O trabalho só nos cansa se não nos dedicarmos a ele com alegria.
Corretor ortográfico @ewertonalves93
O Sol se punha além do horizonte distante, em meio às nuvens brancas que ligeiramente se amarelavam pelos raios que sucumbiam entre as montanhas ao longe, junto de uma calmaria absurda. Esse cenário ambientava um leve choro vindo da multidão, que atravessava a cidade em vestes negras enquanto emanava cânticos tomados por uma melancolia dolorosa e triste, rumo ao Jardim das Almas.
Cada bruxo levava uma flor branca e perfumada, e aqueles que não a acompanhavam faziam questão de observarem de suas janelas totalmente abertas sem dizerem uma palavra, apenas contemplando o cortejo lançando flores ao caminho, até os portões da cidade.
A estrada para os jardins era estreita, feita de pequenas pedras. E estava perfeitamente iluminada por diversas tochas que faziam um caminho de luz perto da grande muralha, protegida pelos mais versáteis paladinos e arqueiros do reino. Mas o vento frio sibilava vagarosamente, trazendo arrepios e tremulando o fogo das tochas.
As mulheres mantinham seus rostos cobertos por um longo véu acinzentado, e todos olhavam para baixo, como se tivessem sido proibidos de observar o céu daquela triste tarde sendo tomado pela escuridão . Algumas famílias choravam suas perdas, outras engoliam as lágrimas mantendo um olhar firme para as pedras, mesmo que a dor explícita em seus olhos fosse inegável.
À frente de todos estava a família real, liderando a marcha. Parks não segurava a emoção, pois havia perdido amigos na fatídica guerra que não saia de sua memória, como flashes de violência junto a intensos murmúrios de dor, gritos e sangue.
Mas sua esposa o consolava carinhosamente, abraçando-o com tanto amor que parecia poder preencher o mundo, e acalentar milhares de corações que choravam naquele momento.
Tberyos viu seu pai amuado e saiu do outro lado da fila, aproximando-se e observando-o por entre os olhares de Pâmela, cujos quais já chegaram a perturbá-lo de uma forma que ele teve pensamentos que ele jamais teria. Mas o jeito sexy e desprovido de pudor em movimentos ligeiros o deixava estagnado, refém de seu próprio corpo. Sem demora ele apoiou sua mão no ombro direito de Parks, e junto da rainha eles seguiram para o jardim, que já não estava tão longe.
Poucos metros depois eles viraram a primeira esquina perto das grandes muralhas ainda sujas pelas marcas da guerra, a qual o povo já falava que traria outras piores.
As árvores balançavam levemente com a passagem dos ventos frios junto à penumbra da noite, que trazia consigo o grito dos corvos que pairavam acima da multidão.
Não muito longe dali um grande grupo de camponeses esperava a família real e o cortejo, trajados da mesma forma com suas roupas surradas numa ansiedade velada.
Assim que a marcha passou, eles se juntaram ao grupo que seguia para os jardins, sendo recebidos com respeito.
Despercebido entre as centenas de camponeses estava o velho Nada. Ele havia deixado em seu castelo o jovem rei Yryo, o qual resolveu se trancar em seu quarto, pois tinha medo de sair até mesmo aos corredores. Nada fingia ser um corcunda sujo tomado pela lepra, mas de forma astuta ele se esgueirou pela multidão até ficar próximo da família real, no intuito de presenciar o grande funeral que aconteceria com fogo. Ao observar Parks indefeso ele cogitou, em um silêncio absoluto em meio aos sussurros e choros, raptar o jovem Rodolfo, que caminhava perto de Tberyos.
Mas ele preferiu respeitar a triste dor do momento, rendendo-se ao sofrimento dos demais. No fundo ele sabia que cada um ali presente havia perdido alguém importante, e mesmo sendo o causador de tudo que o houvera, não conseguia olhar todos aqueles olhos tristes e encará-los como algo positivo. Mesmo assim seu dever estava além da dor daquelas pessoas, e da sua própria, por tê-la causado.
Assim ele prosseguiu calmamente, disfarçando sua presença imponente para parecer um bruxo comum e indefeso.
Boryel, o líder da cavalaria, estava contente por sua vitória esmagadora ao comando dos cem mil bruxos. Conversava por sussurros com Centurion, que se mantinha entediado e de cabeça baixa, torcendo para que tudo aquilo acabasse logo. Ele demonstrava uma profunda tristeza, no intuito de mostrar ao Rei Parks o seu comprometimento com o povo, após os trágicos acontecimentos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
