Nunca confie em alguém que fale bem de todos.
John Collins
Corretor ortográfico @ewertonalves93
- Você viu aquilo Yvys? – perguntou Abraão, se aproximando da linha de frente do exército únifico.
- Não comente com ninguém por enquanto. – disse Yvys sério, antes de se relatar ao Rei – Meu Senhor, leve Isaías para as Muralhas. Ele se recuperará rapidamente.
- Não precisa, meu Rei. Estou bem, só um pouco atordoado. – objetou Isaías, se recompondo – Eu continuarei na batalha.
- Pai, vá até os limites das Muralhas e convoque os arqueiros. Precisaremos deles mais do que nunca. – disse Tberyos, com sua espada já empunhada.
- Preparem-se! – gritou Petrycos ao arrancar violentamente sua espada, sendo acompanhado por todos à linha de frente – Abraão, Isaías, Tberyos, Yvys, Centurion, Erik e Gerverom – ele fez a chamada – Venham comigo, vamos proteger nosso exército! – ele observava o exército inimigo vindo com cinco generais das trevas à frente dos yverynyanos – Guerreiros! Preparar espadas!
- Preparar espadas! – gritaram todos, puxando suas lâminas.
- Este é o momento decisivo! Não podemos fraquejar! – gritou o irmão do Rei – Atacar!
Eles correram em direção ao poderoso exército yverynyano, que vinha completamente diferente, com uma postura firme e mantendo sua linha de frente em uma organização esplêndida junto à lama embebida em sangue, cenário que havia se tornado palco de uma destruição incomensurável. Os dois exércitos corriam encorajados em meio aos cadáveres ora enlameados e com suas vísceras expostas, ora incinerados pelas chamas que ainda queimavam sob a forte chuva gélida. A brutalidade de seu encontro mortal fez com que o barulho das lâminas ecoasse, como se cantassem de forma ininterrupta a mesma melodia sem ritmo, cuja qual exaltava a dor em gritos desorganizados. Em todos os ângulos do campo de batalha o cenário se tornara assombroso. O exército únifico já estava cansado, mas os yverynyanos lutavam com perfeição; suas rajadas de ventos cortantes destruíam os escudos únificos, dilacerando os soldados que não viam mais opções, a não ser a de esbravejarem pela vida que parecia fugir de seus olhos. Acima da muralha um pequeno grupo de arqueiros era quem mais causava danos aos yverynyanos, atirando com precisão e cautela, carregando todo fardo de lutarem por suas vidas e pelas vidas de seus companheiros.
Parks encostara-se ao fundo da muralha, enquanto via seus bruxos morrendo sem poder fazer nada, pois estava tão desgastado e cansado como eles. Mas mesmo assim se dirigiu outra vez ao centro da batalha, com o resto de suas energias. Abraão e Yvys lutavam como loucos, desviando os ventos que eram lançados em sua direção. Nesse momento os Generais das Trevas decidiram se concentrar nos mais fortes do exército únifico. Cavalos surgira em frente ao velho Anuros, que manipulava os ventos de forma impecável. Eles trocaram rajadas e mais rajadas em meio a todos os outros, como se eles não estivessem ao redor. Mas em um movimento preciso o General acertara Anuros no peito com sua espada, atravessando-o instantaneamente. Em seguida lançou sobre ele um poderoso feitiço de ventos congelantes, que petrificou o sangue do velho conselheiro yverynyano, fazendo-o morrer de olhos abertos. Ao ver aquela cena, Erik matou o bruxo com o qual lutava e fora em direção ao velho Anuros, tomando a luta para si. Mas Cavalos era infinitamente mais poderoso; com apenas um golpe feriu-o gravemente, e ao vê-lo cair perto de Anuros o general arrancou a lâmina que cravara no ombro do jovem paladino, dando um sorriso de pura maldade. Ele iria decapitá-lo, mas Petrycos o segurou pelo braço, e por um breve segundo trocaram o que seria o último olhar entre eles. O General se transformou em uma fumaça negra, surgindo um pouco à frente de Petrycos, que manuseou sua espada sobre o vento, indo onde estava Cavalos. Começaram então a trocar golpes e contragolpes; o General lançava fortes ventos sobre Petrycos , que facilmente se esquivava. Os dois tinham basicamente a mesma quantidade de poder, e lutavam de igual para igual.
- Chega! – disse Cavalos tocando as mãos, lançando uma enorme esfera de fogo e vento sobre Petrycos e seus aliados.
- Realmente chega, seu verme! – respondeu Petrycos, conjurando outra esfera enorme, jogando-a em Cavalos. As duas esferas então se chocaram, lançando fogo para todos os lados. Mas o exército únifico começou a se dispersar; as perdas eram muitas, estavam sendo esmagados. Era impossível lutar contra os yverynyanos naquelas condições.Em meio a uma infinidade de guerreiros do exército negro Centurion lutava com duas espadas, mostrando toda a sua grandiosa habilidade, lançando potentes rajadas de fogo que matavam vários yverynyanos. Em um canto próximo Yvys lutava sozinho, pois Abraão se afastara para lutar ao lado de Parks, que se recusava a abandonar a batalha. De repente dois Generais apareceram para confrontar Centurion. Yvys vira aquilo e em um impulso motivado em ajudar o comandante únifico, aparecera próximo dele.
- O que veio fazer aqui?- indagou Centurion atentamente. Com apenas um toque Yvys poderia descobrir tudo a respeito da Sangria e suas verdadeiras intenções.
- Vim ajudá-lo, oras! – disse o velho Yvys, defendendo-se de um golpe e já contra-atacando um dos Generais.
- Isso é desnecessário – disse Centurion de forma ríspida, partindo para o ataque.
Mas fora surpreendido por uma enorme rajada de vento lançada por Cavalos, que havia abandonado a luta contra Petrycos. Centurion fora lançado para longe, sendo rodeado por alguns yverynyanos, mas já havia conjurado um escudo de energia. Ele desapareceu, surgindo à frente de Cavalos, que anulou o golpe e lançou outra rajada de vento sobre ele, mas Centurion se esquivou, aparecendo à direita do General e contra-atacando com uma gigantesca rajada de fogo. Cavalos desintegrou-se em partículas negras, e se afastou, deixando Centurion como o alvo perfeito de outro general, que lançara uma enorme rajada de vento sobre ele. Yvys rapidamente largou o combate contra seu inimigo e se pôs à frente daqueles ventos, pegando Centurion pelo braço e o empurrando para fora do raio de ação do feitiço, parando parte das rajas com apenas uma mão. Mas nesse momento todas as informações sobre a Sangria passaram para ele como um rio que corre em direção ao mar.
Yvys não podia largar aqueles ventos ou perderia o braço. Mesmo assim contou com a sorte, acreditando que o comandante não tivesse tempo de reação suficiente para atacá-lo. Assustado e cercado por inimigos, sabendo que estava perdido, Centurion deu um giro rápido e preciso com seu braço esquerdo, e usou toda a força que ainda tinha para decapitar o velho Yvys. Os ventos cortantes que ainda não tinham sido rebatidos abateram-se sobre seu cadáver, dilacerando-o e jogando-o lentamente sobre a lama. Ao ver aquilo Cavalos deu enorme sorriso, balançando negativamente a cabeça para Centurion enquanto preparava um novo ataque, mas segundos depois Abraão surgira ao lado de Centurion, que forçava uma lágrima com sua face banhada em sangue enquanto os generais das trevas partiam para o centro da batalha. Até aquele ponto, o exército negro obtivera uma vitória incontestável.
- Meu Deus... Yvys! – exclamou Abraão, em choque.
- Eu tentei salvá-lo... – disse Centurion, com uma lágrima tímida escorrendo pelo seu rosto, caindo em direção ao corpo destroçado de Yvys.
- Como isso foi acontecer? – gritou Abraão.
- Eu não sei... Quando me aproximei ele já estava sob um feitiço. Não sei como vou tirar aquela cena da minha cabeça, Abraão! – lamentou Centurion em meio ao choro – Eu vi quando eles o decapitaram!
- Calma, meu senhor. Não podemos fazer nada, apenas vingá-lo. – disse Abraão, indo em direção aos generais.
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CARIEL
FantasiaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
