Gostaria de agradecer a todos que tiram um pouco de seu tempo para ler este livro ♥
Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
Platão
Corretor ortográfico ewertonalves93
Medo e Dor
- Meu Rei – disse o padre se aproximando ao observar os bruxos que iriam substituir os conselheiros.
-... Padre – disse Borys cauteloso, observando tudo pelos olhos do rei – Reze suas preces pelas almas que irão perecer, mas seja rápido.
- Sim Majestade – disse ele descendo as escadas lentamente e com os olhos arregalados, pois o que o jovem paladino havia lhe falado ele acabara de vivenciar, tendo certeza absoluta das suspeitas a ele contadas.
Enquanto descia cuidadosamente, tentando disfarçar a preocupação com um sorriso às sentinelas que ficavam a cada metro até o fim da escada, o rei chamou um dos novos conselheiros.
- Quem alertou a Igreja sobre isto?
- Senhor a Igreja sabe de tudo. É impossível esconder algo dela, sabes disso.
- Eu sei, mas esse padre deveria ter ficado longe hoje. Não quero que nada disso chegue à Cidade Suprema, então o mate antes que ele faça um relatório e jogue-o em algum buraco sujo.
- Sim senhor. – disse o bruxo, sério, olhando para frente e mantendo sua postura serena.
O padre havia chegado onde os condenados estavam, passando ao lado do carrasco, que visivelmente queria acabar logo com aquilo. Seus olhos, por trás da mascara de couro cozido cobrindo sua face, estavam inquietos e avermelhados; era claro que ele não gostava de barulho nem de multidões, e aquilo tudo o irritava. O velho padre pousou a mão sobre a cabeça de cada um dos prisioneiros. O último foi Anuros, que o tempo todo olhava nos olhos de Erik. Quando chegou sua vez ele sentiu o toque do padre trazendo à tona toda sua vitalidade, renovando seus poderes. Anuros não era apenas um velho careca e magro com uma barbicha trançado até o peito. Ele era o Senhor do Vento, mas muitos o chamavam de Príncipe do Deserto. Tendo suas forças revigoradas ele balançou a cabeça negativamente para o jovem paladino, que se afastou lentamente enquanto o padre tagarelava trechos do livro sagrado, sendo tempo suficiente para que Anuros se sentisse forte o bastante para uma fuga inacreditável.
Borys estava ficando impaciente, pois havia pedido para que o padre não se delongasse, e mesmo assim ele pregara um sermão inteiro sobre a vida dos traidores. Mas finalmente ele havia fechado o livro, sorrindo levemente quando olhou para o alto das escadas, nos olhos do rei, como se visse através deles o próprio Borys, e logo depois se misturou à multidão. Vendo que tudo estava se encaminhando, Borys, que controlava perfeitamente as vontades do rei, deixou tudo como um fato isolado.
- Retirem esta guilhotina, paladinos. Afinal uma morte rápida e indolor não é punição para quem atentou contra crianças, velhos e famílias inteiras. Isso para mim é indiscutível. – disse o rei ao olhar para o povo, que não entendia o que se passava. Alguns começaram a se perguntar que mote eles teriam, afinal há centenas de anos as mortes cruéis foram banidas de todas as cidades do reino. – Meu general aqui presente, um dos bruxos mais poderosos deste reino, se não for o mais incrível, me questionou se eu não permitiria que esses monstros pudessem viver. Eu digo general: não e não! Até você, se fosse contra seu reino, seria morto. Fui claro?
VOCÊ ESTÁ LENDO
CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
