Capítulo - 81 Amor de pai

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O trabalho persistente vence / tudo, e a miséria que urge nas dificuldades.

Corretor ortográfico  ewertonalves93 

- Diga que seu Rei está muito velho e cansado para receber qualquer um que seja. – Parks respondeu com um tom sério ao paladino, recostado em seu trono. 

- Mas senhor, é muito importante. Eu insisto que ouça. 

- Já disse que não vou receber ninguém. Basta! – o Rei se irritou, erguendo-se do frio daquele trono. 

- Mas como assim meu pai? – Tberyos não conseguia mais conter as incontáveis lágrimas que bordejavam de seus olhos, e ainda sim sorria com a mais pura felicidade – O senhor não tem tempo para ver seu próprio filho?

Ao ouvir a voz distante de Tberyos, o Rei levantou seus olhos para porta e o viu caminhando a passos largos pelo salão ainda iluminado pela luz do Sol que se irradiava sobre as costas de seu filho, trazendo a luz da boa nova do mais alto dos céus. 

- Filho?! – Perguntou Parks ainda sem ver o rosto de Tberyos, ficando boquiaberto – É você mesmo?

O Rei que antes era duro, com seu coração feito pedra de gelo, sentiu algo incontrolável que movera seus sentimentos, como um oceano em fúria

- Meu pai... Sou eu! – Tberyos se aproximou, olhando nos olhos de seu velho pai.

Parks saiu rapidamente de seu trono, respirando alívio e medo. Ele se viu cara a cara com o filho que achava ter morrido, então apalpou seu rosto e ombros, em êxtase. Não continha as lágrimas, pois sentia a forte presença de seu amado Tberyos; ela era mais real do que nunca. E não era um sonho bom ou ilusão, aquilo realmente estava acontecendo naquele momento. 

- Meu pai, como senti sua falta! Como eu queria seu abraço, meu velho! Eu te amo muito! – disse Tberyos abraçando-o forte, sentindo as batidas aceleradas de seu coração. 

- Como pode, meu filho?! Viram que você estava morto, agora eu tenho você comigo. Ah! Eu gosto tanto de você, meu filho! Não sei o que falar, apenas quero lhe abraçar forte para acordar deste pesadelo que venho vivendo. 

- É uma longa história, mas eu nunca morri. Sempre estive longe, sofrendo pela saudade, impossibilitado de revê-los. 

- Como? Esse tempo todo você esteve aqui comigo e com Rodolfo. – o Rei afastou-se levemente, olhando nos olhos de seu filho e sentindo sinceridade nele. 

- Vou lhe contar tudo, pai. Mas precisamos conversar em uma sala reservada, afinal é um assunto muito sigiloso. 

- Papai... É você? – a voz doce de Rodolfo ecoara perto da sala real. 

- Filho! – Tberyos correu em direção ao garoto, abraçando-o forte e levantando-o acima de sua cabeça, girando pelo salão entre risos e lágrimas – Eu estou aqui! Estou aqui, meu filho querido. Como você cresceu! Já é um bruxo formado, sua presença é forte. Não houve um dia sequer que não pensasse neste momento, Rodolfo! – a emoção de ver seu rapazinho crescido, depois de anos longe, não deixava Tberyos soltá-lo. – Você é especial para mim, lembre-se sempre disso! Você se parece comigo, sabia? Mas tem os olhos da sua mãe.

- Mas tem pouco tempo papai, não tem? – perguntou o garoto enquanto pegava a barba do pai. 

- Sim meu filho. Gostou da barba do seu pai?

- Parece a barba do vovô, só que mais curta e escura. 

- É que seu avô querido está velho, meu neto. Um dia eu e você teremos a barba da cor da dele. – brincou Parks. 

- Por que não conta mais histórias para eu ir dormir, pai? Só o vovô conta. 

- Escute meu filho, nunca mais o deixarei ir dormir sem um beijo e uma bela história. É uma promessa! – disse o príncipe em lágrimas. 

No mesmo instante Petrycos chegou em uma explosão de vento bem no meio do salão, procurando aquela presença familiar que há muito não sentira.

- Então eu estava certo! Era mesmo você, garoto. – disse ele aproximando-se de seu sobrinho. 

- Tio Petrycos, que saudade! – Tberyos também se aproximou dele ainda com Rodolfo em seu colo. Apertaram firmemente as mãos e logo depois se abraçaram calorosamente. 

- Papai, me deixa ir treinar com o tio Vladmir. Ele estava triste esses dias. Vou pedir para o vovô um presente para levar. 

- Então aquele velho também é seu professor? Respeite-o, ele é muito poderoso. Foi um dos meus professores também, quando tinha sua idade. Ele me ensinou muito do que sei hoje, e devo muito a ele. Diga que seu pai quer vê-lo. 

- Sim papai, eu direi. – disse o pequeno príncipe enquanto passava apressado por todos. 

- Meu filho Tberyos – disse o Rei sério – Vamos à sala de reuniões. Preciso conversar com você, e não posso esperar mais. Venha também Petrycos. Na falta de Varyos você é o principal general, lembre-se disso. 

- Você sabe muito bem o que penso disso, irmão. – respondeu Petrycos sério. 

- Isaías ainda é muito jovem para tamanha responsabilidade. Tenho medo de que o exército não o respeite mesmo ele tendo o nome que tem. Por isso não discuta, Petrycos. 

- O que houve com Varyos, pai? – perguntou Tberyos. 

- Ele foi em uma missão. – disse o Rei enquanto caminhava em direção aos corredores do castelo, avistando umas das empregadas se aproximando com um bule de chá. 

- Meu Rei, já estava lhe trazendo um refresco. – disse a velha um pouco sem graça, olhando nos olhos sérios de Petrycos, que sentia algo estranho sempre que passava por ela.

- Mas quem a pediu algo para beber? – disse ele desconfiado. 

A mulher se sentiu intimidada e começou a tremer levemente, como se estivesse sendo tomada por um nervosismo instantâneo, mas logo se recompôs e ergueu novamente o olhar para Petrycos com as sobrancelhas bem feitas e atiradas. 

- Irmão, esta é minha empregada pessoal. Sempre que tenho visitas ela me traz algo para comer e beber. – explicou Parks. 

- Você ouviu o rei, Petrycos. Vai querer ou não o refresco?

- Muito obrigado, mas não vamos beber nada por enquanto. – Respondeu Petrycos, e logo depois seguiu o Rei, deixando a mulher para trás com olhares curiosos – Abusada... – pensou consigo mesmo, balançando negativamente a cabeça. 


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