecendo Abraão. Temos que entrar, pelo que vimos de longe esta muralha é impenetrável, mas podemos entrar como um escravo comum. Assim entramos pela porta da frente. Lá dentro podemos procurar algum lugar para nos trocarmos. Assim que eles estiverem entrando, vamos nos misturar aos escravos.
- Ótimo. Mas vamos precisar de uma distração. – disse Abraão tirando seu sobretudo e camisa.
- Qual distração? – perguntou Isaías, também tirando suas roupas.
- Vamos pôr fogo nestes campos. Assim que eles tentarem apagar teremos tempo para tudo.
- Ótima ideia. Conjuramos lá de dentro e faremos surgir aqui. – Isaías caminhou sem camisa até a margem do rio, sujando-se de lama.
Logo eles se misturaram aos escravos que andavam em fila única, com algumas sentinelas escoltando-os, conversando, sem prestarem a devida atenção. Isaías não entendia como um povo conseguia viver com prosperidade escravizando seus semelhantes e isso o doía mesmo se tratando de escravos humanos. Um cavaleiro veio de encontro a eles, cavalgando rapidamente pelo caminho estreito em meio ao trigo. Ao vê-lo se aproximar todos abaixaram a cabeça e diminuíram a respiração; o homem trajava roupas negras e uma bela capa, seu cavalo de batalha avermelhado parecia ser muito veloz, além de perfeitamente disciplinado.
Em um trote magnífico o cavaleiro deu meia volta e levou todos até as grandes portas. Abraão se impressionou com o tamanho do fosso, que estava cheio de crocodilos rodeando a muralha até onde seus olhos alcançavam. Acima deles um sistema de segurança com vários arqueiros e infantaria pesada faziam constantemente a ronda. Assim que a porta se fechou Isaías viu à frente uma beleza sem igual; pessoas bem vestidas e grandes carruagens paradas. No interior das casas luzes queimavam dentro e um recipiente de vidro, como um farol. Ele não entendia como tal coisa podia funcionar. Em meio à empolgação ele mal pôde ouvir o discurso rápido de um homem que pegava aleatoriamente um dos escravos pelo braço, arrastando-o à frente de todos ao lado de uma fonte de águas calmas e escuras.
- Eis aqui um covarde, acusado de violência contra a mulher, estupro e crimes de guerra. Hoje ele será liberto. – disse o homem jogando-o ao chão, à frente dos demais cativos.
O escravo se levantou sem questionar, e ajoelhou-se em silêncio ao ver outra sentinela se aproximar, trajando roupas tão apertadas que parte de sua barriga peluda e suada ficava à mostra. Naquele momento o escravo se entregou ao seu destino ao ver o carrasco parando do seu lado, portando um pesado machado com duas lâminas afiadas. Sem dizer palavra ele ergueu seu machado aos céus e o descera violentamente sobre o pescoço esticado e trêmulo do pobre homem.
Mas a cabeça não se separou do corpo, e o sangue jorrou incontrolável pelas ruas de pedra em meio aos ossos triturados. O escravo se debatia em seus últimos esforços quando recebeu o segundo golpe. A cabeça rolou lentamente até Isaías, que tremia de raiva e ódio. O carrasco caminhou até ele, sorrindo com sangue em suas vestes cinza, abaixando-se e pegando a cabeça desmembrada. Abraão ouviu aplausos dos demais escravos e da população, e para não estragar o disfarce foi obrigado a imitá-los, mas aproveitando-se do barulho Isaías conjurou yvrytokude de forma quase inaudível, e de cabeça baixa; em meio às plantações um chama havia surgido e se espalhou rapidamente, trazendo um clarão enorme às muralhas. No mesmo instante um sino tocou, e em todos os cantos da cidade as pessoas procuraram rapidamente suas moradias. Abraão e Isaías saíram do meio dos demais escravos moribundos, aproveitando a desatenção dos sentinelas, que poucos segundos depois levaram os cativos para algum lugar no interior da cidade.
Sentado à beira das escadas de uma casa um homem já velho, com poucos fios de cabelo, viu Isaías e Abraão se misturando ao povo que estava perto de sua casa. Mas quando foi chamar ajuda Abraão o segurou e tapou sua boca, jogando-o dentro de sua própria casa. Eles entraram e fecharam a porta rapidamente. O feitor ainda olhou para trás, achando ter escutado por um instante a palavra fugitivos, mas acabou prosseguindo, pois ele sabia que o Exército Real logo travaria uma batalha contra os inimigos cujos quais ele acreditava ter desencadeado o fogo nas plantações do reino.
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CARIEL
FantasiaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
