Capítulo -67 Despedidas

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A persistência é o caminho do êxito.

Charles Chaplin

Corretor ortográfico - ewertonalves93 


Varyos se levantou logo após os primeiros raios de sol brilharem no horizonte. Sua cabeça doía fortemente, mas lá no fundo ele sabia que precisava de um porre para aquietar seu coração por vezes cheio de ódio, o que ele disfarçava com sorrisos e uma fala mansa, sempre regada de ironias e falsidades. O cheiro de café forte pairava, impregnando toda a sala com aquele delicioso aroma. Isso foi o bastante para que o general descesse um pouco apressado para degustá-lo calado, sozinho à mesa. Ele mandou que um criado acordasse o resto da família antes que todos seguissem para seus afazeres, e não demorou para que estivessem pela sala. Abraão também estava por ali, observando a todos de um canto. 

- Aproxime-se também Abraão, você faz parte da família, ou irá fazer. Há coisas que nem eu posso evitar. – Disse Varyos ao olhar para a filha, que corou e cruzou as pernas. 

- Sim senhor. 

- Sente-se. – o general indicou uma cadeira a Abraão, ficando em pé à frente da família reunida. – Isaías e Abraão, vocês desvendaram uma possível trama, ou melhor, nós desvendamos. Pelas palavras do Conselheiro, tudo pode estar sendo calculado para o fim do Pacto, e para o início de uma batalha entre povos bruxos e humanos. Foi o que discutimos ontem na Torre Sul do castelo. Apesar de ter visto os humanos uma vez e apenas de longe, sinto que eles não são uma raça fraca e inocente que acreditávamos ser por décadas e décadas de árduos debates. – ele fez uma pequena pausa antes de prosseguir – Pelos relatos feitos e vividos por Abraão e Isaías eu estava certo; os humanos não são nada frágeis, e o fato de haver um bruxo no meio deles dificultou ainda mais, pois uma guerra agora significa morte ao nosso povo. Suspeitamos que o tal bruxo possa ser um Cavaleiro das Trevas arquitetando algo para prejudicar todos os reinos... Mas o Rei foi sensato! Decidiu poupar seu povo da guerra, guardando toda dor e mágoa, que está prestes a explodir, dentro de si próprio. Ele meu deu uma grande missão; cavalgarei até a Cidade Suprema e alertarei o Conselho Primordial sobre nossas suspeitas. Com toda a certeza eles enviarão os caçadores para procurar os malditos Cavaleiros das Trevas, assim evitaremos um massacre. E meus planos enfim soarão como uma bela canção em um dia frio. 

- Que planos, pai? – Perguntou Alyrya. 

- O plano de ver meu povo feliz, sem guerras, sem sofrimentos. Prestem bastante atenção: um dia nós todos teremos o direito de decidir

- Pai, isso é grandioso! Permita-me acompanhá-lo. – Pediu Isaías sério, olhando para seu velho pai, que parecia não ter gostado da missão. 

- Seria uma honra tê-lo ao meu lado nos salões do Grande Conselho, mas preciso de você aqui, cuidando da nossa família e da cidade. Na minha ausência você é o general dos generais. Lembre-se do poder do nosso sangue, do fardo de nossa família. – o velho general sentiu orgulho do filho, por sua coragem. 

- Compreendo, meu pai. 

- Não posso pedir que fique, meu esposo. Mas posso pedir que tome cuidado. Não se arrisque; você é o todo poderoso Varyos, mas não é mais um jovem. Não gaste suas energias atoa, sua família te espera aqui, sempre com um sorriso no rosto. – disse Karem. 

- E eu não sei, mulher? – Brincou Varyos com um sorriso sem graça enquanto ajeitava sua barbicha, não dando muita atenção a ela. 

Vendo aquela cena Abraão passou as mãos sobre o rosto envergonhado enquanto coçava sua barba que havia começado a crescer, pensando consigo sobre como ela era cínica.

CARIELOnde histórias criam vida. Descubra agora