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Boa leitura .. ♥
Corretor ortográfico= @ewertonalves93
Traga-o de volta
Com os olhos vermelhos e a aparência de um velho ranzinza, ele se apoiou sobre seu grandioso trono de mármore, inclinando-se. A dor visível em seu olhar era facilmente confundida com ódio de si mesmo por permitir que seu filho fosse à busca de justiça.
- Meu senhor, eu entendo sua dor, mas sugiro que pense um pouco – disse Varyos seriamente ao triste Rei.
Parks levantou-se de seu trono, pegando em sua barba branca e bem alinhada, e desceu devagar até o general.
- Irei ter paciência, mas não perdoarei esses malditos cavaleiros das trevas. Essa seita terá de ir por terra. E o rei que ordenou esse ataque terá a cabeça pendurada em meus portões!
- Meu senhor, ainda há outra coisa. Na viagem de volta encontrei um grupo de bruxos e eles reclamavam de seus altíssimos impostos. Temo meu Rei, por uma rebelião em breve.
- Mas que impostos? Eu cobro doze moedas enquanto Abyzaham cobra quarenta. Somos um reino próspero, não precisamos roubar do povo. Quem disso isso? – perguntou o Rei intrigado, coçando seus cabelos brancos com a mão esquerda.
- Um bruxo. Um jovem bruxo na verdade.
- Eu sei que tem alguma coisa errada. Ontem, na reunião, meu conselheiro Chefe da Moeda tentou subir os impostos duas vezes. Ele disse que seria para uma eventual guerra – disse Parks caminhando junto a Varyos pelo salão, que estava tão limpo que o mármore negro do chão refletia a chama das velas presas aos candelabros.
- O senhor fala de Verbus. Ele é um dos meus amigos mais íntimos.
- E o mais bem-sucedido, não é?
- Sim, Majestade. Mas o cargo real que ele possui oferece vantagens e privilégios.
Isso explica sua fortuna, não concorda?
- É – disse o Rei com leve ironia, chegando à grande sacada além das portas do palácio, e olhando para toda a cidade – Eu pedi que ele trouxesse os livros de registros e ele não os trouxe, até agora. Se ele estiver roubando meu povo, pagará com a vida.
- Eu entendo meu Rei. Mas não acredito que Verbus faria algo do tipo, espero – disse Varyos pensativo – Apesar de que há uma testemunha. Estava me esquecendo do garoto que me confrontou. Ele disse coisas absurdas sobre Verbus.
- Olha, vamos resolver parte por parte. Traga o garoto a mim. Assim que Verbus chegar, vamos interrogá-lo e aí veremos qual a reação dos dois.
- Sim, meu senhor. Farei isso.
- Quanto a meu filho, chamarei meu amigo e conselheiro, que já chegou para uma reunião à portas fechadas sobre esse assunto. Já disse que ele não irá perecer como um animal. Agora preciso contar a notícia para minha esposa e arrumar uma forma de falar para meu neto. Espere aqui até eu voltar... Pensando bem preciso de você na reunião – disse Parks olhando sua grande cidade com lágrimas caindo de seu rosto cansado.
Ainda sem saber dos recentes acontecimentos, o pequeno Rodolfo continuava sua rotina diária, treinando e praticando com seu professor, que também foi professor de seu pai. Um homem sério e de poucas palavras, que assustava com sua aparência por ter um semblante obscuro. Em algumas vezes parecia rude ao lidar com Rodolfo, que em sua inocência adorava-o de todo coração. Vladmir era um bruxo do fogo como todos os bruxos reais: Parks, Tberyos e Rodolfo. Apesar de vários bruxos usarem feitiços relacionados ao fogo e serem muito bons, Parks e Tberyos eram superiores à maioria. Já Vladmir não era um bruxo velho comum, pois já tinha seus sessenta anos. Mas como ele mesmo ensinava, as chamas têm de ser uma extensão do corpo do bruxo. Por isso, e pelas suas poucas demonstrações, todos o viam como um grande bruxo do fogo, muito poderoso ao manejar as chamas com leveza.
- Isso Rodolfo, preste atenção. Corrija seus movimentos. Agora levante mais o braço, concentre a energia do fogo que está dentro de você – disse ele abaixando-se perto do garoto e acertando seu braço, que estava um pouco torto.
- Mas essa parte é complicada, professor – disse Rodolfo tentando se concentrar.
- Não tem nada de complicado, garoto. Aja com a mente limpa de distrações. Agora se foque e lance suas chamas. Lembre-se: respire fundo e depois solte o ar e o fogo que flui em você.
Assim, na torre mais alta do castelo real, Rodolfo recomeçou o treinamento, tentando esvaziar o máximo sua mente para agradar seu professor. Mas nesse momento o rei chegou rapidamente, cabisbaixo e com os olhos rasos, interrompendo as aulas.
- Vladmir, você está dispensado por hoje. Pode fazer o que quiser, não haverá mais aulas por hora – disse o Rei com uma expressão triste, com os olhos a lacrimejar.
- Algum problema, Majestade? – perguntou Vladmir virando-se para o Rei, com seu olhar sempre enigmático.
- Um apenas, mas é familiar. Não irei perturbá-lo com isso. Muito obrigado pelas aulas dadas a Rodolfo, mas está dispensado por enquanto.
Com isso Vladmir saiu sério, como era de costume da sua personalidade, sem olhar para trás .
- Vovô, o que houve com o senhor? Estava chorando? Me fala! – disse Rodolfo aproximando-se de seu avô, que estava parado e pensativo frente ao neto.
- Filho há coisas pequenas e também grandiosas que nós reis, príncipes e leigos podemos resolver facilmente com nosso ouro, nosso nome e nosso poder. Mas infelizmente não podemos fazer tudo. Não driblamos o destino ou enganamos a morte. Estamos todos aqui por um propósito: sermos honrados e benevolentes. Meu filho... O seu pai, o príncipe Tberyos, foi tudo isso e ainda mais...
- Foi? – perguntou a jovem criança ao olhar para o seu avô, que já estava em prantos.
- Calma meu filho, vou explicar – disse Parks com a feição tensa, levando as mãos ao rosto para enxugar as lágrimas – Não sou muito bom com as palavras. Mas o que tenho para te dizer é que seu pai foi ferido mortalmente em um campo de batalha, contra um inimigo muito poderoso... E infelizmente, para a tristeza desse grande reino, ele foi capturado por nossos inimigos. Eu sei que é dolorido! – disse Parks vendo as lágrimas escorrerem pelo rosto de seu neto – Mas posso garantir que vou buscá-lo!
- Promete vovô? Busque ele para que os médicos o curem, eu sei que eles podem! – disse Rodolfo com a tristeza e o medo estampados em sua face.
- Eu prometo Rodolfo. Eu prometo! – disse o Rei, abraçando seu neto tão forte como se ali não houvesse nada nem ninguém. Somente a dor dos dois, como flechas rasgando seus corpos.
Foi quando Parks sentiu uma leve presença perto deles. Assustado com todos os acontecimentos, ele procurou disfarçar, como se não tivesse sentido nada.
- Rodolfo vá até os jardins do castelo. Fique por lá, pois eu ainda tenho que resolver muita coisa com o conselheiro real e discutir uma forma de trazer seu pai de volta. Ele vai sobreviver, meu querido neto. Ele é forte!
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
