Capítulo Final - Uma Guerra Inevitável parte 7

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O ódio é a vingança do covarde. 

George Bernard Shaw

Corretor ortográfico @ewertonalves93 



- Se ele mantiver isso por muito tempo, irá morrer. – disse Yvys – Tratem de se preparar! 

 - Ele está... – disse Parks, observando aquele vento gigantesco emanando da terra.

- Sim, meu Rei – interrompeu Yvys – Funciona como uma barreira indestrutível. Ele irá perder seis anos de vida por cada meia hora que manter aquele escudo, então vamos nos preparar para lutar até que nos esgotemos. – orientou ele, tocando as mãos.

- Meu Rei, tenho uma ideia – disse Isaias.

- Diga filho.

- Irei desafiar o bruxo mais poderoso dentre o exército negro. Se eu vencer eles se retiram, caso eu perca eu morrerei, mas ganharei mais tempo.

- Isso não é uma boa ideia. – disse o Rei.

- Não temos escolha, meu Rei. Todos estão perdendo algo. – ele apontou para Gerverom – Eu irei, Majestade. – decidiu Isaias.

- Então vá, mas leve Yvys. Ele saberá o que fazer caso algo dê errado. – concordou o Rei. Ele ainda se mostrava preocupado com a atitude do jovem, mas jamais poderia ir contra sua decisão, afinal todo o exército únifico acreditava fielmente no jovem em sua frente.

- Você não irá sem mim, meu amigo. – disse Abraão totalmente recuperado – Irei com você para a frente deste maldito exército.

- Não seja precipitado, garoto – interveio Anuros – Eles não querem trégua alguma.

- Então ganharemos tempo, senhor. – disse Isaias, se aproximando dos escudos junto de Abraão do velho Yvys.

De repente uma explosão de vento surgiu, trazendo um bruxo sério que já se colocava ao lado esquerdo de Parks. Ele estava em posse de um poderoso feitiço, dado pela Sangria.

- Majestade. – ele o saudou, observando aqueles jovens se encaminhando à frente do escudo.

- Centurion! Que bom revê-lo – disse Parks.

- Como está minha filha?

- A Rainha está ótima. – respondeu o Rei únifico ao velho comandante, fitando suas medalhas e condecorações ao peito.

- Imaginei... respondeu Centurion – Agora é só impressioná-lo para que ele me torne seu Conselheiro da Moeda. Assim a Sangria terá uma dívida comigo, e assim poderei roubar milhões em peças de ouro... – pensava ele enquanto disfarçava um leve sorriso.

Meia hora havia se passado e o exército inimigo ficava cada vez mais impaciente. Yryo descera de seu cavalo de guerra e se posicionara à linha de frente, longe do escudo de ventos cortantes que emergia da terra.

- Majestade, devemos dar início? – perguntou um dos bruxos yverynyanos – As catapultas já estão prontas, rejuntadas com a cera de fogo.

- Ótimo! Se os bruxos estiverem prontos, vamos destruir esta cidade com fogo e pedras. – respondeu Yryo.

- E quanto ao escudo? – perguntou o General – Disseram que é indestrutível.

- Nada é indestrutível quando se tem aliados, general. Entendeu?

- Entendi. – o general anuiu, observando a leve aura azulada que protegia a cidade em meio a um denso escudo.

Os bruxos responsáveis pelas catapultas tocaram as mãos, e com a mais rara e pura magia retiraram blocos de terra do chão, formando pedras que giravam no ar até se tornarem esféricas, no tamanho exato da lançadeira. Logo em seguida encaixaram os blocos dentro da catapulta, que era rejuntada com uma espécie de cera inflamável que se incendiava até mesmo com a sujeira da pedra, podendo queimar por dias e até mesmo debaixo d'agua, pois o fogo só cessaria quando a cera fosse consumida por completo.

- Fogo! – gritou o Rei yverynyano à frente de sua infantaria, agora a mais habilidosa que Yryo possuía. Eles elevaram suas lâminas ao céu e gritaram morte, no intuito de intimidar o exército únifico, que estava acuado em sua defesa.

No momento em que Yryo deu seu aval um soar de chicotes reverberou, como se espancasse as costas largas de um pobre moribundo pelos campos de batalha. Era o primeiro ataque das pedras tomadas pelas chamas, que passaram sobre todos como grandes cometas implacáveis, deixando um rastro de fogo e escurecendo o tempo nublado. Duas mil pedras flamejantes seriam sepulcro dos corajosos, O campo de batalha se tornou pequeno perto daquela devastação. O céu fora tomado por uma densa e fétida fumaça escura, levando medo e agonia àquele cenário mórbido que se formava a cada segundo. 

O impacto havia sido destrutível, emanando uma onda de choque que fizera o chão estremecer por alguns segundos, mas o escudo continuou intacto. Por usar tamanha energia, Ebatazeu começou a sangrar pelo nariz. Não podia separar suas mãos, caso contrário o escudo se romperia, e causaria danos inimagináveis à parte frontal da cidade. O exército únifico se assustara ainda mais com tamanho poder, fazendo com que alguns paladinos no interior da cidade procurassem salvar o que tivessem ficado, prevendo uma possível catástrofe de proporções irreversíveis, afinal o padre poderia esgotar suas energias, pois incontáveis saraivadas de pedras vinham de encontro aos seus escudos.

- Tenho que suportar! – pensava Ebatazeu sobre a grande torre, observando as rajadas de pedras flamejantes virem com mais frequência, explodindo no escudo à sua frente. O impacto provocava clarões que passavam pelas casas como se o Sol estivesse brilhando bem ali, sobre a barreira de energia.De repente ele sentiu um vento frio surgindo atrás de si. A presença obscura não o assustou, pois poderia ser a mulher mascarada que guiava a Sangria junto ao líder desconhecido. Ele ouviu sem medo passos sorrateiros se aproximando, sentindo um leve filete de sangue escorrer de sua narina esquerda.

- Por que não me ajuda, mulher? Você me deu este feitiço. Já que esta cidade é tão importante, você deveria me ajudar antes que estas pedras nos destruam.

- Conte comigo. – disse aquela voz firme, como o silvo de uma serpente à tocaia de uma presa indefesa. Ao ouvir aquela voz o padre se virou, sendo recebido por uma punhalada certeira no peito. Em um movimento de reflexo ele se afastou, vacilando. Sua cabeça girava lentamente, querendo derrubá-lo. Sua visão já se embaçava, junto a uma dor absurda.

- Você! – exclamou Ebatazeu sangrando ainda com as mãos juntas, em um esforço inútil para manter o escudo. – Mas você é...

- Claro, padre. Sou eu, Vladmir. Agora morra calado. Mas antes... Antes eu quero que saiba de uma coisa, seu pobre e velho padre. – disse ele, indo em direção ao parapeito da torre, deixando o vento tomar suas vestes – Ninguém gosta de você! Tu és um peso morto nas costas de um coitado aleijado, cego e mudo, que sobe uma montanha íngreme completamente árida. Então lhe peço, de coração, que descanse bem infeliz no inferno. Você e o velho que lhe carrega! – disse ele em um sorriso, desaparecendo junto ao vento.

Ebatazeu virou-se para o campo de batalha em lágrimas, olhando do alto da torre toda aquela carnificina, pressentindo outra saraivada de pedras em chamas que se aproximava.

- Eu... Falhei... – disse ele baixinho enquanto caia de joelhos, sentindo suas mãos se afastarem lentamente como se o mundo caísse sobre sua cabeça. Não havia mais forças. Tudo em sua volta escurecia junto ao frio inesperado que o tomava. Enfim as pedras destroçaram seu escudo, explodindo contra as casas, becos e vielas, trazendo a destruição e o caos à Cidade Azul junto a uma nuvem de fumaça e fogo que envolvera impiedosamente a maior cidade únifica do reino.


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