Quem quiser vencer na vida deve fazer como os seus sábios: mesmo com a alma partida, ter um sorriso nos lábios.
Corretor ortográfico ewertonalves93
Cariel passou pelas longas e estreitas salas que ficavam dentro da montanha, e desceu imensas escadarias que o levavam cada vez mais para a parte mais profunda. De hora em hora ele via uma tocha que parecia ser igual a anterior, o que sempre o deixa confuso. Depois de muito andar por aquele labirinto ele escutou passos que equalizavam à frente; pareciam estar ao mesmo tempo de um lado e de outro. De repente uma presença o assombrou, como se desenterrasse seus medos. Cariel parou em meio à penumbra e fechou calmamente os olhos, escutando o barulho quase inaudível de pequenas goteiras caindo sobre o chão.
Ele procurava ter foco total em seus objetivos, afinal o inimigo que era o seu maior teste até aquele momento se encontrava a uma parede de distância, calmo e incrivelmente poderoso. Em pouco tempo Cariel já avistava uma grande sala, completamente branca e iluminada por algum tipo de feitiço, como se um pequeno Sol brilhasse ao meio dela sobre a cerâmica esquadrinhada. Bem ao centro uma grande Dragão a serpenteava em uma imagem quase viva, e parado logo atrás o líder dos bruxos únificos não parecia nem um pouco intimidado com a presença de Cariel, agora completamente treinado para este momento. O jovem Cavaleiro das Trevas então se emergiu rapidamente das sombras segurando sua lâmina, criando oito ilusões perfeitas de si mesmo em todos os cantos da sala, as quais rodeavam o poderoso Pai, que se mantinha sempre imóvel enquanto olhava para o chão.
- Um Cavaleiro das Trevas, eu suponho. – Sua voz reverberava por todo o salão.
Todas as cópias de Cariel, junto ao verdadeiro, resmungaram em uma só voz. Era impossível para Pai atacar o real, e Cariel observava a tudo, à espera de uma única brecha para o golpe perfeita.
- Me impressionou muito quando você parou meu colosso, mesmo eu o deixando por conta própria. – Pai elevou a cabeça ao teto da grande sala, respirando profundamente – Parece-me que veio libertar Noreeu, e Nada o mandou. Estou correto?
- Parece que a ilusão não está fazendo efeito.... Será? Não pode ser... É impossível. – Pensava Cariel.
- Você achou mesmo que esta ilusão... – Pai desapareceu tão rápido que Cariel não pode vê-lo nem sentir nada além de uma mão larga e firme agarrando seu pescoço com brutalidade, batendo-o contra a parede, que se trincou por completo. Sangue fora expelido pela boca, nariz e ouvidos do jovem Cariel, que pôde sentir seu crânio e vértebras sendo esmagados pelo impacto. – É infantil demais para alguém que parou um colosso como A Chave.... Não me decepcione, garoto! – Disse ele arremessando-o para o meio da sala, como se ele fosse um peso morto, mas Cariel se transformou em uma fumaça negra, reconstituindo-se no cato direito da sala, respirando com dificuldade e levando a mão direita à garganta, sentindo todo seu corpo se regenerar em meio a uma fumaça escura que saia de seus poros.
- Desgraçado! - Gritou ele estendendo a mão em direção à sua lâmina caída sobre a cerâmica, qual fora até ele num segundo. – Ignis! – Conjurou Cariel com uma densa energia que saia de seu corpo. Ao invés dele concentrar o poder em uma chama enorme, Cariel a canalizou em seu próprio corpo. A energia era tanta que suas pupilas antes castanhas ficaram amareladas. – Ainda não acabou... Gladius lamina in gehennam ignis! – Sua espada se tornara uma enorme lâmina de fogo, a qual ele drenou completamente. Seus pés adentravam-se à cerâmica por causa da pressão concentrada, suas vestes ricocheteavam. Os cacos das cerâmicas se elevavam lentamente ao teto, como se a gravidade estivesse se esvaecendo ao redor dele.
- Impressionante... – pensou Pai, com um sorriso de canto de boca – Ele é realmente poderoso, quase se iguala a Tberyos...
- Ei você, por que não saca sua espada? – Gritou Cariel, manuseando sua bela lâmina. Mas Pai deu um passo à frente.
- Venha.
- Não me subestime, seu velho! Spiritus Divisio, Clones do Caos! – Assim que Cariel fez a invocação, quatro seres iguais a ele surgiram, mas com olhos negros dos quais saiam uma leve fumaça. Cada um empunhava uma longa e pesada espada, e como Cariel, eles olhavam sedentos para o bruxo únifico.
- Isso vai ser interessante. – Pensou Pai ao retirar sua espada, com os olhos fixos à frente – Ignis Faci ut Laminis! – Ele respirou profundamente ao olhar para Cariel, que partiu com tudo contra Pai, junto de seus clones.
O toque de suas lâminas era ensurdecedor. Os clones atacavam coordenadamente, um golpe após o outro, e Pai calmamente se defendia de todos, como se a luta fosse um simples treinamento. Seus olhos se mantinham em todos para que não fosse atingido pelos clones, afinal a lâmina que eles empunhavam era do mundo espiritual, forjada das almas de inocentes. Quem fosse ferido por uma delas nunca se recuperaria, e nem o lugar atingido se cicatrizaria. Se o golpe fosse fatal, nem a regeneração mais poderosa poderia salvar.Cariel possuía quatro malditos quais não se cansavam, apenas obedeciam, e junto deles o jovem Cavaleiro das Trevas atacava de forma impecável até se afastar, lançando uma tormenta de vento tão cortante qual poderia destruir parte de uma montanha. No momento que se aproximava de Pai, que atentamente lutava contra os clones, Cariel conjurou ignis, fazendo com que toda a tormenta de ventos se tornasse um afunilado de chamas que derretia a cerâmica apenas com seu calor. De repente os clones desapareceram, surgindo ao lado de Cariel. Eles não podiam conjurar feitiço algum, apenas lutavam ao nível de quem os invocara.
- É o seu fim! – As chamas brilhavam dentro de seus olhos quando ouviu um grito que o arrepiou por completo, com uma súbita presença se elevando ao ponto de causar tremores por toda montanha. O bruxo únifico dividira as chamas e os ventos com um único balançar de braço, e toda aquela energia passara de seu lado cotando-lhe partes de seu sobretudo e um pedaço de sua orelha. Ao cessar da tormenta suas vestes ainda ricocheteavam, juntamente com seus cabelos ensopados de sangue. – Como?! – Cariel questionava-se em sua mente, desaparecendo. Ele surgiu à esquerda de Pai, mas o poder que emanava dele era tanto que o bruxo das trevas fora expelido contra a parede o fundo da sala. – Maldito! – Gritou enquanto se levantava.
Ele olhava com um ódio fervente ao ver aquele bruxo se mover tão rápido que nada o acompanhava, surgindo perto de um dos clones. A cópia de Cariel tentou golpear Pai, mas antes fora atingido por um gancho de direita que arrancou sua cabeça. Em seguida o bruxo únifico pegou outros dois e quebrou seus pescoços facilmente. Ao morrerem os clones desapareciam da sala em direção à sombra mais próxima. O único que restou surgiu junto de Cariel, que não conseguia sequer segurar sua espada, pois o medo o consumia, e esta instabilidade deixava seu único suporte abalado.
- Como pode este Pai ser mais poderoso que. Nada? Maldito! Não há como vencê-lo... – pensava Cariel enquanto o bruxo únifico caminhava em sua direção – O que farei? Pense Cariel, pense... A poção! –Ele se afastou até o centro da sala. Pai parou calmamente, olhando-o – Não tenho escolha, irei tomá-la e me regenerarei por completo. Então fundirei meus maiores trunfos! – Ele tomou a poção e logo respirou revigorado. – Gehennam ignis! – Novamente as chamas subiram imensas, mas Cariel ainda não havia terminado – Maledictus sigillum ignis! – Sua espada brilhou em uma chama que tremulava violentamente. Mesmo com todo aquele poder capaz de destroçar uma floresta em segundos, Cariel não conseguia parar de tremer ao ver aquele bruxo imponente e ao mesmo tempo singelo, olhando-o nos olhos. – Seu maldito, eu não irei perder! Ignis!!
Ele segurou sua lâmina junto a seu peito em quanto absorvia as chamas que emanavam dela, e no mesmo instante todo aquele fogo o rodeou como um casulo tomado pelo fogo, que lentamente se dissipou, fazendo com que Pai observasse aquelas duas enormes asas de energia às costas de Cariel, como asas de águia em chamas. A luz era tão forte que ofuscava o feitiço de iluminação de Pai, que ainda olhava com calma, mas receoso.
- Uma transformação?! Aí está algo muito raro. – Pensava ele.
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CARIEL
FantastikEm uma terra onde a desconfiança e a paz andam lado a lado, dois povos vivem separados por um único pacto, selando não só a boa nova entre homens e bruxos, mas também a prosperidade e a boa vontade de um Deus. A cada 500 longos anos este pacto tem d...
