Capítulo 26- Reino de Yverynyos

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Gostaria de agradecer a todos que tiram um pouco de seu tempo para ler este livro ♥   

 "Transforme as pedras que você tropeça nas pedras de sua escada." 

SÓCRATES

 Corretor ortográfico =  ewertonalves93  


                                                        Reino de Yverynyos

O sol escaldante criava miragens que enganavam o mais sábio dos sábios, sobre o deserto que se estendia por quilômetros e quilômetros, repleto de dunas e montanhas rochosas quase brancas, e em pequenas partes escuras alguns oásis traziam conforto aos que se arriscavam pela longa jornada até as cidades do reino de Yverynyos. Suas maravilhas eram tantas que facilmente se confundiam com miragens, mas toda essa beleza também era lugar de assaltantes e estupradores, conhecidos como Demônios da Areia; bruxos despreparados que usam seus poderes para o mal, pois a maldade fazia do coração deles sua morada.
Já as cidades eram gigantescas, algumas encravadas no deserto. Para matar a sede de todos, um grande rio conhecido como Imperyo serpenteava calmamente pelo deserto, levando vida ao improvável e inóspito lugar. Em suas margens a fertilidade gritava anunciando sua beleza a todos, mas a duzentos metros dali a seca predominava em rochas e areia em todas as direções. Ao meio do deserto, nas cidades banhadas com esse único rio, a cor da areia predominava marrom claro, quase branco. Suas muralhas altíssimas refletiam ao longe o brilho intenso do Sol, e em cada ponto estratégico das cidades havia uma torre ainda mais alta que suas defesas. Sobre elas ficavam dois bruxos incrivelmente poderosos na manipulação do vento, pois as tempestades de areia eram constantes, e os bruxos mudavam a direção delas, lançando-as para as profundezas isoladas. Sempre que uma grande e poderosa nuvem de poeira se aproximava um sino específico soava três vezes, e os dois bruxos entravam em ação, em uma dominação perfeita dos feitiços do vento raramente conhecidos pelos outros reinos.
Por ficar em um local de difícil acesso Yzystys, a maior cidade do deserto, nunca fora atacada por nenhum exército. No grande confronto, há cerca de trezentos anos, tentaram conquistá-la através da força, mas nunca chegaram sequer a seus muros, pois os exércitos inimigos morriam de fome e sede no deserto, e isso deu o nome de Deserto das Lamentações à vasta imensidão de areia que eles enfrentavam.Com isso foram facilmente emboscados, pois o povo da areia, como era conhecido, sabia tudo sobre seu reino; atalhos, lugares de constantes tempestades, além de ter em mãos os poderosos feitiços do vento, que ajudavam a criar incríveis tornados de areia e fogo o qual devastavam qualquer inimigo despreparado.
Na grande cidade de Abyylys, onde ficava o castelo Nery, os bruxos em sua inocência não sabiam o que os aguardava. Os dias eram como outro qualquer e suas vidas seguiam a mesma rotina; caminhar e negociar sobre as ruas, todos com grossos panos que tapavam quase inteiramente suas faces, pois fortes ventos sempre circulavam, e traziam leves tempestades de areia. Mesmo tendo sua direção mudada, pequenas correntes passavam sobre a cidade, visíveis na penumbra dos becos e vielas ou sobre os móveis de qualquer moradia. Mas no sul do reino a fertilidade encontrava, vinda de todas as direções. Logo após as duas maiores cidades do deserto, o reino continuava por quilômetros através das dunas e montanhas. Conforme se mergulhava para dentro da imensidão do reino, ele lentamente ficava mais verde, e a terra se tornava úmida, fazendo com que tudo que quase não tinha vida desse lugar a uma floresta repleta de animais e vegetais só encontrados ali, onde também havia pequenos rios e cachoeiras grandiosas. E seguia-se por dias, até o pequeno coração do mundo, como dizia o rei Yryo. Em meio à floresta, pode-se ver uma cidade monumental, com prédios tão grandes que do alto deles podia-se avistar o confronto da vida no encontro da floresta com o deserto árido. Nas praias tudo era perfeito, desde o mar azul à quantidade de peixes. Um cenário perfeito para a pesca e navegação, diferente de outros mares que eram agressivos em sua grande parte. Os grandes navios de guerra, ancorados nos portos, eram suficientes para assustar até o mais poderoso dos generais. Já a infantaria, por treinar no deserto e na floresta, se tornou resistente e cautelosa, e sanguinária em sua maioria, tornando-se um poderoso exército violento.
Mas o castelo real sempre predominava no deserto, às margens do rio Imperyo, para demonstrar poder e resistência aos outros reinos. Ficava bem no centro da cidade, onde também havia oásis de águas azuis que misturadas às águas escuras do rio formavam um grande lago que produzia frescor em meio ao calor, junto a um vento levemente constante que conduzia as palmeiras num magnífico vai-e-vem. Um largo caminho de pedras fazia trilha até o castelo frente ao lago, e diante da cidade sua beleza era refletida como um espelho pelas águas calmas, junto a várias estátuas de antigos reis imortalizados em granito negro que embelezavam ainda mais a margem do lago, com a grama verde e sedosa sobre o chão.
Não demorou muito para que uma explosão de vento frio surgisse no salão real do castelo. Sério, o velho nada surgiu escorado em sua bengala, observando atentamente tudo a sua volta, despertando um belo e calmo sorriso enquanto olhava para os guerreiros reais, que o observavam com a curiosidade a saltar de seus olhos. As paredes, revestidas em calcário, eram magníficas, e em cada ponto específico havia uma estátua branca feita perfeitamente à imagem de alguns dos reis mais importantes que já haviam governado. Ao fundo, o trono era perfeito, em ricos detalhes esculpidos à mão. Nele estava sentado o rei, agora perfeitamente tranquilo. Todos os guardas reais já sabiam da chegada do tal novo conselheiro muito poderoso do qual o rei havia falado, por isso nenhum deles se espantou com a chegada repentina do que seria um aliado. Assim havia dito o rei, sob o controle de Borys, um dos mais maléficos e poderosos bruxos das trevas, que estava em algum lugar do grande castelo. O rei então se ergueu do trono com um largo sorriso, olhando para o velho Nada.

CARIELHistórias para pegar e não largar. Descubra agora