Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.
Roberto Shinyashiki
Corretor ortográfico ewertonalves93
Após a última conversa em que acertaram os detalhes, a noite vagarosamente tomou conta da cidade. Abraão se despedira de todos indo em direção à casa de Varyos, acompanhado de Isaías. Já o velho general saira calado pelas ruas, indo fazer algo que dizia ser de extrema importância, ordenando aos dois que dormissem bem. E assim fizeram, mas antes Abraão fora até a despensa, pois estava faminto. Isaías passara por ele rapidamente em direção ao seu quarto, nem vira sua madrasta deitada no sofá, com um perfume que preenchia a sala. Alyrya estava trancada em seus aposentos, e a casa estava em perfeito silêncio. Abraão ia para o quarto quando viu Karem deitada, com uma camisola decotada e transparente, bem sexy, dormindo calmamente enquanto exibia boa parte de suas pernas grossas. Ele passou por ela calado, para evitar cair em tentação, sem sequer olhar para trás. Andou pelos corredores sob a penumbra da noite, olhando para baixo envergonhado por causa de seus pensamentos maliciosos sobre Karem. De repente ele esbarrou em Alyrya, quase derrubando-a, mas com um movimento de puro reflexo ele a segurou pelos braços, olhando-a nos olhos.
Ela usava uma roupa fina para dormir, o que a deixava ainda mais atraente; não era transparente em parte alguma, mas definia muito bem suas ligeiras curvas a ponto de fazer marcas em seu corpo.
- Você irá embora amanhã mesmo? – perguntou ela, afastado-se levemente.
- Sim, mas volto logo.
- Por que está tão calado e tenso? Aconteceu algo? Você estava tão extrovertido... Minhas vestes incomodam você? Se for isso me desculpe, mas há tempos não usava. Por isso está tão apertada.
- Não, não é isso... Está tudo bem. São só alguns pensamentos que preciso evitar. – disse ele bem calmo, olhando para a garota.
- Abraão, as palavras me fogem quando olhos em seus olhos. Meu corpo ferve... O que acha que deve ser? Isso é normal? Nunca havia sentido nada assim antes.
- Alyrya isso é normal, e também é bom. – respondeu ele enquanto se aproximava dela.
Movida pelo impulso ela tocou seus lábios vermelhos nos dele, e o deu um inocente beijo, calmo como a brisa dos campos sedosos. Mas logo saiu assustada, sem entender o que a levara a fazer tal coisa. Abraão entrou em seu quarto com a imagem da jovem em sua cabeça, a mulher mais linda e meiga que vira em sua vida.
Aquele beijo doce o havia enfeitiçado; algo dentro dele queria estar perto dela em todos os dias de sua vida. Ainda era muito cedo para dormir, mas ele sabia do compromisso do dia que viria, e não tinha nada de especial para fazer alem de tomar um bom banho. Bem no fundo do quarto uma banheira larga era iluminada por quatro candelabros de vinte velas cada. Era só chamar uma criada para que ela enchesse a banheira de água quente, então ele desceu até a cozinha. Tinha esperança de ver Alyrya afinal ela saiu correndo, mas não a viu. Ele encontrou uma das várias criadas do general e a pediu que lhe preparasse um bom banho. Quando ela terminou de encher a banheira, o cheiro da água perfumada tomou conta de seu quarto. Agradeceu-a e quando a viu sair Abraão se despiu, espreguiçando na banheira o seu corpo rígido, resultado dos duros treinos que fazia para ser cada vez mais um bruxo poderoso.
A água estava tão boa que ele não queria sair, até que o frio penetrasse silencioso no grande reino únifico. Despido como estava ele caiu sobre a cama macia, vendo as horas passarem. Ele apagou as velas, deixando apenas uma acesa no fundo do quarto, o que fez com que a penumbra o engolisse em um vai-e-vem constante da cortina. Pois lá fora a brisa passeava calmamente, entrando pelas gretas da janela, e foi nesse momento que Abraão adormeceu, em um sono calmo e gostoso.
De repente ele acordou assustado, percebendo que alguém o olhava em frente à cama. Como seus olhos ainda estavam embaçados de sono ele não via o rosto, somente a silhueta de uma mulher. Ela se aproximou calmamente com passos leves, como se caminhasse sobre as nuvens.
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
