Gostaria de agradecer a todos que tiram um pouco de seu tempo para ler este livro ♥
Chega um tempo na vida que a gente aprende que ninguém nos decepciona, nós que colocamos expectativa demais sobre as pessoas. Cada um é o que é e oferece aquilo que tem para oferecer.
Anderson
Corretor ortográfico = ewertonalves93
Petrycos
O Sol castigava a cidade e o deserto, a ponto de deixar qualquer pessoa desnorteada após muito vagar sobre as altas dunas que mais pareciam um mar enfurecido, surgindo como uma explosão de vento que espalhava areia para todos os lados. Um bruxo de mais ou menos trinta anos, trajando vestes negras e sobretudo azul, andava sem rumo cobrindo seu rosto com um pano para evitar inalar a densa poeira que o vento trazia, junto a uma falsa sensação de ar fresco. Ele estava aparentemente preocupado, olhando para todos os lados. Quando finalmente se sentiu um pouco seguro, abriu o pequeno embornal de couro que carregava sobre o ombro, e pegou seu cantil encapado com pele de carneiro já quase vazio. Virou rapidamente em sua garganta o que havia, dando a impressão de que não bebia água havia anos. Não conseguiu evitar que uma pequena parte respingasse em seu rosto liso de qualquer barba, mas ao tomar a última gota viu surgirem sobre as dunas ao lado um general das trevas junto a seus dois espiões, todos com suas espadas em punho e vestes negras que ricocheteavam contra o vento.
- Em nome do Rei entregue-se, estrangeiro! – disse Henrys, o poderoso general, apontando sua espada ao bruxo à frente, que jogou seu cantil vazia duna abaixo e balançou a cabeça, observando-o rolar lentamente.
- Ok. Mas algum de vocês tem alguma água? A minha acabou agora, e ainda tenho sede.
- Quem é você? – Perguntou um dos espiões ao encará-lo, manuseando sua espada.
- Sou Petrycos. Posso saber por que o rei quer minha presença?
- Você é um espião no reino de Yverynyos, e deve ser levado a julgamento. Renda-se ou morra! – disse o outro espião visivelmente irritado.
Balançando a cabeça negativamente Petrycos sorriu, retirando sua longa e afiada espada, que brilhava contra o Sol, e lançou um olhar desafiador para o Henrys, incumbido de levá-lo ao reino yverynyano.
- Vocês têm água? – Perguntou mais uma vez, frisando as sobrancelhas enquanto os olhava.
- Matem-no, rápido! – Ordenou o general das trevas à seus espiões.
Partiram imediatamente em direção à Petrycos, que mantinha-se calmo como se eles fossem apenas amadores, e começaram a trocar golpes e contragolpes sobre as grandes dunas. Ao fundo, o Sol clareava aquela batalha que se mostrava injusta, pois os dois espiões atacavam simultaneamente e de forma rápida, em diferentes ângulos, mas Petrycos se defendia perfeitamente, se antecipando a cada movimento de seus inimigos, como se estivesse prevendo os golpes deles. Isso os enfurecia, pois, mesmo atacando juntos nenhum golpe o havia atingido. Então um dos espiões das trevas desapareceu no momento em que iria golpeá-lo, se transformando em partículas negras e passando por entre Petrycos, reaparecendo atrás dele. Quando se reconstituiu, o espião lançou sobre ele uma grande quantidade de fogo. Mas na hora exata um escudo surgiu, impedindo-o até mesmo de sentir o calor das chamas. O outro espião também lançou mais chamas, que era ainda mais poderosas, e Petrycos se fechou dentro do escudo, começando a ficar encurralado dentro de sua defesa, e isso o irritou profundamente. Mas de repente ele desapareceu, reaparecendo duzentos metros dali com os olhos fechados. Já sem o escudo, ele tocou as mãos e conjurou bem alto, rasgando sua garganta com sua voz grave.
- "Infernus Consumer".
Um forte vento se fez no deserto, movimentando a areia para todos os lados, e Petrycos mostrou um poder incrível aos olhos espantados dos espiões. Ele então os olhou com os olhos agora amarelos junto ao vento que esvoaçava seus cabelos, e desapareceu de forma tão brusca que um barulho como trovão ecoou sobre as dunas. Com apenas um golpe mortal ele decapitou um dos espiões, e antes que o outro se desintegrasse pelo ar ele conjurou novamente "Consumer" apontando sua mão em direção a ele, fazendo surgir uma imensa esfera de fogo, prendendo o bruxo assustado antes que seu corpo se transformasse em partículas negras. O pobre espião não pôde sequer gritar de dor, pois seu corpo foi completamente carbonizado em segundos, sobrando apenas suas cinzas negras sobre a areia branca do deserto. Ao ver seus subordinados mortos, o general das trevas se irritou e se pôs inquieto ao olhar para o bruxo pisando em cima das cinzas do bruxo que acabara de sofrer uma morte horrível.
- Quem é você? – Insistiu o general, agora menos soberbo e com um pouco mais de medo, tocando as mãos e conjurando "ventis".
O vento ao redor de seu corpo ficou mais intenso, a ponto da grande duna se espalhar pelo ar, e em questão de segundos recomeçaram a luta. Suas espadas cantavam o som do medo ao brandirem uma contra a outra, e seus movimentos eram incrivelmente rápidos e precisos. Era o que se esperava do décimo sétimo general das trevas. Então ele se afastou, apontando as duas mãos à Petrycos, conjurando "ventis" mais uma vez, com muito mais fervor. Parecia que todo o vento do imenso deserto se reunira em sua frente, junto a partículas de areia e galhos quebradiços. Tudo que estava ao redor era sugado diante dele, em uma densa esfera de ar comprimido que girava em alta velocidade, que fazia um barulho estranho, como se dilacerasse qualquer coisa que a tocasse.
- Não importa quem você seja. Você morrerá aqui e agora. – Disse o general das trevas suando de raiva e medo, querendo eliminar Petrycos com seu maior poder, pois sabia que não seria fácil, e poderia até perder em uma luta corpo a corpo.
- Vamos acabar com isso, seu inseto! – disse Petrycos levantando as mãos para o general, conjurando "Ignis" ao ver o tamanho da energia daquela bola de ar cortante.
Nesse momento uma grande massa de ar se formou e se inflamou, reunindo uma gigantesca bola de fogo que parecia crescer a cada segundo. O vento que emanava dela fazia suas vestes ricochetearem, e entremeio os dois bruxos formaram-se pequenos redemoinhos de areia e vento. Acima dos dois o Sol se pôs escuro como a poeira do deserto, levantada pelos fortes ventos que tomavam conta da região, cujos quais estavam formando uma grande tempestade de areia. Então Petrycos pensou consigo mesmo "como eu queria que aquele velho maluco metido tivesse a chance de ver isso, só para ele saber que eu estou o superando". Foi quando os dois lançaram ao mesmo tempo todo aquele poder reunido.
- "Ventis"
- "Ignis"
Em questão de segundos eles se chocaram, e no embate raios se formavam, dançando sobre as nuvens de poeira, dando a elas um tom azulado. Mas o fogo consumidor cresceu muito, se alimentando do vento a ponto de explodir, espalhando um raio de luz amarelo em todas as direções, como se um novo Sol tivesse nascido de dentro da areia. Petrycos havia criado um escudo de energia, pois ele sabia que suas chamas alimentariam o vento consumindo tudo a sua volta. Mas o general não teve a mesma sorte; seu escudo se rompeu, e várias partes de seu corpo foram incineradas a ponto de ficar em carne viva. Ele acreditava que seus ventos eram fortes o suficiente para empurrar as chamas para trás, mas não deu certo, e antes que ele pudesse se levantar do chão Petrycos apareceu junto a ele, enfiando a espada em seu ombro direito. Henrys ainda estava de bruços, com as queimaduras de seu rosto em contato com a areia quente.
- Ei! Acha que sou forte, seu verme? Diga-me! – Disse Petrycos pisando na cabeça do general, enterrando-a na areia – Você deveria conhecer meu irmão mais velho. Eu deveria te matar agora, terminar o serviço, mas como hoje estou de bom humor vou apenas levar sua água. E só para constar mais uma coisa: eu só parei aqui porque estava com muita sede, e sabia que alguém muito confiante de si faria a burrada de vir atrás de mim – ele deu uma longa risada, e tomou um grande gole de água, jogando o resto sobre o general, e retirou a lâmina encravada no ombro dele, virando as costas para Henrys – Se você não morrer, tente outra vez. – Terminou ele, e conjurou "Levivos", desaparecendo junto a uma grande explosão de vento frio que a noite deserto traria.
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CARIEL
FantasíaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
