Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.
Albert Einstein
Corretor ortográfico - ewertonalves93
A chuva sorrateira caia em pequenos cordões brancos, sendo levada pelos ventos insaciáveis sobre parte da grande Floresta Nevada. As árvores forravam todo o chão com folhas secas que apodreciam devido às constantes chuvas na região conhecida como Lágrimas de Sal, tornando-as negras e fétidas.
Era a parte mais fria e úmida de todo o primeiro interior da grande floresta, já dentro do pequeno reino de Hamitas, o maior e mais próximo à fronteira com o pacto, e também o mais produtivo, onde o cultivo de especiarias era ilimitado devido à grande qualidade da terra. Todo o reino de Hamitas era coberto por um único e grande rio que passava em frente às incomensuráveis muralhas da primeira cidade, onde morava o rei mais jovem dos três reinos humanos, o mais ambicioso, mas ao mesmo tempo o mais gentil para com seus semelhantes.
Diferente de seu pai, conhecido como Carrasco do Oeste, um velho rei mau que levou seu próprio povo à desgraça de uma guerra contra o segundo maior reino humano que durou nove anos, apenas por um mal entendido. Já em sua velhice e com a morte espreitando-o ele formulou um pedido de desculpas oficial ao reino vizinho, acertando assim a paz com a grande maioria do reino. Mas uma cidade chamada Oráculo, que tinha o irmão do rei como seu regente, não aceitou esse pedido e continuou a guerrilhar insistentemente, mesmo contra a vontade absoluta dos demais aliados, o que levou a mesma a se destituir do segundo maior reino, ficando assim à mercê da destruição pelo exército hamita.
Ao sul do reino as montanhas de calcárias eram enormes e maravilhosas, algo único que atraía milhares de viajantes em expedições ao topo. A maior delas, conhecida como Mirante dos Deuses, tinha nove mil metros. Em certa parte as pedras brancas davam lugar ao gelo e riachos congelados. De seu cume se avistavam as muralhas do reino bruxo únifico, em toda sua grandiosa extensão. O Rei Alfredo V havia feito uma cabana bem acima das nuvens, cuja qual só abrigava os reis fortes o bastante para vencer o frio e a dura caminhada até o cume. No caminho eles encontravam cemitérios perdidos de pobres corajosos que perderam suas vidas pelo frio e vento constantes.
As cadeias de montanhas menores ficavam perto da extensão do pacto, e nelas o calor era excessivamente agressivo; as pedras eram tão brancas que ofuscavam os olhos dos viajantes. Além da floresta a vegetação se mantinha sorrateira, cobrindo o chão com pequenas plantas que cresciam em meio à terra seca e pedras brancas até a grandiosa Floresta de Geru, onde a vegetação se contrastava com os arvoredos altíssimos e com o chão úmido. A mudança de clima chegava a ser assustadora, mas nada tirava daqueles que cortavam caminho de um reino humano a outro, através das montanhas, conhecidas pelos viajantes e principalmente pelos mercantes como Montanhas de Sal.
O reino em si mais parecia uma miragem de tão perfeito em suas grandiosas construções. As muralhas da primeira grande cidade podiam ser vistas de longe, e seus prédios e casas estavam todas perfeitamente alinhadas umas às outras. Suas ruas eram cobertas por pedras perfeitamente encaixadas como um enorme quebra-cabeça, o que transformava uma simples passagem em um singelo monumento em que o verde da grama que nascia por entre as gretas produzia um toque especial, sendo magnífico até para os mais acostumados com algo tão formidável. Já o grande rio de águas negras e profundas, infestadas de crocodilos e piranhas, era perfeitamente navegável, possibilitando a pesca e o cultivo em suas planícies férteis.
As muralhas tinham um vasto fosso de cinco metros de profundidade e dez metros de largura, e os crocodilos e piranhas famintos espreitavam, trazidos através de um longo desvio das águas do rio. Para entrar na cidade era necessário baixar uma enorme ponte de madeira e ferro, cuja qual era a segunda entrada das duas disponíveis a todos. Sobre as muralhas vários homens faziam a guarnição com arcos, e qualquer um deles podia tocar um sino em situação de perigo, o que colocaria a tropa real de dez mil homens em alerta máximo imediatamente.
À noite a cidade e a muralha jamais ficavam tomadas pelo escuro, pois eles tinham lamparinas que usavam óleo de baleia como combustível, as quais eram caçadas em grandiosos navios pesqueiros e comercializadas em vários lugares do reino, gerando uma grande riqueza para diversos empreendedores. Os humanos sempre se vestiam de forma elegante, andando em carruagens ou montando cavalos de raça, e as ruas eram fortemente vigiadas por guardas armados com espadas e lanças, vestindo leves armaduras que protegiam todo o corpo.
Era uma sociedade belíssima, apegada aos princípios da religião. Apesar de os humanos serem considerados fracos perante Deus e não possuírem o domínio da magia, eles cresceram em criatividade. Além de terem cidades com lindos prédios eles também possuíam um vasto sistema de estratégias de guerra, seja na defesa ou no ataque. Por isso todos os jovens eram obrigados a entrar no exército aos quinze anos, podendo decidir entre três categorias: a dos arqueiros, a cavalaria e a classe dos espadachins, que também incluía infantaria e a subclasse dos navegadores, uma das mais arriscadas funções, pois eles deveriam encontrar rotas marítimas e mapeá-las.
Por toda essa disciplina o exército humano não temia nem a própria morte. Sua maior força era a grande cavalaria, formada apenas por cavalos brancos, sendo vinte e cinco mil soldados divididos em cinco legiões, o maior orgulho do reino de Hamitas.
A ciência humana era feita de alquimistas que trabalhavam duro todos os dias para criar, a cada ano, algo novo para o reino e para o exército, e uma das experiências mas poderosas foi a descoberta da areia negra, ou pólvora. O maior alquimista do reino, Efyrim, desenvolveu com ela uma arma para a infantaria, que era usada apenas em momentos cruciais, pois seu poder destrutivo assustava até os que a possuíam.
Para usá-la, e o Rei e o grande cientista criaram uma divisão especial; a tropa de choque de uniforme negro, conhecidos com FF, ou Ferro e Fogo. Eram responsáveis por manusearem os dragões de ferro, a arma criada por Efyrim que lançava uma enorme bola de ferro envolvida em fogo, impulsionada pela areia negra altamente inflamável. Seu poder destrutível era tão grande que destruía muralhas, e enquanto era usada vários guerreiros defendiam a cidade de qualquer inimigo.
O castelo real era branco com as casas e prédios importantes da cidade, e ficava bem no centro. Era conhecido como o coração do mundo, uma construção magnífica com quatro grandes torres, as maiores dentre todas .
Essas torres se elevavam ao céu de maneira assombrosa, e os pássaros regozijavam sobre elas. O Rei costumava dizer que o castelo era uma fortaleza dentro da fortaleza, sempre bem protegido por arqueiros. Em cada torre havia dragões de fogo e soldados de infantaria fazendo a ronda diariamente, hora após hora, evitando assim qualquer ataque surpresa vindo de qualquer reino existente.
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CARIEL
خيال (فانتازيا)Em uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
