Se for pra desistir, desista de ser fraco.
Corretor ortográfico ewertonalves93
- A reunião acabou. Voltem para suas casas e afazeres. Venha Tberyos, vamos encontrar Milos.
Logo que todos saíram os dois desapareceram em uma explosão de vento, até a floresta. Caminharam lado a lado entre as grandes árvores e a relva baixa até chegarem ao grande precipício. À direita dele imperava toda a extensão dos mares do sul, com suas águas frias e agitadas. Do outro lado estavam as três ilhas que formavam um triangulo com seu incrível tapete de águas verdes e calmas, que mais parecia ter saído de um quadro feito pelo mais talentoso dos pintores. Bem ao centro das ilhas o navio de Milos estava ancorado, então eles continuaram observando calmamente até que surgiu uma grande energia, como se fossem raios a desenhar o céu.
- Senhor, devemos intervir? – Perguntou Tberyos sério, com o respeito de sempre ao falar com seu mestre.
- Não. Eu sei muito bem o que eles estão fazendo. – disse Pai ao olhar calmamente em direção ao navio – Por isso posso dizer quer nunca irá acontecer.
- O que aconteceu para que ele gaste tanto poder assim no meio do mar e em direção ao nada?
- Houve algo inacreditável para mim, mas não para o melhor amigo e mentor de Milos, que era únifico antes dele. Ele já era um velho, mas disse ter visto algo cruzar os céus em um dia comum de treinamentos, acompanhado de um Milos um pouco mais jovem. Algo que ele me descreveu como um monstro negro feito de metal que se movia com uma velocidade absurda, provocando um barulho estridente seguido de uma enorme quantidade de fumaça que emanava de suas asas largas eretas na horizontal . Logo depois adentrou-se em uma brecha aberta no ar, como se fosse uma porta que levava a um mundo hostil... Eu não acreditei, mas Milos afirmava a mesma coisa. Nesse dia uma forte onda de energia se abateu sobre esta região. Não foi um feitiço, simplesmente aconteceu. O relato que chegou a mim dizia ter sido um monstro de asas gigantes. Seu barulho era como um rugido que não cessava. O velho morreu tentando desvendar o mistério e desde então Milos vive pelo mesmo ideal; encontrar a passagem pela qual o grande monstro veio. E para essa louca e obsessiva jornada ele arrastou Arq Naveriana, a jovem cuja qual sei que você conhece bem.
- Então toda essa energia desperdiçada está servindo para tentar simular o que houve naquele dia?
- Sim, sim. Estão tentando fazer o impossível. – respondeu Pai, dando as costas ao navio – Vamos à minha sala, tenho que ter uma longa conversa com você, pois amanhã você partirá.
- Sim senhor. Mas primeiro posso lhe perguntar uma coisa?
- Claro. Pergunte-me. – Pai parou à meia distância, com um olhar de curiosidade.
- Qual a extensão do seu real poder? – Tberyos parou de caminhar, esperando a resposta.
- Venha à minha sala – disse Pai. Logo depois desapareceu, surgindo atrás de sua escrivaninha lustrada à frente de sua bela e grande estante de livros. Poucos instantes depois Tberyos apareceu em sua frente – Meu filho; em uma luta, batalha ou simplesmente em seus afazeres diários não temos limites, se trabalharmos com a vontade de vencer e fazê-la habitar nossos corações. – ele abriu uma gaveta, pegando um pergaminho velho – Meu amigo, nem eu mesmo conheço toda a extensão do meu real poder. Para ser sincero meu corpo nunca o suportou, afinal eu não nasci bruxo como você, fui levado a ser pelas circunstâncias.
- Como? – indagou Tberyos com os olhos esbugalhados.
- A mil anos atrás eu travei uma batalha de vida ou morte contra o maior bruxo que já andou sobre a terra, e o capturei facilmente.
- Está falando do prisioneiro?
- Sim, o jovem Noreeu. Derrotei-o e o aprisionei. Mas não é sobre mim que iremos falar e sim sobre você, garoto. Estou neste plano há mais de dois mil anos, e antes que me pergunte não sou imortal como os Cavaleiros das Trevas, mas o poder que tenho conserva minha vida e não me deixa envelhecer. Na Grande Guerra contra os celtas eu fui um soldado da infantaria, e fui o responsável por cortar o braço em fogo-vivo do grande Rei Fylip. O poder que estava o consumindo migrou para minha lâmina, mas somente depois de dez anos, tempo em que meu povo vivia uma crise de identidade, foi que eu descobri de uma forma cruel e extremamente triste os poderes que vivem em minha lâmina. – enquanto contava sua história Pai direcionava seus olhos tristes à pequena mesa.
- Senhor, como podes ter mais de dois mil anos e não ter os mesmos poderes dos Cavaleiros das Trevas? Que triste acontecimento o levou a ser quem és hoje?
- Ainda lhe contarei tudo Tberyos, mas não hoje. Quando eu morrer todas as minhas lembranças serão suas, minhas dores e minhas alegrias serão passadas a você. Mas até o momento somente eu viverei com elas.
- Por que senhor? Não entendo. – disse Tberyos sério e confuso – Como falas em morte sendo que vive jovem e poderoso?
- Não posso mais carregar este poder, por isso eu escolho você para ser o novo líder dos únificos. Você, meu filho, carregará todos os meus poderes e minhas lembranças.
- Como?
- Lembra-se de seu treinamento? Sempre lhe disse que você tinha o potencial que sempre procurei. Meus poderes vêm da lâmina que absorveu toda a energia da pedra que estava sobre o braço do Rei Fylip. Vou lhe passar a espada agora, então você sairá desta sala alguém completamente diferente, com tudo que tenho e ainda mais um pouco. – enquanto explicava, Pai observava o rosto assustado do jovem príncipe – Não se preocupe, eu ainda serei muito forte.
Pai retirou seu sobretudo negro aparentemente pesado e levantou sua camisa até o peito, mostrando seu corpo magro e branco e levando uma das mãos ao tórax. Com os olhos fechados ele fez surgir em si uma ofuscante luz branca, e do interior de seu peito ele retirou um fragmento de vinte centímetros da espada, que parecia ter sido quebrada em uma violenta batalha.
- Se aproxime! Rápido! – gritou Pai.
- Senhor, não sei se é uma boa ideia... Será que posso controlar seu poder?
- Pode! – Pai cravou a espada no coração de Tberyos em uma velocidade e força absurdas. O jovem príncipe expirou o resto de seu fôlego ainda com os olhos abertos, caindo sobre os ombros de seu mestre enquanto dava seus últimos suspiros em bolhas de sangue.
A DICA DE HOJE E ESCRITORA gabyvicente2016
Felina Guerra contra um Inimigo Oculto
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
