O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são.
Friedrich Nietzsche
Corretor ortográfico - ewertonalves93
Abraão rapidamente seguiu o cocheiro, assustado ao sair da penumbra. Sob o brilho ofuscante do Sol ele já avistava os avistava , mesmo com os olhos embaçados. O Rei estava acompanhado do jovem príncipe, que agarrava suas vestes. Abraão então se aproximou para escutar o que Parks dizia.
- Nestes tempos difíceis, onde a dúvida paira sobre nós, devemos ter fé. Foi isso que o Padre Ebatazeu me aconselhou hoje cedo, quando fui à Igreja. Mas meu amigo, eu pergunto a você; como ter fé em circunstâncias como estas? Fomos atacados por Cavaleiros das Trevas, meu filho está nas mãos de humanos, e logo morrerá de uma maneira terrível. – disse o Rei para o general, que não soube o que dizer. Foi quando chegou Abraão.
- Meu Rei. General. – disse o jovem, reverenciando-os calmamente e observando o curioso pequeno príncipe perto de seu avô.
- Eis aqui o jovem que nos mostrou uma força dentro de nosso reino. Você sempre terá um lugar junto a mim, garoto. Sou grato a você por sua coragem e determinação. – Parks o saudou.
- Obrigado Majestade. É uma honra poder servir ao meu povo e ao Reino. – disse Abraão sério, sentindo-se orgulhoso com o elogios do próprio Rei .
Nessa hora puderam sentir um forte vento junto a um barulho estranho. Varyos e Abraão ficaram em alerta, e logo à frente deles surgiu um bruxo aparentemente forte e determinado. Suas vestes brancas e seu sobretudo cinza bailavam em meio ao vento, junto de seus longos cabelos.
- Não sabia se deveria bater à porta, então resolvi vir diretamente a esse lindo jardim. Confesso que estava com um saudade imensa deste cheiro de grama molhada. – disse ele, fixando o olhar nos olhos raivosos do general, que o encarava irritadamente.
- Seu impertinente! Que diabos faz em minha casa outra vez? – indagou Varyos bastante sério caminhando na direção dele, aos olhos atenciosos do Rei.
- General acalma teu velho coração. – pediu o Rei em uma voz firme e autoritária – Meu irmão quer apenas uma conversa civilizada, o que somos perfeitamente capazes de construir.
- Me acalmar Majestade? Conversa civilizada? Esse animal inútil se aproveitou de minha filha, a prometeu céus e terra para depois desaparecer feito vermes na lama!
Avisei-o de que se entrasse mais uma vez em minha propriedade eu o destruiria, a ponto de ele se tornar cinzas sobre a terra!
- Eu sei General – disse o bruxo retirando seu leve sobretudo, caminhando até o lado direito de Parks, seu irmão mais velho.
- General eu sou sei Rei, e também de meu irmão. Vocês me devem obediência, então vos ordeno: Chega dessa palhaçada, estamos entendidos? Este reino precisa de vocês dois unidos numa única causa, não em brigas e discussões fúteis. – o Rei olhava para os dois seriamente.
- Vim aqui para isso, irmão. – disse Petrycos enquanto estendia a mão ao irritado general, que se contorcia por dentro.
- Conte comigo também, Majestade. – Varyos apertou fortemente a mão do bruxo a frente – Seu desejo é uma ordem. – ele disse ao Rei, o qual despertou um leve sorriso.
- Me desculpe Varyos – disse Petrycos, olhando-o nos olhos – Eu amava sua finada filha. Sinto tanto a morte dela que se pudesse reconstruir o passado daria minha vida pela dela.
- Se você a amasse como agora diz estaria com ela no dia de sua morte, e jamais em um prostíbulo vulgar e sujo, deleitando-se com vagabundas imundas! – disse o general enquanto soltava sua mão, afastando-se dele – Majestade, qual seria o motivo de sua vinda? – perguntou ao Rei enquanto ignorava Petrycos, como se ele nada fosse.
- Estou aqui somente para agradecer seu pupilo Abraão por tamanha coragem, e também saber de você, meu general, como andam os planos para resgatar meu amado filho Tberyos.
- Tudo está indo de vento em popa. Logo os bruxos escolhidos por mim partirão. – respondeu-lhe Varyos, enquanto observava-o.
- General vejo você em breve. – disse Petrycos ao olhar principalmente para Abraão, enquanto sorria levemente, desaparecendo em uma explosão de vento que balançou fortemente a árvore que embelezava o jardim.
- Vovô. – chamou Rodolfo, puxando insistentemente o sobretudo vinho do velho Rei.
- Diga filho, o que queres?
- Por que o tio Vladmir está demorando tanto?
- Vladmir... Lembre-se sempre, meu neto, que ele é seu professor e não seu tio.
- Eu sei vovô, mas gosto muito dele. Ele é um bom professor. – explicou a inocente criança, sorrindo para seu avô.
- Não sei o porquê mas sinto algo muito estranho com Vladmir, Majestade. – disse Varyos ao coçar a cabeça carregada, olhando seriamente para Rodolfo, que o encarava – Calma meu príncipe, é só bobagem de um velho general. – confortou-o num curto sorriso.
- É curioso não ir muito com a minha pessoa, afinal nunca lhe fiz nada. Ao contrário, apenas o admiro general. – disse Vladmir caminhando calmamente pelo jardim. Ele chegara de surpresa, às costas de todos. – Se me der licença, Karem, sua bela esposa, permitiu minha singela entrada à sua magnífica moradia, general.
- O curioso disso é que minha casa parece ser uma espécie de circo onde qualquer imundo entra para sorrir mentiras, enquanto chora amarguras por dentro. – disse o general, sem olhar para trás.
- Quem sabe general, quem sabe. – retrucou Vladmir, dando um leve sorriso de canto de boca ao olhar o Rei junto a seu neto.
- Tio Vladmir, vamos terminar aquelas aulas hoje? – perguntou a criança cheia de empolgação, e logo depois passou correndo pelo general.
- Vamos, agora mesmo. Passei aqui por isso. – Vladmir olhava-o sorridente – Majestade posso levá-lo aos treinos, como de costume?
- Sim... Vá e cuide bem dele. E você Rodolfo, obedeça seu professor. – orientou Parks se aproximando do general, que estava aparentemente nervoso. Tocou o ombro direito dele e percebera que Varyos estava prestes a explodir. – Acalme-se amigo, não há necessidade disso. – disse-lhe bem discretamente.
- Sim vovô. – o garoto deu a mão direita à Vladmir, que olhou atentamente para Abraão e para o cabo da espada que ele portava. – Bela espada, meu jovem. – ele elogiou, dando mais um sorriso.
- Obrigado senhor. – agradeceu Abraão, e depois os viu desaparecer em direção aos campos de treinamento do castelo.
- Abraão, pode nos deixar a sós um minuto? – disse o Rei a ele, bem sério.
- Sim Majestade, já estou indo.
Assim que o jovem virou as costas o Rei olhou para seu fiel general e conversou com ele calmamente, caminhando sobre a grama sorrateira enquanto iam de encontro à grande árvore que refrescava o jardim.
- Como anda o plano de resgate de meu filho, Varyos?
- Meu senhor, está como planejado – disse o general olhando para o Rei, que ansiava por respostas.
- Eu sei meu amigo, mas não temos muito tempo. Você sabe muito bem disso.
- Sim Majestade. Peço que não se preocupe, ainda esta semana tudo será esclarecido. Mandarei os bruxos para o resgate.
- Quem mandará para esta importante tarefa?
- Meu Rei, optei por enviar apenas dois bruxos de minha inteira confiança, cujos nomes e habilidades nem o senhor saberá, para o seu próprio bem. Se os Padres Supremos ou algum caçador souber de algo relacionado a isso a Coroa não poderá salvá-lo.
- Entendo. – Disse Parks, pensativo – Obrigado por pensar em mim como sempre faz, Varyos. – Agradeceu o Rei coçando sua longa barba branca – Mas quero que abra mão desta missão.
- O que?
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
