Capítulo 43 - Poção

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  Se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição. 

Los Hermanos


         Corretor ortográfico - ewertonalves93                                                                            


                                                                       Poção

Ao ouvir em silêncio as últimas palavras do jovem, ela se virou para o fogo em volta. Estendendo as mãos o reuniu em uma esfera flamejando e a fez desaparecer. Centurion gemia de maneira agonizante, se remexendo lentamente sobre a terra. 

- Vou morrer, não vou? Dói muito... Aarrh.... Aquele maldito! Não vou agüentar... – disse ele com a voz trêmula, rolando sobre suas vestes queimadas. 

- Cale a boca, seu velho idiota. Sua presunção o levou à desgraça. – Ela disse se agachando perto dele. Enfiou a mão num bolso dentro do sobretudo negro e aparentemente pesado. – Olha só para você todo queimado, vestes destruídas... que vergonha! Agora tome rápido esta poção, senão você irá morrer. – Ela colocou um pequeno frasco de vidro na mão queimada dele, e voltou a olhar a carruagem. 

- Como você tem isso? – Ele ofegou olhando o pequeno vidro transparente contendo um líquido verde, e sentiu a respiração lhe faltar, logo ele tomou a poção por completo. 

Seu corpo queimado começou a se reconstituir rapidamente, e de todas as suas feridas emergia uma fumaça branca, como se fosse água em contato com uma chapa de ferro em brasas. Em questão de minutos ele se levantou, e apenas suas vestes continuavam destruídas. Vendo que o velho estava desnudo, a mulher retirou seu sobretudo e o deu a ele, vestindo-o.

- Onde você conseguiu a poção? Depois da Grande Guerra as poções foram banidas em todos os reinos. Ninguém pode usá-la nem fabricá-la, pois por ordem dos padres supremos todos os cientistas idealizadores foram mortos. Então como você me salvou usando isso? – Centurion a encarou, pois, a pergunta era muito séria. 

- Meu Deus como você é idiota! O Mercado Negro de poções é muito grande, mas apenas alguns bruxos poderosos têm noção de sua existência, e custa mais do que muitos podem pagar, afinal é trabalhoso coletar a matéria-prima para fabricá-la às escondidas. – Ela disse com um leve e calmo sorriso. 

- São feitas de outros bruxos através de sacrifícios, por isso foram banidas. Diga-me, quantas mortes tinha frasco? – Disse ele um pouco apreensivo e desgostoso com a situação, mesmo estando bem graças àquela poção. 

- Você quer mesmo saber? Parece-me que está doendo em você estar vivo pela vida de alguém. Mas se quer mesmo saber Centurion, seus ferimentos eram profundos. Eu tinha cinco frascos; o mais forte era o seu, feito de três crianças de nove anos. Era a única forma de você sobreviver... 

- Crianças?! 

- Não vou explicar o óbvio. Mas você sabe que sempre... Sempre some alguma criança maltrapilha de alguma viela, ou um bêbado, um ladrão. Agora me poupe de seu remorso hipócrita e mate logo aquele contador. 

Ele saiu sério. Aquilo mexera com seus sentimentos, mas não podia revelar o que pensava, pois ela era o braço direito do bruxo líder da Sangria, o qual apenas num olhar já passava pavor, através de sua máscara. Centurion apressou o passou, caminhando sobre a estrada que havia se transformado num território de guerra. 

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