O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros.
Corretor ortográfico @ewertonalves93
- Se isso der certo você trará o garoto a mim, de preferência vivo. – disse o Padre Supremo sério, observando Nada a sorrir.
- Se isso der certo da maneira que idealizamos, lhe trarei o que quiser. – respondeu Nada caminhando em direção às masmorras ao fundo do castelo – E antes que me esqueça, tire o jovem rei de seu transe, e libere todos os poderes que ele possui.
- Já está feito... Agora ande, irei isolar a prisão. Tudo o que falarem será ouvido apenas por vocês, mas apenas por meia hora. Sugiro que se apresse, e não se esqueça do combinado.
Nada desapareceu com um sorriso, indo em direção àquela prisão fria e fétida, mas aparentemente mais aconchegante que o calabouço únifico. Lá havia um velho colchão de palha e três velas fracas que deixavam o lugar em uma penumbra assustadora. As paredes brancas se descascavam com as marcas de unhas pelas quais os condenados contavam seus dias, junto às frágeis pilastras corroídas pelo tempo. Os condenados pelos padres a uma vida solitária até a morte, que vinha pela fome ou desidratação, ali ficavam até que seus ossos se misturassem à terra batida, ou até que fossem corroídos pelos ratos e pelo tempo.
- Este não é o lugar de um Rei, ainda mais se esse Rei for jovem e próspero. – disse Nada surgindo no meio da sala, equilibrando-se em sua bengala negra enquanto olhava enojado para os esqueletos ali dispostos – Um Rei não deve passar seus últimos anos de vida em um lugar como este... Com certeza deve ser uma tortura sem precedentes para você.
- Hrrr... – resmungou o jovem rei, virando-se de punhos cerrados ao olhar para o velho Nada, imóvel.
- Percebo ódio e fervor em seus olhos... Isso é memorável! Há muito tempo não sentia uma presença tão perturbadora vinda de um bruxo aparentemente cheio de bondade. Quem sabe isso se deve à minha estadia em sua sala, banheiro e todo o resto, não é?
- O que quer comigo, bruxo maldito? Eu sei que você foi um dos bruxos que manipularam meu povo! Eu podia ver e ouvir vocês, mesmo sob controle daquele maldito Cavaleiro!
- Não repare esta minha deselegância. – disse Nada dando um passo à frente – Pois bem, meu nome é Nada. E o seu é Yryo. Rei Yryo.
- Sim, Rei Yryo. O mais jovem de sua linhagem, o único condenado à morte pelo Padre Supremo. Olhe ao redor; quantos mortos, quanta desgraça. E logo serei o próximo, logo haverá apenas o esqueleto de um rei, junto aos ossos desses bandidos e estupradores. Nessa vida não somos nada, até os títulos nos são tirados se tomarmos decisões errôneas. – disse ele tocando calmamente as mãos – Mas antes que eu morra levarei ao menos um daqueles que destruíram um reino de paz e prosperidade. E esse alguém será você!
- Eu? – perguntou o velho Nada, ouvindo Yryo conjurar.
- Ignis!
- Isso é inútil. Não apele para um confronto antes de me escutar, garoto. – disse Nada calmo, observando uma gigantesca bola de fogo em meio a ventos cortantes, que rapidamente o desintegrou.
O jovem rei respirou calmamente, abaixando seus braços que agora tremiam por causa daquele grande poder. Ele virou-se para a parede, e deu apenas um passo quando escutou o barulho da bengala tocando a cerâmica em meio à terra batida, dando um ligeiro estalo. Logo em seguida aquela voz reapareceu, agora séria.
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CARIEL
FantasíaEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
