Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte, mas o homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.
William Shakespeare
Corretor ortográfico - @ewertonalves93
Boa leitura .. ♥
Diante do Rei
Ao saírem da grande sala de reunião em um esplêndido silêncio, o Rei e seus dois súditos foram surpreendidos ao verem Verbus em pé bem no centro do salão, sério e trajando suas vestes negras oficiais, que exibiam várias medalhas de suas conquistas. Em seus olhos refletiam todos os anos de servidão ao reino, que em nenhum momento fugiam de sua face, pois seu semblante inspirava pura confiança. De longe, Parks o observava com um sorriso leve, agora mais calmo, sentindo-se seguro sobre tudo que o rodeava. Então ele se aproximou devagar do Chefe da Moeda, junto a Varyos e seu conselheiro, e viu que ele segurava os grandes livros de registros, tais como Parks ordenara que o entregasse pela manhã.
- Me chamaste aqui, Majestade, e aqui estou. E trago comigo os livros de registros de toda a fortuna recolhida e devidamente enviada ao banco real – disse Verbus caminhando lentamente ao encontro dos bruxos, que estavam perto do trono.
- Tudo bem, Verbus? – perguntou o Rei ajeitando seu sobretudo ao observá-lo calmamente vindo em sua direção – Ei Varyos, faça-me aquele favor, chame imediatamente aquele jovem a este salão. Temos que conversar.
- Sim Majestade. Estou indo. – disse Varyos, já sabendo o que iria acontecer.
- Meu senhor – falou Anguriom sério, como já estava desde a reunião na qual as decisões foram tomadas – Serei necessário de alguma forma a Vossa Majestade neste momento?
- Não, meu amigo. Só peço que me desculpe por ter perdido a cabeça algumas vezes na reunião que tivemos há pouco. Espero que entenda os pontos de vista de um pai.
- Meu Rei, claro que entendo. Além do mais, Vossa Majestade é o Rei, tem todos os direitos que quiser. Só não se esqueça dos seus amigos, dos seus deveres e responsabilidade, como disse a seu pai há tempos atrás, e agora tenho a mesma oportunidade de dizer a Vossa Majestade a maior e mais gloriosa herança que podemos deixar a nossos filhos e filhas: nosso legado de honestidade, porque através dele outros legados são formados, e isso meu Rei, vale mais que qualquer ouro e prata, e está acima de qualquer feitiço imaginável.
- Entendo meu amigo, pode ir. – disse Parks com a vergonha a corroer sua pele clara – Então Verbus, me entregue os livros, por favor! – exclamou em seguida, já mudando rapidamente de assunto, enquanto o conselheiro saiu lentamente pelas portas principais.
- Sim meu senhor, apesar de ainda não entender o porquê de querer examiná-los de uma hora para outra, em um momento de crise no reino. – disse o conselheiro Verbus olhando seriamente para o Rei.
- Você já vai entender. Agora me entregue os livros. – disse o Rei de forma calma e séria, olhando para o Chefe da Moeda.
-Sim Majestade, aqui está – disse Verbus apreensivo, deixando-os às mãos do Rei – No entanto, aproveite que estou em sua presença para ajudá-lo a examinar, seria mais rápido e eficiente ter um expert no assunto para orientá-lo.
- Fico grato, mas não será necessário. Quando eu precisar, lógico, eu o chamarei. Afinal você é o Chefe da Moeda, e o coletor de impostos do reino.
- Então, se Vossa Magnificência permitir, estarei me retirando por ora. Tenho um compromisso urgente a tratar com alguém e não posso atrasar nem um minuto.
- Entendo, mas não permito. Temos algo a conversar que não se pode atrasar nem um segundo – disse o Rei observando Varyos e Abraão se aproximarem sobre as costas de Verbus, esse último com certo desgosto estampado em sua face, quando percebeu quem estava à frente do Rei.
Nisso Verbus se virou com os barulhos dos passos que ecoavam pelo salão, surpreendendo-se com os olhos frios do jovem Abraão sendo conduzido por seu amigo Varyos. Dava para ver no rosto do garoto o ódio explodindo a cada gota de suor que brotava de sua face assustada, pois estava diante do Rei. Apesar de não ter desistido, sua confiança abalara um pouco.
- Majestade – disse Varyos com a mão esquerda sobre o ombro do jovem – Este é Abraão, o jovem do qual lhe falei, peço que o ouça. – disse ele se afastando, deixando o jovem lado a lado com Verbus, e os dois frente a frete com o Rei, que caminhou até seu trono e sentando-se calmamente, observando os dois.
Verbus estava confuso e com um semblante sério, sem entender o que seu melhor amigo fazia com tal pessoa, e o que tal pessoa fazia diante do Rei. Mas nessa altura Varyos já perdera o respeito por seu amigo que no passado tanto admirava.
- É um grande prazer recebê-lo aqui, Abraão, afinal você foi trazido pelo meu maior general, e ele me disse que você tem algo para me falar. Então eu, como seu Rei, peço que me diga e sinta-se em casa.
Verbus olhou o Rei calmamente, dando a palavra a um estranho vestido de trapos e não a ele. Desviou seu olhar enfurecido a Varyos, que se mantinha encostado a uma das pilastras do grande castelo. Por um breve segundo seus olhares se cruzaram. Mais calmo Varyos desviou o olhar ao chão, respirando fundo. Já Abraão deu dois passos à frente e olhou bem para o Rei, que estava com os grandes livros de registros sobre as pernas.
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CARIEL
FantasyEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
