Eu ainda não cheguei lá, mas estou mais perto do que ontem.
Corretor ortográfico @ewertonalves93
A noite passava rapidamente para os espiões e generais das trevas que faziam a busca no interior do castelo e também pelos arredores das encostas das três grandes montanhas que o rodeavam. O poderoso Cavalos, o primeiro dos grandes Generais, estava visivelmente tomado pelo ódio, pois não suportava mais o frio e a neve acumulada. Para ele, era uma busca irrelevante e completamente desnecessária.
A floresta, normalmente tomada por lobos selvagens, estava silenciosa; o frio não permitia a criatura alguma se aventurar pelos vales e desfiladeiros.
Mas enfim a escuridão da noite se esvaiu como um pires de água sobre o deserto seco; nem um rastro sequer fora encontrado.
O velho Nada acreditava ser impossível que aqueles dois tivessem fugido utilizando um feitiço poderoso, pois considerava invioláveis as defesas que ele próprio colocara. Perto das escadas que levavam ao pátio, ele estava sério, aparentemente tomado pela fúria. Sua expressão era de derrota, daquelas bem amargas que fazem tremer a alma.
Ele se levantou cedo pela manhã para esperar seus generais, mas nem teve tempo para o café. Fora surpreendido com a chegada de dois de seus espiões que estavam no reino Yveryano , que traziam uma notícia que o deixaria ainda mais desolado; o general Kankyo, que fora incumbido de propor uma aliança ao reino de Argamo, havia desertado de alguma forma, matando todos os espiões que o acompanhavam e desaparecendo com sua família.
Cavalos apareceu um tempo depois com um semblante sério em frente ao castelo. Havia muita neve grudada em sua roupa úmida, e apenas com um balançar negativo de sua cabeça Nada entendeu que Kabal havia escapado, levando consigo o general Varyos.
Enquanto isso no grande castelo únifico a neblina abraçava as torres mais altas da Cidade Azul que ainda adormecia, embora alguns trabalhadores já se aventurassem em suas rotinas matinais. Parks acordara receoso, afinal sua esposa estava um pouco estranha; pela primeira vez em sete anos de casamento ela não o acordara com um beijo. Pamela simplesmente caminhara até seu grande espelho e se olhava nua, enquanto penteava seus lindos cabelos volumosos. Ele foi até ela e a abraçou por trás, acariciando seus firmes. Mas sentiu a indiferença dela quando viu seu sorriso frio através do espelho, o que o deixou constrangido. Após dar um beijo no rosto de sua esposa ele a soltou. Parks queria perguntar se havia alguma coisa errada, mas sentia que não devia afinal algo também o incomodava. Mesmo transparecendo calma era impossível tirar da cabeça o que vira no dia anterior; seu amigo, que havia morrido em batalha, voltara à vida mais jovem dizendo ter falado com Deus. Havia alguma coisa fora da ordem que o destino predestinara, pois a morte é e sempre foi inviolável perante Deus. Por que Unifico estava violando-a em prol de um velho sádico e sedento de poder, que escolheu a solidão ao invés de viver com os seus? E por que este mesmo Deus deixou quarenta mil jovens guerreiros perecerem com seus sonhos? Quanto mais Parks pensava nestas questões, mais a dúvida o tomava a cada segundo sentado à cama, enquanto observava sua esposa em silêncio. Depois de escolher uma camisola ela caminhou em direção à porta, que exibia vários desenhos entalhados. Sem dizer uma palavra o deixou sozinho, e enquanto saía esbarrou acidentalmente no criado-mudo, evidenciando a bela garrafa de vinho tinto junto a duas taças que se tocaram levemente em um som convidativo de um brinde prazeroso. Cansado de seus pensamentos, o velho Rei foi até a bancada e encheu uma das taças, indo vestir suas roupas logo depois. O silêncio que antes reinava absoluto nos corredores era gradativamente destruído pelos passos confusos e dessincronizados da jovem Rainha, que respirava de forma ofegante. Bem ao fundo a penumbra bailava como em um triste crepúsculo de um dia de guerra. De repente uma porta se abriu pela metade, com a luz dos candelabros calmamente a mostrar-lhe a direção. Pâmela entrou assustada, fechando a porta sem barulho, procurando por alguém que sabia estar ali.
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CARIEL
FantezieEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
