O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.
Platão
Corretor ortográfico @ewertonalves93
Parks se manteve imóvel, estagnado ao desespero sem mostrar reação alguma, como se tivesse perdido parte de sua alma ao ver os escudos desaparecendo lentamente. A cidade queimava, pessoas gritavam atrás dos muros, e aquilo era a pior das torturas para ele.
O velho Rei então respirou profundamente, sentindo que todo o mal do mundo pousara sobre si. Levantou os olhos ao topo da muralha de pedra, observando as chamas se exaltarem com ferocidade. Viu que os bruxos de seu exército sentiam medo e pavor de serem aniquilados. Era quase impossível para ele acreditar em seus próprios olhos.
- Pai... A cidade! – disse Tberyos, percebendo uma pequena lágrima nos olhos do Rei. Mas Parks mudara imediatamente seu semblante.
- Meu senhor, acalma-te. – falou Yvys – A cavalaria se aproxima, já posso senti-los.
Parks via o medo estampado nos olhos de seus guerreiros, então caminhou à frente e tocou o ombro do bruxo do vento que retardava o avanço do inimigo.
- Chega, Gerverom! Deixe com a gente a partir de agora. – disse-lhe o Rei bastante sério, tocando as mãos – Ignis Foramen! – uma forte energia emanava dele, enquanto observava à frente aquele exército negro – Eu sempre relutei a não me tornar o que meu avô e meu pai se tornaram no decorrer de suas vidas. Mas hoje não vejo esperanças. Hoje eu levarei a morte a meus inimigos!
Gerverom soltou as mãos quando viu tamanho poder, e se afastou da barreira que lentamente fora desaparecendo. As tropas únificas rapidamente se posicionaram, estupefatas com o poder de Parks. Os bruxos yverynyanos se preparavam para avançar, quando um vento intenso passou sobre eles, obrigando-os a contemplar um Rei tão furioso quanto poderoso, com sua capa ricocheteando contra vento. Parks elevara umas das mãos ao céu, e sobre ela uma bola de fogo surgira lentamente em meios àqueles ventos, tão grandiosa quando o Sol. O velho Rei únifico era diferente de seus antecessores; possuía um poder tão grande que poderia dissipar metade do exército à frente com apenas um golpe, mas a ética e a moral das quais ele herdara suas ideias de paz o impossibilitava de lutar de uma forma esmagadora, o que causava críticas sobre suas capacidades, sendo considerado por muitos um rei fraco por sempre perdoar seus inimigos.
- Era disso que eu estava falando! – exclamou Gerverom, enquanto passava por Parks, que o agradeceu balançando positivamente a cabeça em um cumprimento singelo.
Seus olhos não eram mais os mesmos. Emanava dele uma confiança em meio à maldade de um destruidor. Haviam levado um Rei à sua fúria, agora ela caía sobre o exército negro, que se manteve inquieto perante o Sol na terra.
- Vamos começar destruindo alguns destes malditos! – gritou Parks ao lançar a enorme bola de fogo em direção ao exército inimigo. Os yverynyanos tentaram se defender com escudos de energia ao verem aquele clarão se aproximar como se o Sol, em seu dia mais quente, caísse sobre eles.
Os generais das trevas, junto ao Rei Yryo, olhavam atônitos tal poder. Eles se prepararam para tentar rebatê-lo, e se fracassassem a metade de seu exército pereceria. A bola de fogo de Parks era um feitiço equivalente a um poder ômega.
- Preparem-se! – gritou Yryo, tocando as mãos e sendo acompanhados pelos generais. Eles já sentiam o calor da morte de aproximando como um fogo consumidor a clarear seus rostos assustados em meio a um vento intenso e quente que chamuscava a relva umedecida pelo sangue.
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
